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Capa | Dra. Rosemary Rosa: Advogada, Empresária e Escritora

Foto do escritor: Henry Ayres
Henry Ayres
20 de set.
24 min de leitura
Dra. Rosemary Rosa
Advogada, empresária e escritora, Dra. Rosemary reúne cerca de 25 anos de experiência em uma reflexão sobre direitos, escolhas e o preço das conquistas. Ao lado da filha, Maryanna Rosa, encontrou na escrita uma forma de levar essa conversa para além do escritório.

Versão em Português

Algumas clientes voltavam meses, às vezes anos depois, sem um novo processo para discutir. Queriam contar à Dra. Rosemary Rosa que a vida havia mudado. Tinham tomado uma decisão adiada por muito tempo, agora que compreendiam o que a lei permitia. Esses retornos foram mostrando à advogada uma dimensão do trabalho que os resultados jurídicos, sozinhos, não conseguiam revelar: o que acontecia com uma mulher depois de sair de seu escritório.


Mas havia também aquelas que, mesmo bem informadas, não conseguiam avançar. Conheciam seus direitos, entendiam as possibilidades e ainda assim permaneciam onde estavam. Durante algum tempo, Rosemary interpretou essa distância como uma falha de comunicação ou uma dificuldade de decisão. Precisou rever o próprio olhar para compreender o que faltava.


“Eu podia explicar a lei perfeitamente para uma cliente, e ainda assim vê-la paralisada, sem conseguir agir.”

A questão não estava necessariamente na clareza da explicação. Medo, vínculos afetivos e a dificuldade de acreditar que mereciam uma vida diferente também participavam daquelas decisões. Reconhecer isso exigiu da profissional algo menos visível do que o domínio de uma legislação: paciência para respeitar um tempo que não era o seu.


Ao longo de cerca de 25 anos de advocacia, em uma trajetória ligada à RNR Advocacia, no Rio de Janeiro, Rosemary passou a compreender que oferecer uma orientação precisa não encerrava toda a complexidade do atendimento. Era necessário perceber como aquela informação encontraria lugar na vida de quem a recebia.


“Levei anos para entender que nem toda cliente chega pronta para agir, mesmo depois de saber exatamente quais são os seus direitos.”

Essa atenção à pessoa tem uma referência importante em seus primeiros anos de profissão. Rosemary reconhece no Dr. Augusto Calmon Nogueira da Gama um mentor que lhe ensinou a combinar ética, técnica e uma visão humanizada do trabalho. A cliente precisava ser enxergada por inteiro, não reduzida ao processo que a levava até ali.


Mais recentemente, a psicanalista Dra. Juliana Muzz contribuiu para ampliar sua compreensão das dimensões emocionais envolvidas nas escolhas das mulheres. Rosemary a identifica como uma inspiração para o livro Seus Direitos de Mulher. A inquietação acumulada no escritório começava a encontrar outro destino: uma obra que aproximasse o conhecimento jurídico das dificuldades concretas de colocá-lo em prática.


“O maior desafio não foi técnico, foi de percepção.”

Escrito ao lado da filha, Maryanna Rosa, o livro ocupa um lugar particular entre suas realizações. Rosemary já havia publicado obras e artigos jurídicos e enfrentado casos que considera tecnicamente mais complexos. Ainda assim, é essa parceria que escolhe quando lhe perguntam qual conquista mais a orgulha.


A resposta tem menos a ver com a dificuldade da tarefa e mais com o que ela exigiu de quem a realizou. Rosemary precisou reconhecer que sua experiência, por extensa que fosse, não contemplava sozinha todas as questões que desejava abordar. Maryanna trouxe outra perspectiva sobre comportamento, mentalidade e o momento emocional de cada mulher. A construção ganhou força justamente porque não dependia de um único olhar.


“Foi minha filha quem trouxe essa outra dimensão, e juntas construímos algo que nenhuma de nós faria sozinha.”

Dra. Rosemary Rosa

Há uma maturidade importante nessa disposição para reconhecer limites. Depois de tantos anos em uma profissão sustentada pelo conhecimento especializado, Rosemary não tratou a própria experiência como um repertório fechado. Permitiu que ela fosse complementada. A filha entrou no projeto como colaboradora de uma construção que precisava das duas.


Também havia uma mudança de público. Rosemary queria escrever para mulheres de diferentes formações e condições sociais, inclusive aquelas que não costumam ler textos jurídicos. Não bastava dominar o assunto. Era preciso encontrar uma linguagem capaz de fazer esse conhecimento circular fora dos ambientes em que ele já era familiar.


“Um livro pode alcançar milhares de mulheres que eu jamais teria a chance de atender em um escritório.”

Essa possibilidade de alcance reorganizou sua maneira de pensar o trabalho. No início, resultados, número de clientes e reconhecimento profissional eram referências mais imediatas. Com o tempo, passou a se interessar também pelo que poderia oferecer a uma mulher que talvez nunca conhecesse pessoalmente.


O investimento em comunicação, conteúdo e escrita nasceu dessa preocupação. Como fazer uma informação importante chegar antes que alguém precise enfrentar uma situação sem compreender suas alternativas? A pergunta deslocou parte de sua atenção do atendimento individual para a criação de outras formas de acesso.


“Não é sobre o escritório. É sobre nunca considerar o trabalho terminado enquanto existir alguém que eu ainda posso alcançar.”

A vontade de ampliar a atuação também a levou para territórios que não pertenciam à advocacia. Rosemary abriu uma loja de óculos de sol voltada para mulheres e, depois, um salão boutique de beleza. Ao empreender nessas áreas, descobriu um interesse pela gestão e por outras possibilidades de participar do bem-estar feminino.


Ela reconhece diferenças entre os negócios, mas encontra uma ligação pessoal entre eles: o interesse por mulheres que desejam se sentir mais confiantes e fazer escolhas por si mesmas. A experiência jurídica não foi abandonada. Passou a conviver com habilidades que precisaram ser desenvolvidas fora do campo que já dominava.


“Minhas decisões mais importantes foram tomadas com a dúvida ainda presente.”

Dra. Rosemary Rosa

A frase afasta uma ideia confortável sobre carreiras consolidadas: a de que, depois de certo ponto, toda decisão vem acompanhada de segurança. Rosemary não descreve suas mudanças dessa maneira. Houve aprendizado em áreas novas, disposição para experimentar e a aceitação de não ter todas as respostas antes de começar.


Hoje, sua definição de uma carreira brilhante inclui justamente essa capacidade de mudar sem perder de vista a razão que sustenta o trabalho. Reinventar-se, em sua experiência, não exige abandonar o que veio antes. Pode significar descobrir outras formas de dar continuidade ao que importa.


“O propósito genuíno sobrevive à dúvida e, muitas vezes, se expande justamente porque houve coragem de sair do que já se dominava.”

Seria possível contar essa trajetória apenas pelas expansões: o escritório, as empresas, a produção jurídica, o livro. Rosemary, porém, introduz uma dimensão menos confortável quando fala sobre equilíbrio. Construir tudo isso teve um custo, e parte dele foi paga dentro de casa.


Mãe de Maryanna e de José Augusto, nascido sete anos depois da irmã, ela recorda audiências marcadas na mesma semana de apresentações escolares da filha. Mais tarde, com José ainda pequeno, houve noites de preparação de estratégias jurídicas enquanto outra infância acontecia em casa. São lembranças que não apresenta como detalhes inevitáveis de uma história de sucesso. Elas permanecem importantes.


“O que encontrei foi paz com as escolhas que fiz, mesmo sabendo que algumas delas custaram momentos que não voltam.”

Rosemary fala de uma tensão que viveu em diferentes fases da carreira. Trabalhar significava sustentar o futuro dos filhos, mas também construir um nome e conquistar espaço profissional. As decisões não aconteciam uma única vez. Repetiam-se na agenda, nos compromissos e na atenção que continuava ocupada pelo escritório mesmo quando o expediente terminava.


Também reconhece o que deixou de oferecer a si mesma: noites de sono, refeições feitas com calma, lazer e descanso sem a preocupação constante com o trabalho. Não transforma essas renúncias em uma recomendação para quem vem depois. Quando lhe perguntam se valeu a pena, prefere não simplificar.


“Valer a pena é um conceito abstrato, depende do dia em que você pergunta, depende do que está pesando na balança naquele momento.”

Essa resposta preserva uma complexidade que merece ser ouvida. O orgulho pela trajetória e a consciência do que foi perdido podem existir ao mesmo tempo. Rosemary não precisa negar suas conquistas para reconhecer as ausências, nem diminuir as ausências para legitimar o que construiu.


É também desse lugar que nasce parte da intenção social do livro. Além de apresentar direitos, ela deseja contribuir para que outras mulheres reflitam sobre as próprias escolhas, inclusive sobre os custos de construir uma carreira ou interrompê-la em nome da família. O aprendizado pessoal ganha utilidade quando pode ajudar alguém a decidir com mais consciência e menos excessos.


“O que existe, de fato, é o que já aconteceu, e a forma como escolho lidar com isso hoje.”

A parceria com Maryanna acrescenta uma dimensão afetiva a esse trabalho sem apagar a franqueza com que Rosemary olha para o passado. A filha, mesmo morando no exterior, acompanhou os detalhes do projeto, participou e celebrou à distância. No lançamento, José esteve ao lado da mãe, oferecendo apoio de perto.


Rosemary também guarda o orgulho da própria mãe diante de uma obra que carrega o nome da família. Ao falar da celebração, são essas presenças que aparecem primeiro. O evento tem seu valor, mas o significado mais íntimo está em reconhecer quem participou do caminho e quem compreende o que foi necessário para chegar até ali.


“Uma vitória vivida sozinha perde boa parte do seu significado, pelo menos pra mim.”

Dra. Rosemary Rosa

Ela associa esse entendimento a outro ensinamento de seu mentor: uma conquista profissional também pede reconhecimento a quem caminhou junto. Por isso, inclui equipe, clientes e colaboradores ao falar das vitórias menores, aquelas que não têm lançamento ou cerimônia, mas sustentam o cotidiano.


As próprias clientes ocupam um lugar central entre suas referências. Mulheres que lhe confiaram histórias de separação, violência e injustiça ensinaram a Rosemary aspectos da busca por justiça que não encontrava nos livros. Ouvir essas experiências modificou sua prática e ajudou a definir as perguntas que continuaria fazendo ao longo dos anos.


“Meu trabalho nunca foi, de fato, só sobre direito.”

Hoje, em meio às responsabilidades do escritório e das empresas, ela procura preservar um espaço simples: caminhar. O hábito não surgiu como uma nova obrigação de desempenho, mas como um intervalo em que pode se afastar das demandas profissionais e recuperar a atenção para si.


Nessas caminhadas, costuma ouvir audiobooks de autores como Napoleon Hill, Robert Greene e Neville Goddard. São referências que, segundo ela, ampliam seu olhar sobre mentalidade e vida interior. Depois de tanto tempo trabalhando com a dimensão técnica das questões alheias, valoriza esse momento em que a reflexão não precisa resultar imediatamente em uma solução para alguém.


“É sobre começar o dia já com a cabeça um pouco mais alinhada com quem eu quero ser, antes de qualquer urgência do trabalho tomar conta.”

A mudança também aparece na forma como lida com o cansaço. No início da carreira, dúvida e falta de motivação costumavam produzir ainda mais cobrança. Hoje, Rosemary procura observar os pensamentos que alimenta e a maneira como reage às dificuldades, em vez de interpretar cada período de incerteza como sinal de fragilidade profissional.


Esse cuidado com a própria perspectiva convive com a inquietação que a mantém trabalhando. A experiência não diminuiu seu interesse pelo que ainda falta fazer. Ao contrário, permitiu perceber quantas mulheres permanecem fora do alcance de um atendimento individual e quantas formas de comunicação ainda podem ser exploradas.


“Não é sobre acumular títulos, é sobre nunca se acomodar diante de um problema que ainda não tem solução boa o suficiente.”

Por isso, o livro representa uma conquista, mas não um encerramento. Ele reúne a advogada, a empresária, a mãe e a mulher que aprendeu a olhar com mais cuidado para os custos de suas decisões. Reúne também o conhecimento construído com clientes, mentores e a própria filha. Nenhuma dessas contribuições precisa desaparecer para que sua autoria tenha força.


Quando pensa no próximo movimento, Rosemary volta a uma pergunta que atravessa sua atuação e mantém o trabalho aberto ao que ainda não conseguiu alcançar.


“Que mulher ainda não está sendo alcançada pelo que eu ofereço?”

Foi essa pergunta que ampliou o escritório em direção à comunicação e encontrou, na parceria entre mãe e filha, uma nova possibilidade de resposta. Agora, ela também dá sentido ao que Rosemary escolhe fazer com a própria experiência, inclusive com suas partes mais difíceis.


Não é possível recuperar os momentos que passaram. Mas é possível colocar o que se

aprendeu a serviço das escolhas que outras mulheres ainda têm pela frente.



Capa | Dra. Rosemary Rosa: Advogada, Empresária e Escritora


Advogada, empresária e escritora, Dra. Rosemary Rosa transforma cerca de 25 anos de experiência em uma reflexão sobre direitos, escolhas e o preço das conquistas. Ao lado da filha, Maryanna Rosa, amplia essa conversa no livro Seus Direitos de Mulher.


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English Version

Cover | Dr. Rosemary Rosa: Lawyer, Entrepreneur and Author


Lawyer, entrepreneur, and author Dr. Rosemary Rosa draws on roughly 25 years of experience to reflect on rights, choices, and the cost of achievement. With her daughter, Maryanna Rosa, she takes this conversation further in the book Seus Direitos de Mulher.


Some clients would return months, sometimes years later, with no new legal case to discuss. They wanted to tell Dr. Rosemary Rosa that their lives had changed. They had made a decision they had postponed for a long time, now that they understood what the law allowed. These visits revealed a dimension of her work that legal outcomes alone could not capture: what happened in a woman's life after she left her office.


But there were also women who, despite being well informed, could not move forward. They knew their rights and understood their options, yet remained where they were. For a time, Rosemary interpreted that gap as a failure of communication or a difficulty in making decisions. She had to reconsider her own perspective to understand what was missing.


“I could explain the law perfectly to a client and still see her unable to act.”

The issue was not necessarily the clarity of the explanation. Fear, emotional attachments, and the difficulty of believing they deserved a different life also played a part in those decisions. Recognizing this required something less visible than legal expertise: the patience to respect a pace that was not her own.


Over roughly 25 years in legal practice, in a career tied to RNR Advocacia in Rio de Janeiro, Rosemary came to understand that providing precise guidance did not address every complexity involved in supporting a client. She also needed to consider how that information could find a place in the life of the person receiving it.


“It took me years to understand that not every client is ready to act, even after learning exactly what her rights are.”

This attention to the individual has an important foundation in her early years in the profession. Rosemary credits Dr. Augusto Calmon Nogueira da Gama as a mentor who taught her to combine ethics, technical skill, and a humane approach to her work. A client needed to be seen as a whole person, not reduced to the legal case that brought her into the office.


More recently, psychoanalyst Dr. Juliana Muzz helped deepen her understanding of the emotional dimensions of women's choices. Rosemary identifies her as an inspiration for the book Seus Direitos de Mulher. The questions that had accumulated in her practice were beginning to find another home: a book that would connect legal knowledge with the real difficulties of putting it into practice.


“The greatest challenge was not technical. It was a matter of perception.”

Written with her daughter, Maryanna Rosa, the book holds a special place among her achievements. Rosemary had already published legal works and articles and handled cases she considers more technically complex. Even so, it is this partnership she names when asked which accomplishment makes her proudest.


Her answer has less to do with the difficulty of the task than with what it required of her. Rosemary had to acknowledge that her experience, extensive as it was, could not address every issue she wanted to explore on its own. Maryanna brought another perspective on behavior, mindset, and each woman's emotional circumstances. Their work grew stronger precisely because it did not depend on a single point of view.


“My daughter brought that other dimension, and together we built something neither of us could have created alone.”

There is a significant maturity in that willingness to acknowledge limits. After so many years in a profession grounded in specialized knowledge, Rosemary did not treat her own experience as a closed body of expertise. She allowed it to be enriched. Her daughter joined as a collaborator on a project that needed them both.


There was also a shift in audience. Rosemary wanted to write for women from different educational and social backgrounds, including those who do not usually read legal texts. Mastering the subject was not enough. She needed to find language that could carry this knowledge beyond the settings where it was already familiar.


“A book can reach thousands of women I would never have the chance to see in my office.”

That possibility of reaching more people reshaped the way she thought about work. Early on, results, client numbers, and professional recognition were her most immediate reference points. Over time, she also became interested in what she could offer a woman she might never meet in person.


Her investment in communication, content, and writing grew out of that concern. How could important information reach someone before she had to face a situation without understanding her options? The question shifted part of Rosemary's attention from individual consultations to creating other ways of making knowledge accessible.


“It is not about the office. It is about never considering the work finished while there is still someone I can reach.”

The desire to broaden her work also took her into fields outside the law. Rosemary opened a sunglasses store for women and, later, a boutique beauty salon. Through these businesses, she discovered an interest in management and in other ways of contributing to women's well-being.


She recognizes the differences between these businesses, but finds a personal connection among them: an interest in women who want to feel more confident and make their own choices. Her legal experience was not left behind. It came to coexist with skills she needed to develop beyond the field she already knew well.


“I made my most important decisions while doubt was still present.”

The statement challenges a reassuring assumption about established careers: that, beyond a certain point, every decision comes with certainty. Rosemary does not describe her changes that way. They involved learning in new fields, a willingness to experiment, and accepting that she would not have every answer before she began.


Today, her definition of a brilliant career includes precisely this ability to change without losing sight of the reason behind the work. In her experience, reinvention does not require abandoning what came before. It can mean discovering other ways to continue what matters.


“Genuine purpose survives doubt and often expands precisely because we found the courage to move beyond what we already knew well.”

It would be possible to tell this story only through its expansions: the law firm, the businesses, the legal publications, the book. Rosemary, however, introduces a less comfortable dimension when she talks about balance. Building all of this came at a cost, and part of it was paid at home.


The mother of Maryanna and José Augusto, who was born seven years after his sister, she recalls hearings scheduled in the same week as her daughter's school performances. Later, when José was still little, there were nights spent preparing legal strategies while another childhood unfolded at home. These are not memories she presents as inevitable details in a success story. They still matter.


“What I found was peace with the choices I made, even knowing that some of them cost me moments I cannot get back.”

Rosemary speaks of a tension she experienced at different stages of her career. Working meant providing for her children's future, but also building a name and establishing herself professionally. These decisions were not made just once. They recurred in her schedule, her commitments, and the attention that remained tied to the office even after the workday ended.


She also acknowledges what she stopped giving herself: nights of sleep, unhurried meals, leisure, and rest free from constant concern about work. She does not turn those sacrifices into advice for the women who come after her. When asked whether it was worth it, she prefers not to simplify the answer.


“Whether something was worth it is an abstract question. It depends on the day you ask and on what is weighing on the scales at that moment.”

That answer preserves a complexity worth hearing. Pride in a career and an awareness of what was lost can exist at the same time. Rosemary does not need to deny her achievements to acknowledge the moments she missed, or minimize those absences to validate what she built.


Part of the book's social purpose also grows out of that understanding. Beyond explaining rights, she wants to help other women reflect on their choices, including the costs of building a career or interrupting it for their families. Personal experience becomes useful when it helps someone make more conscious decisions without pushing herself as far beyond her limits.


“What exists, in fact, is what has already happened and how I choose to deal with it today.”

Working with Maryanna brings an emotional dimension to this project without erasing the honesty with which Rosemary looks at the past. Despite living abroad, her daughter followed the details, contributed, and celebrated from a distance. At the launch, José stood beside his mother, offering support in person.


Rosemary also remembers her own mother's pride in a book that carries the family name. When she talks about the celebration, these are the people she mentions first. The event matters, but its deepest meaning lies in recognizing those who took part in the journey and understand what it took to get there.


“A victory experienced alone loses much of its meaning, at least for me.”

She connects that understanding to another lesson from her mentor: a professional achievement also calls for recognition of those who helped along the way. That is why she includes her team, clients, and collaborators when speaking of smaller victories, the ones without a launch or ceremony that nonetheless sustain everyday work.


Her clients themselves hold a central place among her influences. Women who entrusted her with stories of separation, violence, and injustice taught Rosemary aspects of the pursuit of justice that she could not find in books. Listening to those experiences changed her practice and helped shape the questions she would continue asking over the years.


“My work was never really just about the law.”

Today, amid the responsibilities of her law firm and businesses, she tries to protect a simple space for herself: walking. The habit did not begin as another obligation to perform, but as a pause during which she can step away from professional demands and turn her attention back to herself.


On these walks, she often listens to audiobooks by authors such as Napoleon Hill, Robert Greene, and Neville Goddard. They are influences that, she says, broaden her perspective on mindset and inner life. After so long working with the technical dimensions of other people's problems, she values this time when reflection does not have to produce an immediate solution for someone else.


“It is about starting the day with my mind a little more aligned with who I want to be, before any urgent work demand takes over.”

The change is also evident in how she deals with fatigue. Early in her career, doubt and a lack of motivation often led her to put even more pressure on herself. Today, Rosemary tries to notice the thoughts she nurtures and how she responds to difficulties, rather than interpreting every period of uncertainty as a sign of professional weakness.


This attention to her own perspective coexists with the restlessness that keeps her working. Experience has not diminished her interest in what remains to be done. On the contrary, it has helped her see how many women remain beyond the reach of individual consultations and how many forms of communication are still worth exploring.


“It is not about collecting titles. It is about never becoming complacent when a problem still does not have a good enough solution.”

That is why the book represents an achievement, but not an ending. It brings together the lawyer, the entrepreneur, the mother, and the woman who has learned to look more carefully at the costs of her decisions. It also brings together knowledge built through her clients, mentors, and daughter. None of those contributions needs to disappear for her own voice to carry weight.


When she considers her next step, Rosemary returns to a question that runs through her work and keeps it open to the people she has yet to reach.


“Which woman am I still not reaching with what I offer?”

It was this question that took her work beyond the office and into communication, and found a new possible answer in a partnership between mother and daughter. Now, it also gives meaning to what Rosemary chooses to do with her own experience, including its most difficult parts.


The moments that have passed cannot be recovered. But what she has learned can still serve the choices other women have yet to make.



Cover | Dr. Rosemary Rosa: Lawyer, Entrepreneur and Author


Lawyer, entrepreneur, and author Dr. Rosemary Rosa draws on roughly 25 years of experience to reflect on rights, choices, and the cost of achievement. With her daughter, Maryanna Rosa, she takes this conversation further in the book Seus Direitos de Mulher.


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Versión en Español

Portada | Dra. Rosemary Rosa: Abogada, Empresaria y Escritora


Abogada, empresaria y escritora, la Dra. Rosemary Rosa transforma unos 25 años de experiencia en una reflexión sobre derechos, decisiones y el precio de los logros. Junto a su hija, Maryanna Rosa, amplía esta conversación en el libro Seus Direitos de Mulher.


Algunas clientas regresaban meses, a veces años después, sin un nuevo caso jurídico que tratar. Querían contarle a la Dra. Rosemary Rosa que su vida había cambiado. Habían tomado una decisión postergada durante mucho tiempo, ahora que comprendían lo que la ley permitía. Esos regresos fueron revelándole a la abogada una dimensión de su trabajo que los resultados jurídicos, por sí solos, no podían mostrar: lo que ocurría en la vida de una mujer después de salir de su despacho.


Pero también estaban aquellas que, aun estando bien informadas, no conseguían avanzar. Conocían sus derechos, entendían las posibilidades y, sin embargo, permanecían donde estaban. Durante un tiempo, Rosemary interpretó esa distancia como un fallo de comunicación o una dificultad para decidir. Tuvo que revisar su propia mirada para comprender qué faltaba.


«Podía explicarle la ley perfectamente a una clienta y, aun así, verla paralizada, sin poder actuar.»

El problema no estaba necesariamente en la claridad de la explicación. El miedo, los vínculos afectivos y la dificultad para creer que merecían una vida diferente también intervenían en aquellas decisiones. Reconocerlo le exigió algo menos visible que el dominio de la legislación: paciencia para respetar un ritmo que no era el suyo.


A lo largo de unos 25 años de ejercicio profesional, en una trayectoria vinculada a RNR Advocacia, en Río de Janeiro, Rosemary llegó a comprender que ofrecer una orientación precisa no resolvía toda la complejidad de la atención. También era necesario entender cómo esa información encontraría su lugar en la vida de quien la recibía.


«Tardé años en entender que no todas las clientas llegan preparadas para actuar, incluso después de saber exactamente cuáles son sus derechos.»

Esa atención a la persona tiene un referente importante en sus primeros años de profesión. Rosemary reconoce en el Dr. Augusto Calmon Nogueira da Gama a un mentor que le enseñó a combinar ética, técnica y una visión humanizada del trabajo. Era necesario ver a la clienta como una persona completa, sin reducirla al proceso que la había llevado hasta allí.


Más recientemente, la psicoanalista Dra. Juliana Muzz contribuyó a ampliar su comprensión de las dimensiones emocionales implicadas en las decisiones de las mujeres. Rosemary la identifica como una inspiración para el libro Seus Direitos de Mulher. La inquietud acumulada en el despacho comenzaba a encontrar otro destino: una obra que acercara el conocimiento jurídico a las dificultades concretas de llevarlo a la práctica.


«El mayor desafío no fue técnico, fue de percepción.»

Escrito junto a su hija, Maryanna Rosa, el libro ocupa un lugar particular entre sus logros. Rosemary ya había publicado obras y artículos jurídicos y afrontado casos que considera técnicamente más complejos. Aun así, es esta colaboración la que elige cuando le preguntan de qué logro se siente más orgullosa.


La respuesta tiene menos que ver con la dificultad de la tarea que con lo que esta le exigió. Rosemary tuvo que reconocer que su experiencia, por amplia que fuera, no abarcaba por sí sola todas las cuestiones que deseaba abordar. Maryanna aportó otra perspectiva sobre el comportamiento, la mentalidad y el momento emocional de cada mujer. El trabajo ganó fuerza precisamente porque no dependía de una única mirada.


«Fue mi hija quien aportó esa otra dimensión, y juntas construimos algo que ninguna de las dos habría hecho sola.»

Hay una madurez importante en esa disposición a reconocer los propios límites. Después de tantos años en una profesión sustentada en el conocimiento especializado, Rosemary no trató su experiencia como un repertorio cerrado. Permitió que se complementara. Su hija se incorporó como colaboradora de un proyecto que las necesitaba a ambas.


También hubo un cambio de público. Rosemary quería escribir para mujeres de distintas formaciones y condiciones sociales, incluidas aquellas que no suelen leer textos jurídicos. No bastaba con dominar la materia. Era necesario encontrar un lenguaje capaz de hacer circular ese conocimiento fuera de los entornos en los que ya resultaba familiar.


«Un libro puede llegar a miles de mujeres a las que nunca tendría la oportunidad de atender en un despacho.»

Esa posibilidad de llegar más lejos reorganizó su manera de pensar el trabajo. Al principio, los resultados, el número de clientas y el reconocimiento profesional eran sus referencias más inmediatas. Con el tiempo, empezó a interesarse también por lo que podía ofrecerle a una mujer a la que quizá nunca conocería personalmente.


Su inversión en comunicación, contenido y escritura nació de esa preocupación. ¿Cómo hacer llegar información importante antes de que alguien tenga que afrontar una situación sin comprender sus alternativas? La pregunta hizo que dedicara parte de sus esfuerzos a crear nuevas vías de acceso al conocimiento, además de atender a cada clienta.


«No se trata del despacho. Se trata de no dar nunca el trabajo por terminado mientras exista alguien a quien todavía pueda llegar.»

El deseo de ampliar su actividad también la llevó a territorios ajenos a la abogacía. Rosemary abrió una tienda de gafas de sol dirigida a mujeres y, después, un salón boutique de belleza. Al emprender en estos ámbitos, descubrió un interés por la gestión y por otras posibilidades de contribuir al bienestar femenino.


Reconoce las diferencias entre los negocios, pero encuentra un vínculo personal entre ellos: el interés por mujeres que desean sentirse más seguras y tomar sus propias decisiones. No abandonó su experiencia jurídica. Esta pasó a convivir con habilidades que tuvo que desarrollar fuera del ámbito que ya dominaba.


«Mis decisiones más importantes las tomé con la duda todavía presente.»

La frase cuestiona una idea tranquilizadora sobre las carreras consolidadas: que, a partir de cierto momento, toda decisión llega acompañada de seguridad. Rosemary no describe así sus cambios. Hubo aprendizaje en nuevos ámbitos, disposición para experimentar y aceptación de no tener todas las respuestas antes de comenzar.


Hoy, su definición de una carrera brillante incluye precisamente esa capacidad de cambiar sin perder de vista la razón que sostiene el trabajo. En su experiencia, reinventarse no exige abandonar lo anterior. Puede significar descubrir otras formas de dar continuidad a lo que importa.


«El propósito genuino sobrevive a la duda y, muchas veces, se amplía precisamente porque hubo valor para salir de lo que ya se dominaba.»

Sería posible contar esta trayectoria únicamente a través de sus expansiones: el despacho, las empresas, las publicaciones jurídicas, el libro. Rosemary, sin embargo, introduce una dimensión menos cómoda cuando habla de equilibrio. Construir todo eso tuvo un coste, y parte de él se pagó en casa.


Madre de Maryanna y de José Augusto, nacido siete años después de su hermana, recuerda audiencias programadas en la misma semana que las actuaciones escolares de su hija. Más tarde, con José todavía pequeño, hubo noches preparando estrategias jurídicas mientras otra infancia transcurría en casa. No presenta esos recuerdos como detalles inevitables de una historia de éxito. Siguen siendo importantes.


«Lo que encontré fue paz con las decisiones que tomé, aun sabiendo que algunas me costaron momentos que no volverán.»

Rosemary habla de una tensión que vivió en diferentes etapas de su carrera. Trabajar significaba asegurar el futuro de sus hijos, pero también hacerse un nombre y conquistar un espacio profesional. Las decisiones no se tomaban una sola vez. Se repetían en la agenda, en los compromisos y en la atención que seguía ocupada por el despacho incluso después de terminar la jornada.


También reconoce lo que dejó de ofrecerse a sí misma: noches de sueño, comidas tranquilas, ocio y descanso sin la preocupación constante por el trabajo. No convierte esas renuncias en una recomendación para quienes vienen después. Cuando le preguntan si mereció la pena, prefiere no simplificar.


«Merecer la pena es un concepto abstracto. Depende del día en que preguntes y de lo que esté pesando en la balanza en ese momento.»

Esa respuesta conserva una complejidad que merece ser escuchada. El orgullo por la trayectoria y la conciencia de lo perdido pueden existir al mismo tiempo. Rosemary no necesita negar sus logros para reconocer las ausencias, ni restar importancia a esas ausencias para legitimar lo que construyó.


De ese lugar nace también parte de la intención social del libro. Además de presentar derechos, desea ayudar a otras mujeres a reflexionar sobre sus propias decisiones, incluidos los costes de construir una carrera o interrumpirla por la familia. El aprendizaje personal adquiere utilidad cuando puede ayudar a alguien a decidir con mayor conciencia y menos excesos.


«Lo que existe, en realidad, es lo que ya ocurrió y la manera en que elijo afrontarlo hoy.»

La colaboración con Maryanna añade una dimensión afectiva a este trabajo sin borrar la franqueza con la que Rosemary mira al pasado. Su hija, pese a vivir en el extranjero, siguió los detalles del proyecto, participó y celebró a distancia. En la presentación, José estuvo junto a su madre, apoyándola de cerca.


Rosemary también guarda el orgullo de su propia madre ante una obra que lleva el apellido de la familia. Al hablar de la celebración, son esas presencias las que aparecen primero. El evento tiene su valor, pero su significado más íntimo está en reconocer a quienes participaron en el camino y comprenden lo que hizo falta para llegar hasta allí.


«Una victoria vivida en soledad pierde buena parte de su significado, al menos para mí.»

Relaciona esa convicción con otra enseñanza de su mentor: un logro profesional también exige reconocer a quienes caminaron a nuestro lado. Por eso incluye a su equipo, clientas y colaboradores cuando habla de las pequeñas victorias, aquellas que no tienen presentación ni ceremonia, pero sostienen el día a día.


Las propias clientas ocupan un lugar central entre sus referentes. Mujeres que le confiaron historias de separación, violencia e injusticia le enseñaron a Rosemary aspectos de la búsqueda de justicia que no encontraba en los libros. Escuchar esas experiencias modificó su práctica y ayudó a definir las preguntas que seguiría haciéndose a lo largo de los años.


«Mi trabajo nunca fue, en realidad, solo sobre derecho.»

Hoy, entre las responsabilidades del despacho y de las empresas, procura reservarse un espacio sencillo: caminar. El hábito no nació como una nueva obligación de rendimiento, sino como una pausa en la que puede alejarse de las exigencias profesionales y volver a prestarse atención.


Durante esas caminatas suele escuchar audiolibros de autores como Napoleon Hill, Robert Greene y Neville Goddard. Son referentes que, según ella, amplían su mirada sobre la mentalidad y la vida interior. Después de tanto tiempo trabajando con la dimensión técnica de los problemas ajenos, valora ese momento en el que la reflexión no tiene que convertirse de inmediato en una solución para otra persona.


«Se trata de empezar el día con la mente un poco más alineada con quien quiero ser, antes de que cualquier urgencia del trabajo lo ocupe todo.»

El cambio también aparece en su manera de afrontar el cansancio. Al principio de la carrera, la duda y la falta de motivación solían generar todavía más autoexigencia. Hoy, Rosemary procura observar los pensamientos que alimenta y cómo reacciona ante las dificultades, en lugar de interpretar cada periodo de incertidumbre como una señal de debilidad profesional.


Ese cuidado de su propia perspectiva convive con la inquietud que la mantiene trabajando. La experiencia no ha reducido su interés por lo que todavía queda por hacer. Al contrario, le ha permitido ver cuántas mujeres permanecen fuera del alcance de la atención individual y cuántas formas de comunicación aún pueden explorarse.


«No se trata de acumular títulos, sino de no acomodarse nunca ante un problema que todavía no tiene una solución suficientemente buena.»

Por eso, el libro representa un logro, pero no un final. Reúne a la abogada, la empresaria, la madre y la mujer que ha aprendido a mirar con más atención el coste de sus decisiones. También reúne el conocimiento construido con clientas, mentores y su propia hija. Ninguna de esas contribuciones tiene que desaparecer para que su voz como autora tenga fuerza.


Cuando piensa en el siguiente paso, Rosemary vuelve a una pregunta que atraviesa su actividad y mantiene su trabajo abierto a quienes todavía no ha conseguido llegar.


«¿A qué mujer todavía no estoy llegando con lo que ofrezco?»

Fue esa pregunta la que llevó su trabajo más allá del despacho, hacia la comunicación, y encontró en la colaboración entre madre e hija una nueva posibilidad de respuesta. Ahora también da sentido a lo que Rosemary elige hacer con su propia experiencia, incluidas sus partes más difíciles.


No es posible recuperar los momentos que pasaron. Pero sí poner lo aprendido al servicio de las decisiones que otras mujeres aún tienen por delante.



Portada | Dra. Rosemary Rosa: Abogada, Empresaria y Escritora


Abogada, empresaria y escritora, la Dra. Rosemary Rosa transforma unos 25 años de experiencia en una reflexión sobre derechos, decisiones y el precio de los logros. Junto a su hija, Maryanna Rosa, amplía esta conversación en el libro Seus Direitos de Mulher.


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