Resultados de busca
39 resultados encontrados com uma busca vazia
- Capa | Juliana Pires: A Empresária que transformou coragem em legado
Versão em Português Juliana Pires não construiu uma trajetória de impacto por acaso. Sua história é daquelas que não se apoiam em efeitos, mas em consistência. Na capa desta edição da Revista Mentes que Brilham, ela surge como símbolo de uma inteligência que une disciplina, sensibilidade e coragem prática. Não a coragem ruidosa, performática, mas aquela que muda destinos de forma silenciosa e definitiva. Quando fala sobre o que considera uma carreira brilhante, Juliana não se refugia em símbolos externos de sucesso. Para ela, brilho tem menos a ver com visibilidade e mais com realização. Está na possibilidade de olhar para trás com paz, reconhecer a própria evolução e sentir orgulho não apenas de onde chegou, mas da transformação que causou ao longo do caminho. Essa visão ajuda a entender por que sua virada profissional foi tão decisiva. Depois de 27 anos atuando como Secretária Executiva em regime CLT, Juliana decidiu empreender. A mudança, em 2015, não foi apenas uma troca de função ou de mercado. Foi uma inflexão de identidade. Toda a experiência acumulada ao longo de décadas, antes colocada a serviço de grandes estruturas, passava agora a sustentar um projeto próprio, com riscos reais, exigências novas e um grau de exposição muito maior. “Naquele momento compreendi que toda a bagagem profissional que construí ao longo da vida seria utilizada para alavancar meu próprio sonho.” A frase resume bem a transição. Juliana não começou do zero. Ela começou do acúmulo. Da observação. Da técnica refinada no bastidor. Da maturidade de quem já conhecia a engrenagem dos negócios antes mesmo de assumir o próprio volante. Na carreira corporativa, ela se orgulha de ter participado de decisões importantes e de projetos de redução de custos expressivos. Havia ali eficiência, método e capacidade de execução. Mas foi no empreendedorismo que sua potência ganhou contornos mais autorais. Recuperar um salão praticamente falido e transformá-lo em uma empresa sólida, reconhecida diversas vezes como uma das melhores da região, exigiu mais do que competência administrativa. Exigiu visão, resiliência e uma leitura muito precisa de gente, mercado e tempo. Sobreviver à pandemia, manter a empresa em pé, sustentar uma operação robusta, gerar oportunidades para mais de 30 profissionais e disponibilizar mais de 160 serviços ao público não é apenas uma conquista de gestão. É prova de permanência. Em um país onde empreender já é, por si, um exercício de resistência, Juliana fez do negócio uma plataforma de dignidade, movimento e reconstrução. Mas sua história não é marcada apenas por resultados. Ela também foi lapidada por rupturas profundas. Ao falar sobre o maior desafio de sua trajetória, Juliana é direta ao nomear a traição como uma das experiências mais duras que viveu. E há algo de especialmente forte na maneira como ela elabora esse tema. Não existe amargura em excesso, nem vitimização. Existe consciência. A compreensão de que algumas das feridas mais difíceis não nascem do confronto declarado, mas da quebra de confiança. “O mais difícil é entender que, muitas vezes, não somos feridos por inimigos, mas por pessoas em quem confiávamos.” Essa percepção não a tornou cínica. Tornou-a mais criteriosa. Com o tempo, Juliana transformou dor em discernimento. Reviu estruturas, redesenhou relações profissionais e consolidou uma empresa mais enxuta, madura e coerente com os valores que decidiu preservar. Em vez de endurecer a própria essência, fortaleceu seus limites. Talvez por isso o sucesso, em sua leitura, não tenha alterado o que realmente importa. Ele trouxe reconhecimento, mas não deslocou sua base. Juliana permanece fiel à mesma ética de trabalho, aos mesmos princípios e à mesma forma de se colocar no mundo. Em sua trajetória, crescer nunca significou se descaracterizar. Essa coerência também aparece na forma como entende o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Sem romantizações, ela trata o tema como uma construção de fronteiras saudáveis. Desde jovem, aprendeu a preservar o ambiente de trabalho dos conflitos pessoais. Mais tarde, entendeu que o movimento inverso era igualmente necessário. Não levar o peso do trabalho para dentro de casa tornou-se, para ela, uma forma de proteger vínculos, afetos e a própria saúde emocional. Ainda assim, não há ingenuidade em sua narrativa. Juliana sabe que empreender cobra um preço. Ao assumir a direção de um salão de beleza, entendeu rapidamente que os dias mais valiosos para o negócio coincidiam justamente com os momentos em que a maioria das pessoas celebra a vida fora do trabalho. Sextas-feiras e sábados deixaram de ser sinônimo de convívio social. Vieram as ausências em festas, aniversários, casamentos e até em ocasiões familiares importantes. Vieram também as renúncias mais íntimas, aquelas que tocam a maternidade e a vida conjugal. “Empreender exige tempo, dedicação e renúncias.” O peso dessa frase está no que ela não dramatiza. Juliana reconhece as concessões que precisou fazer, mas olha para elas com honestidade e maturidade. Hoje, o orgulho da família pela mulher que ela se tornou ajuda a dar sentido ao que, em algum momento, foi sacrifício. No cotidiano, porém, sua força não se expressa apenas no ambiente de negócios. Existe delicadeza em sua forma de existir. Juliana procura viver com leveza, sorri muito, evita se contaminar por pensamentos negativos e escolhe enxergar desafios como oportunidades de crescimento. Essa disposição interna não é acessória. Ela é parte da engenharia emocional que sustenta sua permanência. Há ainda um traço especialmente comovente em sua rotina: o crochê feito para doação. Juliana produz mantas, gorros e saídas de maternidade destinados a maternidades e instituições. O gesto, que poderia parecer pequeno aos olhos apressados, diz muito sobre quem ela é. Em um tempo em que tanta gente associa realização apenas à expansão pessoal, ela preserva o impulso de servir. A ação social não entra em sua vida como extensão de imagem. Ela nasce da essência. Suas referências também ajudam a revelar a singularidade de sua construção. A primeira grande influência foi sua mãe, uma mulher com pouca instrução formal, mas com enorme inteligência prática. Costureira, organizada e visionária, ela administrava clientes, finanças e rotina com uma lógica que hoje seria facilmente traduzida pelos vocabulários da gestão moderna. Juliana aprendeu cedo que excelência não depende, necessariamente, de formalidade. Muitas vezes, nasce da observação, do rigor silencioso e da sabedoria aplicada na vida real. Mais tarde, vieram os grandes CEOs com quem trabalhou. Juliana observava de perto suas atitudes, seus critérios, suas decisões. Aprendeu com o que admirava e, com igual atenção, registrou aquilo que jamais gostaria de repetir. Esse filtro ético, quase artesanal, parece ter sido uma das chaves mais importantes de sua formação. Ela não apenas acumulou referências. Ela escolheu cuidadosamente o que permitiria permanecer dentro de si. Sua motivação continua sendo movida por sonhos. Não sonhos vazios, usados como ornamento de discurso, mas sonhos entendidos como direção. Há pessoas que, ao conquistar estabilidade, desaceleram o desejo. Juliana parece operar ao contrário. Cada etapa vencida reorganiza o horizonte e abre espaço para um próximo passo, uma nova meta, um novo propósito. Quando fala sobre propósito na carreira, oferece um conselho curto e preciso, daqueles que condensam experiência verdadeira: "Ouvir o coração, mas tomar decisões com a mente". Poucas frases traduzem tão bem sua personalidade. Há emoção, mas há método. Há sensibilidade, mas há lucidez. E talvez seja justamente essa combinação que faça sua trajetória soar tão íntegra. Nos períodos de dúvida, cansaço ou falta de motivação, ela não recorre ao disfarce da invulnerabilidade. Juliana se permite ser humana. Reconhece que tristeza, exaustão e incerteza fazem parte da vida, e que nenhum sentimento é permanente. Essa relação madura com a própria fragilidade lhe dá estabilidade. Em vez de negar o peso dos dias difíceis, ela os atravessa. A felicidade, por sua vez, nunca esteve condicionada a uma fase ideal. Juliana aprendeu cedo que ela não depende de perfeição, nem de conforto absoluto. Foi feliz em diferentes cenários, em realidades distintas, em ciclos mais modestos e em fases mais prósperas. Essa visão confere profundidade à sua história, porque mostra que sua força não nasceu apenas da conquista, mas da forma como decidiu viver cada etapa. Se pudesse voltar no tempo, a mensagem que deixaria para sua versão do início da jornada não seria um alerta, nem uma correção de rota. Seria um reconhecimento. Uma espécie de abraço atravessando os anos. E talvez resida aí a beleza mais rara de sua história: Juliana Pires não construiu apenas uma carreira admirável. Construiu uma vida que, ao ser revisitada, merece orgulho da própria autora. Na paisagem de trajetórias que brilham por alguns instantes e logo se apagam, a dela permanece. Não porque grita. Mas porque ilumina. Artigo: Capa | Juliana Pires: A Empresária que transformou coragem em legado Instagram: Juliana Pires Juliana Souza Pires é formada em economia, administração de empresas, gestão de pessoas e empresária da beleza com o Espaço Bela Morumbi na Vila Andrade, São Paulo. É casada, mãe de dois filhos, uma empreendedora por amor e se dedica também em ações em áreas sociais. English version Cover | Juliana Pires: The Entrepreneur Who Turned Courage into Legacy Juliana Pires did not build a life of impact by chance. Hers is not a story shaped by spectacle, but by consistency. On the cover of this issue of Mentes que Brilham, she stands as a symbol of a kind of intelligence that blends discipline, sensitivity, and practical courage, not the loud, performative kind, but the quiet force that changes lives in lasting ways. When asked what defines a brilliant career, Juliana doesn’t point to external markers of success. For her, brilliance is less about visibility and more about fulfillment. It lies in the ability to look back with peace, to recognize personal growth, and to feel proud not only of where you’ve arrived, but of the transformation you created along the way. That mindset helps explain the significance of her professional turning point. After 27 years working as an executive assistant, Juliana chose to become an entrepreneur. The shift, in 2015, was more than a career move—it was an identity transformation. Decades of experience, once dedicated to supporting large organizations, were now redirected toward building something of her own, with real risks, new demands, and far greater exposure. “In that moment, I realized that everything I had built professionally would now serve to elevate my own dream.” Juliana didn’t start from scratch. She started from accumulation—of knowledge, observation, and refined expertise developed behind the scenes. She brought with her the maturity of someone who already understood the mechanics of business long before taking the wheel herself. In her corporate career, she takes pride in contributing to major decisions and impactful cost-reduction projects. There was efficiency, structure, and execution. But entrepreneurship gave her work a more personal dimension. Reviving a nearly bankrupt beauty salon and turning it into a thriving, award-winning business required more than operational skill—it demanded vision, resilience, and a sharp understanding of people, timing, and market dynamics. Surviving the pandemic, sustaining a robust operation, creating opportunities for more than 30 professionals, and offering over 160 services is more than a management achievement—it’s proof of endurance. In a country where entrepreneurship itself is an act of resilience, Juliana transformed her business into a platform for dignity, momentum, and rebuilding. Her story, however, is not defined by results alone. It has also been shaped by deep personal ruptures. When speaking about her greatest challenge, Juliana is candid in naming betrayal as one of the hardest experiences she has faced. What stands out is not bitterness, but clarity—the understanding that some of the deepest wounds come not from open conflict, but from broken trust. “The hardest part is realizing that we are often hurt not by enemies, but by people we trusted.” That realization didn’t make her cynical—it made her more discerning. Over time, she turned pain into clarity, reassessing structures, redefining professional relationships, and building a leaner, more aligned company. Instead of hardening her essence, she strengthened her boundaries. Perhaps that’s why success hasn’t altered what matters most. It brought recognition, but didn’t shift her foundation. Juliana remains grounded in the same work ethic, principles, and way of showing up in the world. In her journey, growth has never meant losing herself. This coherence also extends to how she approaches work-life balance. Without romanticizing it, she treats it as the deliberate construction of healthy boundaries. Early on, she learned to keep personal struggles out of the workplace. Later, she realized the reverse was just as important—protecting her home from the weight of work became essential to preserving relationships and emotional well-being. Still, she is clear-eyed about the cost of entrepreneurship. Running a beauty business meant that her busiest days aligned with moments when most people were off celebrating life. Fridays and Saturdays became workdays. There were missed parties, birthdays, weddings—even meaningful family moments. There were also more intimate sacrifices, touching on motherhood and marriage. “Entrepreneurship demands time, dedication, and sacrifice.” There is weight in what she chooses not to dramatize. Juliana acknowledges what she gave up with honesty and maturity. Today, her family’s pride in who she has become gives meaning to what was once sacrifice. In her daily life, her strength is balanced by a quiet lightness. She smiles easily, avoids dwelling on negativity, and chooses to see challenges as opportunities for growth. This mindset is not incidental—it is part of the emotional framework that sustains her. There is also a deeply human gesture woven into her routine: crocheting items for donation. Juliana creates blankets, hats, and newborn sets for hospitals and institutions. What might seem small reveals something essential. In a time when success is often measured by personal gain, she preserves a genuine impulse to serve. Her earliest influence was her mother—a woman with little formal education but remarkable practical intelligence. Organized, resourceful, and forward-thinking, she managed clients and finances with a logic that today would be recognized as modern management. Juliana learned early that excellence does not depend on credentials—it often emerges from observation, discipline, and lived wisdom. Later came the CEOs she worked alongside. She observed their decisions, values, and behaviors closely—learning both what to emulate and what to avoid. This careful filtering became a cornerstone of her development. Her motivation continues to be driven by dreams—not as empty rhetoric, but as direction. Each milestone expands her horizon, opening space for new goals and renewed purpose. When asked about purpose, her advice is concise and revealing: “Listen to your heart, but make decisions with your mind.” It captures her essence—emotion guided by clarity, sensitivity grounded in reason. In moments of doubt or exhaustion, Juliana does not pretend invulnerability. She allows herself to be human, recognizing that sadness and uncertainty are part of life—and that no feeling is permanent. This mature relationship with vulnerability gives her stability. Happiness, for her, has never depended on perfect conditions. She has found it across different phases, realities, and circumstances. Her strength comes not only from what she achieved, but from how she chose to live each stage. If she could speak to her younger self, it wouldn’t be to warn or correct—it would be to acknowledge. A quiet embrace across time. And perhaps that is the rarest beauty of her story: Juliana Pires didn’t just build an admirable career. She built a life she can look back on with pride. In a landscape where many stories shine briefly and fade, hers endures—not because it demands attention, but because it illuminates. Instagram: Juliana Pires Versión en Español Portada | Juliana Pires: La empresaria que transformó el coraje en legado Juliana Pires no construyó una trayectoria de impacto por azar. La suya no es una historia sostenida por efectos, sino por consistencia. En la portada de este número de Mentes que Brilham, aparece como símbolo de una inteligencia que combina disciplina, sensibilidad y un coraje práctico: no el ruidoso o performativo, sino el que transforma destinos de manera silenciosa y definitiva. Cuando habla de lo que considera una carrera brillante, Juliana no recurre a símbolos externos de éxito. Para ella, el brillo tiene menos que ver con la visibilidad y más con la realización. Está en la capacidad de mirar atrás con serenidad, reconocer la propia evolución y sentir orgullo no solo por el lugar alcanzado, sino por la transformación generada en el camino. Esa visión explica la importancia de su giro profesional. Tras 27 años como secretaria ejecutiva, decidió emprender. El cambio, en 2015, no fue solo laboral, sino identitario. Toda la experiencia acumulada durante décadas dejó de estar al servicio de grandes estructuras para sostener un proyecto propio, con riesgos reales, nuevas exigencias y mayor exposición. “En ese momento comprendí que toda mi trayectoria profesional serviría para impulsar mi propio sueño.” Juliana no empezó desde cero. Empezó desde la acumulación: de conocimiento, de observación, de técnica afinada entre bastidores. Llegó con la madurez de quien ya entendía el funcionamiento de los negocios antes de dirigir los suyos. En su etapa corporativa, destaca su participación en decisiones relevantes y proyectos de optimización de costes. Había método, eficiencia y ejecución. Pero fue en el emprendimiento donde su potencial adquirió un carácter más propio. Recuperar un salón prácticamente en quiebra y convertirlo en una empresa sólida y reconocida exigió más que capacidad de gestión: requirió visión, resiliencia y una lectura precisa del mercado y de las personas. Superar la pandemia, sostener una operación robusta, generar empleo para más de 30 profesionales y ofrecer más de 160 servicios no es solo un logro empresarial: es una prueba de permanencia. En un entorno donde emprender ya implica resistencia, Juliana convirtió su negocio en una plataforma de dignidad y reconstrucción. Sin embargo, su historia no se define únicamente por resultados. También está marcada por rupturas profundas. Al hablar de su mayor desafío, menciona la traición como una de las experiencias más duras de su vida. Y lo hace sin dramatismo ni victimismo, con una lucidez que destaca: algunas de las heridas más profundas no nacen del conflicto abierto, sino de la ruptura de la confianza. “Lo más difícil es entender que muchas veces no nos hieren los enemigos, sino personas en las que confiábamos.” Lejos de volverla cínica, esta experiencia la hizo más selectiva. Transformó el dolor en criterio, revisó estructuras, redefinió relaciones y consolidó una empresa más coherente con sus valores. No endureció su esencia; fortaleció sus límites. Quizá por eso el éxito no ha alterado lo esencial. Ha traído reconocimiento, pero no ha desplazado su base. Juliana se mantiene fiel a sus principios, a su ética de trabajo y a su manera de estar en el mundo. Crecer, en su caso, nunca ha significado dejar de ser quien es. Esta coherencia también se refleja en su forma de entender el equilibrio entre vida personal y profesional. Sin idealizaciones, lo concibe como una construcción consciente de límites saludables. Aprendió pronto a no mezclar lo personal con el trabajo y, con el tiempo, entendió que la reciprocidad era igual de necesaria. Aun así, no hay ingenuidad en su relato. Emprender tiene un coste. En su sector, los momentos de mayor actividad coinciden con el tiempo libre de la mayoría. Viernes y sábados dejaron de ser sociales. Hubo ausencias, renuncias y sacrificios personales. “Emprender exige tiempo, dedicación y renuncias.” Juliana asume esas decisiones con honestidad. Hoy, el orgullo de su familia da sentido a aquello que en su momento implicó sacrificio. En su día a día, combina fortaleza con ligereza. Evita la negatividad, sonríe con frecuencia y entiende los desafíos como oportunidades de crecimiento. Esta actitud forma parte de su estructura emocional. Hay, además, un gesto especialmente revelador: el crochet que realiza para donar a hospitales e instituciones. Más allá de lo simbólico, habla de una vocación de servicio auténtica. Su primera gran influencia fue su madre, una mujer con poca formación académica, pero con una inteligencia práctica extraordinaria. De ella aprendió que la excelencia no siempre nace de la teoría, sino de la observación y la disciplina. Más adelante, los líderes con los que trabajó contribuyeron a su formación. Observó, filtró y eligió cuidadosamente qué valores integrar. Su motivación sigue anclada en los sueños, entendidos como dirección. Cada logro abre un nuevo horizonte. Cuando habla de propósito, lo resume con claridad: “Escuchar al corazón, pero decidir con la mente.” En esa frase conviven emoción y criterio, sensibilidad y lucidez. En los momentos difíciles, no pretende ser invulnerable. Acepta la tristeza y la incertidumbre como parte de la vida. Esa relación honesta con la fragilidad le aporta estabilidad. La felicidad, para ella, nunca ha dependido de circunstancias perfectas. Ha sabido encontrarla en distintas etapas. Su fortaleza reside tanto en lo que ha logrado como en cómo ha vivido. Si pudiera hablar con su yo del pasado, no sería para corregir, sino para reconocer. Un gesto de respeto hacia su propia historia. Y ahí reside la verdadera singularidad de su trayectoria: Juliana Pires no solo ha construido una carrera admirable, sino una vida que merece ser contemplada con orgullo. En un mundo donde muchas historias brillan brevemente y se apagan, la suya permanece. No porque haga ruido, sino porque ilumina. Instagram: Juliana Pires
- O Preço do Que Você Evita Dizer por Henry Ayres
Há uma frase do Tim Ferriss que, quanto mais você reflete, mais impacto ela causa, de forma positiva. Ele diz que o sucesso de uma pessoa pode ser medido, pelo número de conversas desconfortáveis que ela está disposta a ter. Porque a maioria de nós passa anos construindo estratégias sofisticadas para não ter essas conversas. Aprendemos a rodeá-las com gentileza excessiva, adiá-las com desculpas válidas, ou simplesmente deixar que o silêncio resolva, o que ele nunca resolve. O silêncio não resolve. Ele apenas acumula. O Desconforto Como Bússola Pense nas últimas grandes mudanças da sua vida. A promoção que você pediu, o relacionamento que você encerrou, a sociedade que você desfez, o feedback honesto que você finalmente deu (ou recebeu). Todas essas viradas têm algo em comum: vieram depois de uma conversa que você não queria ter. Você estava com o coração acelerado. Talvez a voz tenha tremido. Mas você falou. Ferriss não está romantizando o conflito pelo conflito. Ele está apontando para algo mais preciso: a disposição de encarar o desconforto relacional é um músculo e, como todo músculo, ele cresce com o exercício ou atrofia com a falta dele. Líderes que constroem equipes de alta performance não são os que evitam tensão. São os que a atravessam com clareza e cuidado. Parceiros que constroem relacionamentos duradouros não são os que nunca brigam. São os que aprenderam a dizer verdades difíceis sem usar a verdade como arma. O Custo do Silêncio Estratégico Há um paradoxo cruel no evitamento: achamos que estamos preservando algo, a harmonia, o vínculo, a paz, mas estamos, na verdade, corroendo exatamente isso. Cada conversa evitada vira uma parede invisível. Com o tempo, você olha ao redor e percebe que está cercado por pessoas com quem nunca foi de verdade honesto. Isso não é intimidade. É administração de imagens. No mundo profissional, o custo é ainda mais tangível. Projetos que fracassam porque ninguém quis dizer que a estratégia estava errada. Talentos que pedem demissão porque nunca receberam um feedback real. Parcerias que se dissolvem porque um problema pequeno, que cabia numa conversa de dez minutos, foi deixado para depois por meses, até virar algo irreparável. Coragem não é ausência de Medo A beleza da filosofia de Ferriss é que ela não exige que você seja corajoso por natureza. Ela apenas pede que você seja honesto sobre o que está evitando e que comece a encarar isso como dado de desempenho pessoal. Quantas conversas você evitou essa semana? Esse mês? Não as desnecessárias, as que seriam só ruído. As que importam. As que, se você tivesse tido, teriam mudado algo. O sucesso, nesse sentido, não é sobre talento ou timing ou sorte, embora todos esses contem. É sobre a sua capacidade de sentar diante do desconforto, respirar fundo, e dizer o que precisa ser dito. Com respeito. Com intenção. Com a consciência de que o outro lado da conversa difícil, quase sempre, é onde a vida real começa. A pergunta não é se você sabe o que precisa ser dito. Você sabe. A pergunta é: quando você vai dizer? Artigo: O Preço do Que Você Evita Dizer por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca, Conteúdo e Digital na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Capa | Dra. Julia Cassab: Advogada, Palestrante e Autora do livro "Elas Pagam Duas Vezes"
Dra. Julia Cassab Versão em Português Existe um tipo de brilho que não vem dos holofotes. Vem da clareza de quem sabe exatamente por que faz o que faz. É esse o brilho que irradia de Julia Cassab, advogada criminalista, palestrante, autora e capa dessa edição da Revista Mentes que Brilham. Uma mulher que poderia ter se contentado em exercer a profissão com competência técnica, acumular processos e construir uma carreira sólida dentro dos padrões convencionais do Direito. Mas ela escolheu mais. Escolheu comunicar. "Para mim, uma carreira brilhante não tem relação apenas com reconhecimento ou números. Tem a ver com impacto", ela diz, com a segurança de quem chegou a essa conclusão depois de muita vivência, não de um insight fácil. "É conseguir exercer a profissão sem perder a humanidade no caminho." Humanidade. A palavra aparece cedo na conversa e não sai mais. É ela que sustenta toda a trajetória de Julia: a escolha pelos temas que outros evitam, a forma como fala sobre violência e encarceramento feminino, a decisão de transformar o incômodo em livro, palestra, podcast e, agora, em um escritório próprio. Tudo isso nasce de uma convicção que ela não negocia: o Direito precisa chegar onde as pessoas estão, não esperar que as pessoas o encontrem. A Voz Que o Tribunal Não Caberia Julia Cassab atua na área criminal, um universo que ela mesma descreve como duro, competitivo e ainda muito masculino. Ela aprendeu, à força de experiência, que firmeza e sensibilidade não são opostos. "Aprendi que autenticidade é uma força enorme. Hoje eu não tento performar uma versão de mim que esperam ver. Eu trabalho sendo exatamente quem eu sou." Esse posicionamento ganhou contornos ainda mais nítidos quando ela decidiu falar publicamente sobre temas como violência psicológica, sistema prisional feminino e gênero de forma acessível, sem abrir mão do rigor técnico. O resultado foi uma audiência que cresceu além das fronteiras do meio jurídico: pessoas comuns, mulheres que se identificaram, profissionais de outras áreas que finalmente encontraram uma linguagem para entender questões que sempre as tocaram. "Quando percebi que aquilo gerava identificação e discussão real, entendi que esse era o meu caminho", ela conta. E não foi apenas uma percepção abstrata. Em uma palestra sobre seu livro, ao final da apresentação, cerca de seis pessoas perguntaram por que ela ainda não era vereadora. Julia achou graça, mas reconhece o peso simbólico do momento. "Aquilo mostrava que as pessoas estavam se conectando comigo, com a forma como eu falo e com as pautas que eu defendo. E isso, para mim, vale muito." Elas Pagam Duas Vezes: Quando a Inquietação Vira Literatura Se existe uma obra que sintetiza quem Julia Cassab é como profissional e como ser humano, é seu primeiro livro. Elas Pagam Duas Vezes nasceu de uma pergunta que não a deixava em paz: por que tantas mulheres continuam sendo punidas mesmo depois de cumprir a pena? O estigma social, o abandono afetivo, a dificuldade de recomeçar, tudo isso compõe uma segunda condenação silenciosa, invisível para o sistema e devastadora para quem a vive. "Ver esse tema ganhando espaço, chegando em pessoas fora do meio jurídico e abrindo debates importantes me dá muito orgulho", ela afirma. O livro se tornou, de certa forma, um cartão de visitas que ultrapassa a advocacia. É uma declaração de princípios sobre o tipo de profissional e de mulher que Julia decidiu ser. E o segundo livro já está em andamento. Desta vez, o tema é violência psicológica, uma das formas mais silenciosas e devastadoras de abuso, que ainda carece de compreensão pública. Para o prefácio, ela convidou a Dra. Mariana Covre, referência nas áreas de compliance e gênero, e o convite carrega uma história bonita por trás. "Lembro que ela comentou em uma publicação minha no LinkedIn e aquilo me marcou muito, porque era exatamente o tipo de mulher e profissional que eu admirava e buscava me tornar: independente, técnica e com posicionamento." Hoje, essa admiração se transformou em parceria. A Mulher por Trás da Advogada Perguntar a Julia sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional é abrir uma conversa honesta e sem receitas prontas. Ela não acredita em harmonia perfeita. Acredita em fases, em intenção e, principalmente, em limites. "Aprendi que preciso cuidar de mim para conseguir cuidar do resto." O esporte ocupa um lugar central nessa construção. A corrida e o boxe não são apenas hábitos saudáveis: são ferramentas de saúde mental. "O boxe tem um efeito terapêutico enorme para mim. Muitas vezes, uma hora de treino vale tanto quanto uma hora de terapia." Ela diz isso sem romantismo, com a clareza de quem testou na pele. Ao redor dela, uma rede de afeto que também sustenta a trajetória. Seus pais, que sempre fizeram seu "marketing" para as pessoas do convívio deles mesmo sem entender nada de Direito, e cujo orgulho em cada conquista a emociona. O marido, seu maior incentivador, aquele que acredita primeiro em cada projeto novo, seja um livro, uma palestra ou o escritório que ela está abrindo agora. "Em cada ideia que eu tenho, ele sempre acredita primeiro e me impulsiona a continuar crescendo." Dra Julia Cassab e Marcelo Cassab O Que Ainda Está Por Vir Julia Cassab está, neste momento, em um dos períodos mais férteis da carreira. Abrindo seu escritório. Escrevendo o segundo livro. Desenvolvendo um podcast que nasce da mesma vocação que move tudo o mais: ampliar conversas, dar voz a histórias que não encontram espaço de escuta. "Tenho muita vontade de continuar construindo projetos que misturem Direito, comunicação e impacto social de uma forma acessível e humana." Quando pedimos que deixe uma mensagem para quem está no início da jornada, ela não hesita. "Não tenha tanta pressa e não duvide tanto de si mesma. Algumas coisas levam tempo para amadurecer, inclusive a própria confiança. E, principalmente, continue ocupando espaços sem pedir desculpas por existir neles." É uma frase que poderia muito bem ser o subtítulo da sua própria história. Uma mulher que parou de pedir desculpas, decidiu ocupar espaço e, no caminho, ajudou outras mulheres a entenderem que elas também podem. Artigo: Capa | Dra. Julia Cassab: Advogada, Palestrante e Autora do livro "Elas Pagam Duas Vezes" Dra. Julia Cassab Advogada criminalista, palestrante e autora do livro Elas Pagam Duas Vezes, obra que expõe a dupla punição enfrentada por mulheres após o cumprimento de pena: o estigma social, o abandono e a dificuldade de recomeçar. Referência na interseção entre Direito, gênero e comunicação, Julia se destaca por traduzir temas complexos como violência psicológica e encarceramento feminino em debates acessíveis e de impacto real. Está à frente do seu próprio escritório e desenvolve novos projetos, incluindo seu segundo livro, sobre violência psicológica, e um podcast dedicado a ampliar vozes e histórias silenciadas. Acredita que o Direito só cumpre seu papel quando chega às pessoas. English version Cover | Dr. Julia Cassab: Attorney, Speaker, and Author of "They Pay Twice" There is a kind of brilliance that has nothing to do with the spotlight. It comes from the clarity of someone who knows exactly why she does what she does. That is the brilliance that radiates from Julia Cassab, criminal defense attorney, speaker, author, and cover subject of this edition of Mentes que Brilham magazine. She could have settled for technical excellence, built a respectable caseload, and carved out a solid career within the conventional boundaries of law. Instead, she chose something more. She chose to communicate. "For me, a brilliant career isn't just about recognition or numbers. It's about impact," she says, with the quiet confidence of someone who arrived at that conclusion through experience, not inspiration. "It's about practicing law without losing your humanity along the way." Humanity. The word surfaces early in the conversation and never really leaves. It underpins everything Julia has built: her choice to take on the subjects others avoid, her willingness to speak openly about violence and women's incarceration, her decision to turn discomfort into a book, a lecture series, a podcast, and now her own firm. All of it flows from one conviction she refuses to negotiate: the law must meet people where they are, not wait for people to find it. The Voice the Courtroom Couldn't Contain Criminal law is a world Julia herself describes as tough, competitive, and still largely male-dominated. Over time, she learned that strength and sensitivity are not opposites. "I learned that authenticity is a tremendous force. I no longer try to perform a version of myself that others expect to see. I do this work being exactly who I am." That clarity became even sharper when she began speaking publicly about psychological violence, the female prison system, and gender issues in accessible terms, without sacrificing legal precision. The result was an audience that grew well beyond legal circles: everyday people, women who saw themselves in her words, professionals from entirely different fields who finally found a language for issues that had always moved them. "When I realized that what I was saying was generating real identification and real debate, I understood this was my path," she recalls. At a book talk, after her presentation, about six people asked why she wasn't already serving in city council. She laughed it off, but the symbolism wasn't lost on her. "It showed me that people were connecting with me, with the way I speak, with the issues I stand for. And that means everything." They Pay Twice: When Restlessness Becomes Literature If there is a single work that captures who Julia Cassab is, both as a professional and as a person, it is her debut book. They Pay Twice was born from a question that wouldn't let her go: why do so many women continue to be punished even after serving their sentences? The social stigma, the abandonment, the near-impossible task of starting over — all of it amounts to a second, silent conviction, invisible to the system and devastating to those who live it. "Seeing this subject gain traction, reaching people outside the legal world, and opening up real conversations fills me with pride," she says. The book became, in many ways, a statement of purpose that transcends her legal practice. It is a declaration of the kind of professional and woman she decided to be. A second book is already underway, this time focused on psychological violence, one of the most insidious and least understood forms of abuse. For the foreword, she invited Dr. Mariana Covre, a leading voice in compliance and gender studies — a choice that carries a meaningful backstory. "I remember she commented on a LinkedIn post of mine and it stayed with me, because she was exactly the kind of woman and professional I admired and aspired to become: independent, technically sharp, and outspoken." That admiration has since grown into a genuine partnership. The Woman Behind the Attorney Asking Julia about work-life balance opens an honest conversation with no easy answers. She doesn't believe in perfect harmony. She believes in seasons, in intention, and above all, in boundaries. "I've learned that I need to take care of myself in order to take care of everything else." Sports play a central role in that equation. Running and boxing are not just healthy habits; they are tools for mental health. "Boxing has an enormous therapeutic effect on me. Sometimes one hour of training is worth as much as one hour of therapy." She says it plainly, without sentimentality, the way someone speaks when they know it from the inside out. Around her, a network of people who make the journey possible. Her parents, who always championed her work to everyone in their circle even though they come from entirely different fields, and whose pride in every milestone moves her deeply. And her husband, her greatest supporter, the one who believes in every new project before anyone else does, whether it's a book, a lecture, or the firm she is building right now. "In every idea I have, he always believes first and pushes me to keep growing." What Comes Next Julia Cassab is, at this moment, in one of the most generative seasons of her career. Opening her firm. Writing her second book. Developing a podcast born from the same calling that drives everything else: expanding conversations, giving voice to stories that rarely find a space to be heard. "I have a deep desire to keep building projects that bring together law, communication, and social impact in ways that are human and accessible." When we asked her what she would say to someone just starting out, she didn't hesitate. "Don't be in such a rush, and don't doubt yourself so much. Some things take time to mature — including confidence. And above all, keep taking up space without apologizing for being there." It could easily be the subtitle of her own story. A woman who stopped apologizing, decided to take up space, and along the way helped other women understand that they can too. Dra. Julia Cassab Criminal defense attorney, speaker, and author of They Pay Twice, a work that exposes the double punishment faced by women after serving their sentences: social stigma, abandonment, and the struggle to start over. A leading voice at the intersection of law, gender, and communication, she translates complex issues such as psychological violence and women's incarceration into accessible, high-impact conversations. She leads her own firm and is currently working on her second book and a podcast dedicated to amplifying silenced stories. She believes the law only fulfills its purpose when it reaches people. Versión en Español Portada | Dra. Julia Cassab: Abogada, Conferencista y Autora de Ellas Pagan Dos Veces Existe un tipo de brillo que no proviene de los focos. Nace de la claridad de quien sabe exactamente por qué hace lo que hace. Ese es el brillo que irradia Julia Cassab, abogada penalista, conferencista, autora y protagonista de la portada de esta edición de la Revista Mentes que Brilham. Una mujer que podría haberse conformado con ejercer la profesión con solvencia técnica, acumular expedientes y construir una carrera sólida dentro de los cauces convencionales del Derecho. Pero ella eligió más. Eligió comunicar. "Para mí, una carrera brillante no tiene que ver únicamente con el reconocimiento o con los números. Tiene que ver con el impacto", afirma, con la serenidad de quien llegó a esa conclusión a través de la experiencia vivida, no de una revelación fácil. "Es poder ejercer la profesión sin perder la humanidad en el camino." Humanidad. La palabra aparece pronto en la conversación y ya no se va. Es ella la que sostiene toda la trayectoria de Julia: la elección de los temas que otros evitan, la forma en que habla de violencia y de encarcelamiento femenino, la decisión de transformar la incomodidad en un libro, en conferencias, en un podcast y, ahora, en un despacho propio. Todo ello nace de una convicción que no está dispuesta a negociar: el Derecho debe ir donde están las personas, no esperar a que las personas lo encuentren. La Voz que los Tribunales No Podían Contener Julia Cassab trabaja en el ámbito penal, un mundo que ella misma describe como duro, competitivo y todavía muy masculino. Con el tiempo, aprendió que firmeza y sensibilidad no son incompatibles. "Aprendí que la autenticidad es una fuerza enorme. Hoy no intento representar una versión de mí misma que los demás esperan ver. Trabajo siendo exactamente quien soy." Ese posicionamiento se hizo aún más nítido cuando decidió hablar públicamente sobre violencia psicológica, el sistema penitenciario femenino y la perspectiva de género de manera accesible, sin renunciar al rigor técnico. El resultado fue una audiencia que creció mucho más allá del ámbito jurídico: personas corrientes, mujeres que se reconocieron en sus palabras, profesionales de otros campos que por fin encontraron un lenguaje para entender cuestiones que siempre les habían concernido. "Cuando me di cuenta de que aquello generaba identificación y debate real, comprendí que ese era mi camino", recuerda. No fue solo una percepción abstracta. En una conferencia sobre su libro, al terminar la presentación, unas seis personas le preguntaron por qué todavía no era concejala. Julia lo tomó con humor, pero reconoce el peso simbólico del momento. "Aquello me demostraba que la gente se estaba conectando conmigo, con la forma en que hablo y con las causas que defiendo. Y eso, para mí, vale mucho." Ellas Pagan Dos Veces: Cuando la Inquietud se Convierte en Literatura Si existe una obra que sintetiza quién es Julia Cassab como profesional y como persona, es su primer libro. Ellas Pagan Dos Veces nació de una pregunta que no le daba reposo: ¿por qué tantas mujeres siguen siendo castigadas incluso después de cumplir su condena? El estigma social, el abandono afectivo, la dificultad de recomenzar: todo ello conforma una segunda condena silenciosa, invisible para el sistema y devastadora para quienes la padecen. "Ver que este tema gana espacio, que llega a personas ajenas al mundo jurídico y abre debates importantes, me llena de orgullo", asegura. El libro se convirtió, en cierta medida, en una tarjeta de presentación que trasciende la abogacía. Es una declaración de principios sobre el tipo de profesional y de mujer que Julia decidió ser. Y el segundo libro ya está en marcha. Esta vez, el tema es la violencia psicológica, una de las formas de abuso más silenciosas y devastadoras, que todavía no recibe la comprensión pública que merece. Para el prólogo, invitó a la Dra. Mariana Covre, referente en las áreas de cumplimiento normativo y género, y esa invitación guarda una historia entrañable. "Recuerdo que ella comentó una publicación mía en LinkedIn y aquello me marcó profundamente, porque era exactamente el tipo de mujer y de profesional que yo admiraba y aspiraba a convertirme: independiente, técnica y con posicionamiento propio." Hoy, esa admiración se ha transformado en una alianza genuina. La Mujer Detrás de la Abogada Preguntarle a Julia por el equilibrio entre vida personal y profesional es iniciar una conversación honesta, sin fórmulas ni soluciones prefabricadas. Ella no cree en la armonía perfecta. Cree en las etapas, en la intención y, sobre todo, en los límites. "Aprendí que necesito cuidarme a mí misma para poder cuidar lo demás." El deporte ocupa un lugar central en esa construcción. La carrera y el boxeo no son simples hábitos saludables: son herramientas de salud mental. "El boxeo tiene un efecto terapéutico enorme en mí. Muchas veces, una hora de entrenamiento vale tanto como una hora de terapia." Lo dice sin romantismo, con la claridad de quien lo ha comprobado en carne propia. A su alrededor, una red de afecto que también sostiene la trayectoria. Sus padres, que siempre han hecho su "marketing" entre sus conocidos sin entender nada de Derecho, y cuyo orgullo en cada logro la emociona profundamente. Su marido, su mayor impulsor, el primero en creer en cada nuevo proyecto, ya sea un libro, una conferencia o el despacho que ahora está poniendo en marcha. "En cada idea que tengo, él siempre cree primero y me impulsa a seguir creciendo." Lo que Está por Venir Julia Cassab se encuentra, en este momento, en uno de los periodos más fértiles de su carrera. Abriendo su despacho. Escribiendo su segundo libro. Desarrollando un podcast que nace de la misma vocación que mueve todo lo demás: ampliar conversaciones, dar voz a historias que pocas veces encuentran un espacio donde ser escuchadas. "Tengo muchas ganas de seguir construyendo proyectos que combinen Derecho, comunicación e impacto social de una manera accesible y humana." Cuando le pedimos que dejara un mensaje para quien está empezando, no dudó un instante. "No tengas tanta prisa y no dudes tanto de ti misma. Algunas cosas necesitan tiempo para madurar, incluida la propia confianza. Y, sobre todo, sigue ocupando espacios sin pedir disculpas por estar en ellos." Podría ser perfectamente el subtítulo de su propia historia. Una mujer que dejó de pedir disculpas, decidió ocupar su lugar y, en el camino, ayudó a otras mujeres a entender que ellas también pueden hacerlo. Dra. Julia Cassab Abogada penalista, conferencista y autora de Ellas Pagan Dos Veces, una obra que expone el doble castigo que enfrentan las mujeres tras cumplir condena: el estigma social, el abandono y la dificultad de recomenzar. Referente en la intersección entre Derecho, género y comunicación, destaca por traducir temas complejos como la violencia psicológica y el encarcelamiento femenino en debates accesibles y de impacto real. Está al frente de su propio despacho y trabaja en nuevos proyectos, entre ellos su segundo libro y un podcast dedicado a amplificar voces e historias silenciadas. Cree que el Derecho solo cumple su función cuando llega a las personas.
- A Clareza como ato de Coragem por Henry Ayres
Existe uma frase de Peggy Noonan que me persegue há anos, do jeito bom, sabe? Aquele tipo de ideia que você carrega na cabeça sem perceber, e que aparece toda vez que você está prestes a complicar o que poderia ser simples. Ela diz: "As pessoas lembram da clareza, não da inteligência." Na primeira vez que li, achei quase injusto. Tantos anos estudando, acumulando referências, construindo argumentos com camadas, e o que fica? O que é fácil de entender. Parecia uma derrota disfarçada de conselho. Mas Noonan não estava sugerindo que a inteligência não importa. Ela estava dizendo algo mais sofisticado: que a inteligência sem clareza é um monólogo. É brilhante, talvez. Impressionante, talvez. Mas não conecta. E comunicação que não conecta é apenas ruído bem articulado. Clareza não é simplificação. Não é escrever para quem não sabe. É escrever para quem sabe e mesmo assim fazer o esforço de ser entendido sem que o outro precise se esforçar de volta. Isso exige algo que a inteligência pura raramente exige: generosidade. A disposição de abrir mão do jargão que impressiona, da frase longa que demonstra domínio, do parágrafo que prova que você leu muito, em troca de uma ideia que chegue limpa, direta e que seja levada por todos quando forem. É, na verdade, um ato de coragem. Porque ser claro é ser exposto. Não há onde se esconder numa frase simples. O que fica? Pense nas comunicações que mudaram sua forma de ver o mundo. As falas que você ainda cita. Os textos que você volta a ler. Raramente são os mais elaborados. São os que chegaram sem pedir licença e ficaram. A inteligência abre portas, mas a clareza é o que faz as pessoas entrarem e lembrarem que estiveram lá. Artigo: A Clareza como ato de Coragem por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca, Conteúdo e Digital na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- A Arte de Escolher o Pensamento Certo por Henry Ayres
Existe uma batalha silenciosa que acontece todos os dias dentro de nós. Ela não tem data marcada, não avisa quando começa e raramente tem uma testemunha. É travada nos segundos que separam o que nos acontece de como decidimos reagir. E foi justamente sobre essa guerra íntima que o psicólogo e filósofo William James lançou uma das frases mais poderosas da história do pensamento humano: "A maior arma contra o estresse é nossa capacidade de escolher um pensamento em vez de outro." Simples assim. E, ao mesmo tempo, revolucionária assim. Vivemos numa época que glorifica o movimento incessante. Reuniões empilhadas, notificações que não param, metas que se renovam antes mesmo de serem alcançadas. O estresse virou uma espécie de status, como se estar sobrecarregado fosse prova de relevância. Mas James, que escreveu isso no final do século XIX, muito antes dos smartphones e das redes sociais, já havia identificado algo que a neurociência moderna confirmaria décadas depois: "O sofrimento raramente está no evento, mas na narrativa que construímos sobre ele." Isso não é autoajuda superficial. É ciência da mente. Cada vez que você permite que um pensamento catastrófico se instale sem questionamento, ativa o eixo do estresse no sistema nervoso como se o perigo fosse real e imediato. Seu corpo não distingue uma ameaça imaginada de uma concreta. Ele responde ao roteiro que a mente escreve. A palavra que James usa é "escolha" e essa é a sacada mais sofisticada da frase. Não se trata de negar a realidade, fingir que os problemas não existem ou praticar um otimismo de fachada. Trata-se de exercer soberania sobre o que ganha ibope dentro de você. De perceber que dois pensamentos podem habitar o mesmo cenário e que cabe a você decidir qual deles vai ganhar força. Um projeto atrasado pode ser lido como "tudo está dando errado" ou como "o que precisa ser ajustado?". Uma conversa difícil pode soar como ataque ou como um pedido de atenção. A realidade é a mesma. O pensamento escolhido muda tudo: o humor, a decisão, o resultado e, o mais importante, a energia. Essa capacidade de reenquadramento não surge da noite para o dia. É uma musculatura. Quanto mais você exercita, mais ágil e precisa ela se torna. E como toda disciplina de alto desempenho, exige consciência antes de virar automático. De todas as habilidades que uma vida bem vivida exige, essa é a menos ensinada e a mais necessária. Não é a produtividade, nem a estratégia, nem o talento. É a coragem silenciosa de olhar para dentro, reconhecer o pensamento que machuca e, com plena consciência, escolher outro. Um que construa em vez de destruir. William James nos deixou um presente disfarçado de frase. Uma lembrança de que, por mais que o mundo externo pareça incontrolável, e frequentemente é, existe um espaço que permanece nosso. Um espaço onde nenhuma crise entra sem permissão, onde nenhum estresse se instala sem convite. Você não vai controlar tudo o que acontece. Mas pode controlar o que deixa crescer dentro de você. E isso, como James sabia tão bem, muda absolutamente tudo. Artigo: A Arte de Escolher o Pensamento Certo por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca, Conteúdo e Digital na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Capa | Dra. Marlene Siqueira: Ginecologista e Expert em Emagrecimento Saudável
Versão em Português Dra. Marlene Siqueira, capa da Revista Mentes que Brilham, compartilha uma jornada de medicina, maternidade e propósito que transforma não apenas corpos, mas famílias inteiras. Há mulheres que escolhem a medicina. E há mulheres que são escolhidas por ela. A Dra. Marlene Siqueira pertence à segunda categoria, embora ela mesma talvez discordasse, com a humildade característica de quem construiu uma carreira inteira colocando o outro no centro. Ginecologista, obstetra, expert em emagrecimento saudável e estudiosa da Medicina Tradicional Chinesa, Marlene carrega na trajetória algo raro: a coerência entre o que ensina e o que vive. Criada numa fazenda, foi ali, em meio à natureza exuberante e ao silêncio fértil do interior, que uma menina inquieta encontrou um livro perdido de Deepak Chopra aos 12 anos. Ela não sabia que estava encontrando, também, a si mesma. "Ficava horas relendo aquele livro e olhava toda aquela natureza ao meu redor", recorda. "Aprendi a me inspirar nela e a fluir nos ciclos da vida." Décadas depois, essa sabedoria permeia cada consulta, cada orientação, cada olhar lançado sobre uma paciente que chega em busca de saúde, e parte, muitas vezes, tendo encontrado muito mais. A Escolha que Definiu Tudo Aos olhos do mercado médico, o caminho natural seria outro. Marlene estava a um passo de uma carreira em oncocirurgia, especialidade de prestígio, de complexidade técnica admirável. Mas, há cerca de 23 anos, ela virou à esquerda. Trocou o bisturi oncológico pelo estudo do ser humano integral, pela promoção da saúde, pela Medicina Tradicional Chinesa. "Optei por cuidar de quem teria maiores chances de viver bem, no lugar de me habilitar mais um degrau na carreira de cirurgiã ginecológica para tentar extirpar tumores", explica, sem hesitação. Não foi rebeldia. Foi clareza. E essa clareza se tornou a pedra angular de tudo que construiu. Suas pacientes não são tratadas como diagnósticos, são vidas em contexto, mulheres dentro de famílias, famílias dentro de ecossistemas. "Ao perceber o impacto do meu trabalho no ecossistema de cada família, mudei meu modo de me perceber no mundo. A cada dia me sinto mais responsável e mais feliz com a missão que Deus me confiou." Se há uma imagem que resume a filosofia de Marlene Siqueira, é esta: ela mesma como cobaia. "Me orgulho de fazer da minha família meu laboratório de saúde e bem-estar. Tudo que ensino numa consulta, já pratiquei e certifiquei os resultados." Alimentação orgânica e fresca, água pura, sono de qualidade, movimento, espiritualidade, produtos sustentáveis, não são protocolos pregados de um pedestal. São escolhas vividas dentro de casa, todos os dias. Mãe de três jovens, divorciada há 19 anos, ela não ameniza os sacrifícios. Fala deles com a franqueza de quem sabe que autenticidade é também uma forma de cuidado. "Valeu muito a pena ter tomado decisões que mudaram a rota metabólica deles desde muito pequenos. Hoje, eles têm um nível de saúde que lhes confere autonomia." O maior presente que uma mãe médica poderia oferecer: filhos livres, saudáveis e conscientes. O desafio mais visceral veio quando se tornou mãe pela segunda vez, de gêmeos. Conciliar o amor incondicional pela família com a entrega total à medicina não é uma equação que se resolve. É uma prática diária. "Aprendi que meu crescimento profissional não me traria felicidade se meus filhos estivessem doentes como os pacientes que me procuravam." Essa frase não é só uma confissão. É um manifesto. Para Marlene, sucesso não cabe em troféu. Ele tem rosto, tem brilho na pele, tem postura. "Considero um sucesso quando minha cliente retorna com um sorriso nos lábios, a pele reluzente, um caminhar seguro, dona de si mesma e fazendo escolhas que geram crescimento e expansão." É uma definição que desafia rankings, que dribla o ego e pousa, com leveza, na essência do que é curar. Nessa visão, a medicina deixa de ser uma transação e se torna uma parceria. "Vejo um horizonte muito amplo à minha frente e tenho dentro de mim uma sede de conhecimento e muito entusiasmo pela vida. Me orgulho ao reconhecer que minhas clientes estão cada dia mais saudáveis e que estamos juntas nessa aventura de buscar o melhor da vida." Fé, Gratidão e o Estado de Presença Marlene não separa espiritualidade de ciência. Para ela, as duas habitam o mesmo espaço, a consulta, o parto, a conversa com uma paciente às três da manhã. Como obstetra, viveu anos inteiros em estado de prontidão, pronta para responder ao "chamado divino de receber estas almas na sua chegada aqui entre nós." A expressão é dela, e não soa exagerada. Soa exata. Nos dias difíceis, e ela não finge que não existem, a fé é o que sustenta. "Com a fé inabalável em Deus, os valores que trago da minha família e a ajuda de terapias, desenvolvi ferramentas para me proteger e transmutar estes momentos. Escolho comandar minhas decisões recebendo do Divino a inspiração para transbordar o meu dia." Há nessa fala uma maturidade emocional que não vem de livros. Vem de 59 anos bem vividos, com projetos que não deram certo, filhos neurodivergentes, partos nas madrugadas e sonhos que ainda parecem distantes. As memórias da infância na fazenda, aprendendo a aceitar a natureza como ela é, moldaram nela uma bússola própria, orientada por um norte que poucos ousam seguir: a felicidade. A felicidade, ela define, é sua mestra. "Ela é minha convidada de honra e ocupa a primeira fila no palco da minha vida. Sei que se estou na trilha da felicidade, os rastros da minha caminhada naturalmente conduzirão meus filhos a escolhas mais assertivas." Não há escuridão que não seja vencida pela luz, e ela diz isso sem ingenuidade. Diz como quem já atravessou o escuro e voltou para contar. Pedimos a ela que viajasse no tempo. Que cochichasse algo nos ouvidos da menina que releu Deepak Chopra à luz da fazenda, que sonhava com medicina sem saber ainda qual medicina seria a sua. A resposta veio com ternura e precisão: "Siga em frente, mas deixe umas mochilas no caminho... confie em você." Simples. Preciso. E inteiramente ela. A Dra. Marlene Siqueira é a prova viva de que uma carreira brilhante não se mede pelo que se acumula, mas pelo que se transforma. Em cada paciente que sai mais leve, em cada filho que escolhe saúde por herança, em cada família que encontrou nela não apenas uma médica, mas uma bússola. Mentes que brilham, afinal, são aquelas que iluminam os outros sem perder a própria luz. 📷 Instagram: instagram.com/dramarlenesiqueira Capa | Dra. Marlene Siqueira: Ginecologista e Expert em Emagrecimento Saudável English version Cover | Dr. Marlene Siqueira: OB-GYN and Healthy Weight Loss Expert Some women choose medicine. Others are chosen by it. Dr. Marlene Siqueira belongs to the second category — though she'd probably push back on that with the quiet humility of someone who has spent an entire career putting others first. A gynecologist, obstetrician, healthy weight loss expert, and student of Traditional Chinese Medicine, Marlene has built something rare: a life and a practice that are genuinely the same thing. She grew up on a farm, surrounded by open land and the kind of deep rural silence that either bores you or shapes you. For Marlene, it shaped her. At 12, she stumbled upon a lost copy of a Deepak Chopra book — and stumbled, without knowing it, upon herself. "I'd spend hours rereading that book and look out at all the nature around me," she recalls. "I learned to draw inspiration from it and to move with the rhythms of life." Decades later, that lesson still lives in every consultation, every piece of guidance, every look she gives a patient who walks in searching for health and walks out having found something deeper. The Turn That Changed Everything By any conventional measure, Marlene's trajectory was pointing somewhere else. She was one step away from oncosurgery — prestigious, technically demanding, a career milestone most physicians chase. Then, about 23 years ago, she turned left. She traded the oncological scalpel for a more expansive pursuit: whole-person health, wellness promotion, Traditional Chinese Medicine. "I chose to care for those who had the best chance of living well, rather than climbing another rung as a surgical gynecologist trying to remove tumors," she says, without a trace of regret. This wasn't rebellion. It was clarity. And that clarity became the foundation of everything she built. Her patients aren't treated as diagnoses — they're lives in context. Women inside families. Families inside ecosystems. "When I realized the impact my work had on each family's ecosystem, I changed the way I saw myself in the world. Every day I feel more responsible — and more fulfilled — by the mission God has entrusted to me." Living the Protocol If one image captures Marlene's philosophy, it's this: she is her own test subject. "I'm proud to make my family my laboratory for health and well-being. Everything I teach in a consultation, I've already practiced and confirmed the results." Organic food, clean water, quality sleep, movement, spirituality, sustainable products — none of it is preached from a pedestal. It's lived at home, every single day. A mother of three young adults and divorced for 19 years, she doesn't sugarcoat the sacrifices. She talks about them with the directness of someone who understands that honesty is its own form of care. "It was absolutely worth making decisions that changed their metabolic path from a very young age. Today, they have a level of health that gives them real autonomy." The greatest gift a physician-mother could give: children who are free, healthy, and self-aware. The most visceral challenge came when she became a mother for the second time — to twins. Balancing unconditional love for family with total dedication to medicine isn't an equation you solve. It's a daily practice. "I learned that my professional growth wouldn't bring me happiness if my children were as sick as the patients coming to see me." That's not just a confession. It's a manifesto. Redefining Success For Marlene, success doesn't fit in a trophy case. It has a face. It has a glow. "I consider it a success when my patient returns with a smile on her lips, radiant skin, a confident stride — a woman who owns herself and makes choices that lead to growth and expansion." It's a definition that defies rankings, sidesteps ego, and lands — gently — on the true essence of healing. In this vision, medicine stops being a transaction and becomes a partnership. "I see a vast horizon ahead of me, and I carry within me a thirst for knowledge and enormous enthusiasm for life. I'm proud to see that my patients are healthier every day — and that we're in this adventure together, seeking the very best life has to offer." Faith, Gratitude, and the Art of Presence Marlene doesn't separate spirituality from science. For her, they share the same space — the consultation room, the delivery suite, the three a.m. phone call from a laboring patient. As an obstetrician, she spent years in a constant state of readiness, always prepared to answer what she calls "the divine calling of welcoming these souls into the world." The phrase is hers, and it doesn't sound like an overstatement. It sounds exactly right. On difficult days — and she doesn't pretend they don't exist — faith is what holds. "With unwavering faith in God, the values instilled in me by my family, and the support of therapy, I've developed tools to protect myself and transform those moments. I choose to lead my decisions by receiving Divine inspiration to overflow into my day." There's an emotional maturity in those words that no textbook teaches. It comes from 59 years fully lived — projects that fell apart, neurodivergent children, middle-of-the-night labors, and dreams that still feel just out of reach. The memories of a childhood on a farm, learning to accept nature on its own terms, shaped in her a compass entirely her own, pointed toward a north that few dare follow: happiness. Happiness, she says, is her teacher. "It's my guest of honor, sitting front row on the stage of my life. I know that if I'm on the path of happiness, the footprints of my journey will naturally lead my children toward better choices." She says it without naivety — she says it as someone who has walked through the dark and came back to tell the story. We asked her to travel back in time. To whisper something to the girl who reread Deepak Chopra by the light of a country farm, dreaming of medicine before she even knew which kind of medicine would be hers. Her answer came with warmth and precision: "Keep moving forward, but leave some baggage along the way. Trust yourself." Simple. Precise. And entirely her. Dr. Marlene Siqueira is living proof that a brilliant career isn't measured by what you accumulate, but by what you transform. In every patient who leaves a little lighter. In every child who chooses health as an inheritance. In every family that found in her not just a doctor, but a compass. Brilliant minds, after all, are the ones that light up others — without ever losing their own light. 📷 Instagram: instagram.com/dramarlenesiqueira Versión en Español Portada | Dra. Marlene Siqueira: Ginecóloga y Experta en Adelgazamiento Saludable Hay mujeres que eligen la medicina. Y hay mujeres a las que la medicina elige. La Dra. Marlene Siqueira pertenece a la segunda categoría, aunque ella misma lo rebatiría con la humildad característica de quien ha construido una carrera entera poniendo al otro en el centro. Ginecóloga, obstetra, experta en adelgazamiento saludable y estudiosa de la Medicina Tradicional China, Marlene atesora en su trayectoria algo verdaderamente escaso: la coherencia entre lo que enseña y lo que vive. Criada en una finca, fue entre la naturaleza exuberante y el silencio fértil del interior rural donde una niña inquieta encontró, con doce años, un libro perdido de Deepak Chopra. No sabía que, al mismo tiempo, estaba encontrándose a sí misma. "Me pasaba horas releyendo aquel libro y contemplaba toda aquella naturaleza a mi alrededor", recuerda. "Aprendí a inspirarme en ella y a fluir con los ciclos de la vida." Décadas después, esa sabiduría impregna cada consulta, cada orientación, cada mirada que posa sobre una paciente que llega buscando salud y se marcha, en muchas ocasiones, habiendo encontrado mucho más. La Decisión que lo Cambió Todo A ojos del mercado médico, el camino natural habría sido otro. Marlene estaba a un paso de una carrera en oncología quirúrgica: una especialidad de prestigio, de admirable complejidad técnica. Pero, hace aproximadamente veintitrés años, giró a la izquierda. Cambió el bisturí oncológico por el estudio del ser humano en su integridad, por la promoción de la salud, por la Medicina Tradicional China. "Opté por cuidar a quienes tenían más posibilidades de vivir bien, en lugar de ascender un peldaño más en mi carrera de cirujana ginecológica para intentar extirpar tumores", explica, sin un ápice de dudas. No fue rebeldía. Fue claridad. Y esa claridad se convirtió en la piedra angular de todo lo que ha construido. Sus pacientes no son tratadas como diagnósticos; son vidas en contexto, mujeres dentro de familias, familias dentro de ecosistemas. "Al percibir el impacto de mi trabajo en el ecosistema de cada familia, cambié la forma en que me percibo a mí misma en el mundo. Cada día me siento más responsable y más feliz con la misión que Dios me ha confiado." Vivir lo que se Predica Si hay una imagen que resume la filosofía de Marlene Siqueira, es esta: ella misma como conejillo de indias. "Me enorgullece hacer de mi familia mi laboratorio de salud y bienestar. Todo lo que enseño en una consulta, lo he practicado previamente y he verificado los resultados." Alimentación orgánica y fresca, agua pura, sueño de calidad, movimiento, espiritualidad, productos sostenibles — no son protocolos predicados desde un pedestal. Son elecciones que se viven en casa, cada día. Madre de tres jóvenes, divorciada hace diecinueve años, no suaviza los sacrificios. Los relata con la franqueza de quien sabe que la autenticidad es también una forma de cuidado. "Mereció mucho la pena haber tomado decisiones que cambiaron su ruta metabólica desde muy pequeños. Hoy tienen un nivel de salud que les otorga autonomía." El mayor regalo que una médica y madre podría ofrecer: hijos libres, sanos y conscientes. El reto más visceral llegó cuando se convirtió en madre por segunda vez, de gemelos. Conciliar el amor incondicional por la familia con la entrega total a la medicina no es una ecuación que se resuelva. Es una práctica cotidiana. "Aprendí que mi crecimiento profesional no me traería felicidad si mis hijos estaban enfermos como los pacientes que me buscaban." Esa frase no es solo una confesión. Es un manifiesto. Una Definición Diferente del Éxito Para Marlene, el éxito no cabe en un trofeo. Tiene rostro, tiene brillo en la piel, tiene porte. "Considero un éxito cuando mi paciente regresa con una sonrisa en los labios, la piel radiante, un caminar seguro, dueña de sí misma y tomando decisiones que generan crecimiento y expansión." Es una definición que desafía los rankings, esquiva el ego y aterriza, con suavidad, en la esencia de lo que significa curar. Bajo esta visión, la medicina deja de ser una transacción para convertirse en una alianza. "Veo un horizonte muy amplio ante mí y llevo dentro una sed de conocimiento y un enorme entusiasmo por la vida. Me enorgullezco al comprobar que mis pacientes están cada día más sanas y que estamos juntas en esta aventura de buscar lo mejor de la vida." Fe, Gratitud y el Arte de Estar Presente Marlene no separa espiritualidad de ciencia. Para ella, ambas habitan el mismo espacio: la consulta, el paritorio, la conversación con una paciente a las tres de la madrugada. Como obstetra, vivió años enteros en estado de alerta permanente, dispuesta a responder al "llamado divino de recibir estas almas a su llegada aquí entre nosotros." La expresión es suya, y no resulta exagerada. Resulta exacta. En los días difíciles — y ella no finge que no existen — la fe es lo que sostiene. "Con la fe inquebrantable en Dios, los valores que llevo de mi familia y la ayuda de las terapias, he desarrollado herramientas para protegerme y transmutar esos momentos. Elijo comandar mis decisiones recibiendo del Divino la inspiración para desbordar mi día." Hay en esas palabras una madurez emocional que no procede de ningún libro. Proviene de 59 años bien vividos, con proyectos que no prosperaron, hijos neurodivergentes, partos en la madrugada y sueños que aún parecen lejanos. Los recuerdos de una infancia en el campo, aprendiendo a aceptar la naturaleza tal como es, forjaron en ella una brújula propia, orientada hacia un norte que pocos se atreven a seguir: la felicidad. La felicidad, define ella, es su maestra. "Es mi invitada de honor y ocupa la primera fila en el escenario de mi vida. Sé que, si estoy en el camino de la felicidad, las huellas de mi andar conducirán naturalmente a mis hijos hacia elecciones más acertadas." No hay oscuridad que la luz no venza, y lo dice sin ingenuidad. Lo dice como quien ya ha atravesado la oscuridad y ha vuelto para contarlo. Le pedimos que viajara en el tiempo. Que le susurrara algo al oído a aquella niña que releía a Deepak Chopra a la luz de la finca, que soñaba con la medicina sin saber aún cuál sería la suya. La respuesta llegó con ternura y precisión: "Sigue adelante, pero deja algunas mochilas en el camino… confía en ti." Sencillo. Preciso. Y enteramente ella. La Dra. Marlene Siqueira es la prueba viva de que una carrera brillante no se mide por lo que se acumula, sino por lo que se transforma. En cada paciente que sale más liviana. En cada hijo que elige la salud por herencia. En cada familia que encontró en ella no solo a una médica, sino a una brújula. Las mentes que brillan, al fin y al cabo, son aquellas que iluminan a los demás sin perder jamás su propia luz. 📷 Instagram: instagram.com/dramarlenesiqueira
- Autoestima feminina: o reencontro da mulher com o próprio valor por Aline Luchi
Durante muito tempo, a autoestima feminina foi confundida com aparência, aprovação e performance. A mulher aprendeu que precisava estar bonita, ser agradável, dar conta de tudo, não incomodar, não fracassar e, ainda assim, sorrir. Mas autoestima verdadeira não nasce do espelho. Ela nasce da consciência. Autoestima é a forma como uma mulher se enxerga quando ninguém está elogiando. É a maneira como ela se trata quando erra. É o limite que ela coloca quando percebe que está se diminuindo para caber no afeto de alguém. É a coragem de parar de negociar o próprio valor para ser escolhida. Muitas mulheres não sofrem por falta de beleza, inteligência ou capacidade. Sofrem porque foram ensinadas a duvidar de si. Cresceram tentando merecer amor, tentando provar que eram boas o suficiente, tentando corresponder às expectativas da família, do parceiro, da sociedade e até de uma versão idealizada de si mesmas. A baixa autoestima nem sempre aparece como insegurança visível. Às vezes, ela se esconde na necessidade de agradar, no medo de dizer “não”, na dependência emocional, na comparação constante, na dificuldade de receber elogios, na escolha repetida por relações que machucam e na sensação de nunca estar pronta. Por isso, fortalecer a autoestima feminina é um processo de reconstrução interna. Não é apenas mudar o cabelo, o corpo ou a roupa. É mudar a forma como a mulher conversa consigo. É reconhecer sua história sem se aprisionar nela. É olhar para as feridas emocionais sem permitir que elas continuem definindo suas escolhas. Uma mulher com autoestima fortalecida não se torna fria, arrogante ou inacessível. Ela se torna inteira. Aprende que amor não exige abandono de si. Aprende que ser sensível não significa ser fraca. Aprende que se posicionar não é perder a feminilidade, mas honrar a própria existência. Autoestima também é responsabilidade emocional. É compreender que ninguém tem a obrigação de curar nossas feridas, preencher nossos vazios ou validar diariamente quem somos. O outro pode somar, mas não pode ser a fonte principal do nosso valor. Quando uma mulher começa a se reconhecer, algo muda em sua presença. Ela deixa de implorar atenção, deixa de aceitar migalhas, deixa de confundir intensidade com amor e começa a escolher com mais consciência. Seu olhar muda. Sua postura muda. Suas relações mudam. A verdadeira autoestima feminina não grita. Ela sustenta. Ela aparece no silêncio de quem não precisa mais provar nada, porque aprendeu a habitar a própria alma com dignidade. Ser uma mulher livre é exatamente isso: desenvolver consciência, autonomia e responsabilidade emocional para não viver refém da aprovação, do medo ou da carência. É entender que o amor-próprio não é um discurso bonito, mas uma prática diária. Porque quando uma mulher reconhece o próprio valor, ela não apenas se transforma. Ela transforma a forma como ama, escolhe, trabalha, lidera e vive. Autoestima não é sobre se achar melhor que alguém. É sobre nunca mais se tratar como se fosse menos. E talvez o maior desafio da autoestima feminina seja justamente esse: aprender a permanecer fiel a si mesma, mesmo quando o mundo tenta convencê-la a se abandonar. Toda mulher carrega marcas. Algumas vieram da infância, outras de relações onde precisou silenciar sentimentos para não perder afeto. Existem feridas que fazem a mulher aceitar pouco, pedir desculpas por existir, duvidar da própria intuição e se adaptar demais a lugares onde sua alma já não respira. Mas chega um momento em que ela entende: não é preciso endurecer para se proteger. É preciso amadurecer. A cura da autoestima não está em criar uma armadura, mas em desenvolver presença interna. É saber olhar para si com verdade, acolher a própria história e, ainda assim, escolher um novo caminho. Autoestima é quando a mulher para de se perguntar “será que sou suficiente? ” e começa a se perguntar: “isso que eu aceito está à altura da mulher que estou me tornando?” Essa pergunta muda tudo. Porque uma mulher que se reconhece não vive mais tentando provar valor. Ela passa a construir vida. Ela investe em si, cuida da própria mente, respeita seu corpo, preserva sua energia e aprende a escolher pessoas, ambientes e oportunidades que não diminuem sua essência. A autoestima feminina floresce quando a mulher compreende que sua existência não precisa ser validada por olhares externos. Ela pode ser delicada e firme. Sensível e forte. Amorosa e seletiva. Feminina e livre. E quando essa consciência desperta, nasce uma nova mulher: não perfeita, mas presente. Não invulnerável, mas inteira. Não dependente de aprovação, mas comprometida com a própria verdade. Essa é a força silenciosa da autoestima: devolver à mulher o lugar mais importante da sua própria vida. Aline Luchi - Psicóloga Instagram: https://www.instagram.com/alyneluchi/
- Quando Histórias Viram Força: o manifesto feminino que chegou ao coração do poder por Marta Lívia Suplicy
No último dia 30 de abril, o Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, foi tomado por algo que vai muito além de palavras impressas em papel. O lançamento da 2ª edição do livro "Virando Páginas" transformou um dos espaços mais simbólicos da democracia brasileira em palco de afeto, coragem e representatividade — e não foi por acaso. Há algo de deliberadamente poético nisso. Levar uma obra construída sobre histórias de mulheres que recusaram o silêncio justamente para o lugar onde as leis do país são escritas. Uma mensagem cifrada para quem souber ler: elas estão aqui. Elas chegaram. E vieram para ficar. Uma obra coletiva, um gesto político A 2ª edição do "Virando Páginas" mantém a espinha dorsal que deu sentido à primeira: relatos reais de mulheres que transformaram dor em força, desafios em projetos, histórias de vida em inspiração coletiva. Mas traz um diferencial que diz muito sobre a maturidade do projeto: o conceito colaborativo. Cada escritora convidou outra mulher para participar da obra, ampliando o alcance das narrativas e fortalecendo uma rede de apoio que nasce no texto e transborda para a vida. Não é só literatura. É arquitetura social. A iniciativa é capitaneada pela presidente nacional Marta Lívia Suplicy, idealizadora do movimento Virada Feminina — que reúne hoje mais de 11 mil mulheres em todo o Brasil sob o lema que dispensa floreios: "Saindo da Discussão e Partindo para a Ação". Uma frase que, por si só, já vale um capítulo. 34 vozes, um Brasil inteiro A obra reúne 195 páginas com histórias de 34 mulheres de todas as regiões do Brasil, atuando nas mais diversas áreas — política, educação, saúde, cultura, empreendedorismo, enfrentamento à violência de gênero. A pluralidade não é mero recurso editorial. É o argumento central do livro: o empoderamento feminino não tem forma única, não tem endereço fixo, não tem um único sotaque. Ele se constrói diariamente, em cada desafio enfrentado e, mais importante, superado. Durante a cerimônia, exemplares foram entregues simbolicamente à ministra da Mulher, Márcia Lopes — um gesto que não passou despercebido pelos presentes. Quando uma obra sobre protagonismo feminino chega às mãos de quem define políticas públicas para mulheres, a ficção e a realidade se tocam da melhor forma possível. O que significa "virar páginas" em 2026 O título carrega uma ambiguidade generosa. Virar páginas é o ato mais simples da leitura e também uma das metáforas mais densas da vida. Significa deixar para trás o que não serve mais. Significa ter coragem de começar de novo. Significa, sobretudo, que há um próximo capítulo esperando. Para essas mulheres, a escrita foi o instrumento. Mas o que elas constroem com ela é muito maior do que qualquer livro. É visibilidade para quem esteve invisível. É pertencimento para quem foi sistematicamente excluída dos espaços de poder. É a prova de que a narrativa feminina brasileira é rica, diversa e insubstituível. O lançamento na Câmara dos Deputados não foi apenas um evento literário. Foi um ato de presença. E, às vezes, presença é o gesto mais revolucionário de todos. Artigo: Quando Histórias Viram Força: o manifesto feminino que chegou ao coração do poder por Marta Lívia Suplicy Fonte base: reportagem original publicada pela Folha do Estado de Goiás, em 30 de abril de 2026.
- Quando o incômodo com o outro revela o que você ainda não olhou em si por Lívia Bacelar
Existe um comportamento muito comum e pouco questionado nas relações femininas: o julgamento. Frases como: "Ela se acha." "Pra que tudo isso?" "Que necessidade de aparecer?" "Só conseguiu porque alguém ajudou…" Quase sempre vêm acompanhadas de justificativas que tentam diminuir o caminho da outra. Mas, quando olhamos com mais profundidade, surge uma reflexão importante: e se esse incômodo não for, de fato, sobre o outro? Na maioria das vezes, não é. É mais fácil criticar do que reconhecer a dificuldade de validar, apoiar ou até sustentar o crescimento de outra mulher. Existe um discurso muito presente de apoio feminino. Mas, na prática, nem sempre ele se sustenta — porque apoiar também exige maturidade emocional. Exige segurança interna. Exige não se comparar. Exige não se sentir ameaçada pelo movimento da outra. E é nesse ponto que muitas relações se fragilizam. Sem perceber, a admiração se transforma em crítica. O reconhecimento se transforma em resistência. E aquilo que poderia ser conexão se torna distanciamento. O que muitas vezes parece apenas um comentário casual carrega, na verdade, padrões emocionais silenciosos: dificuldade de validar o outro, necessidade de controle, comparação constante, inseguranças não nomeadas. Quando isso não é observado com consciência, tende a se repetir nas relações, nos vínculos e na forma como essa mulher se posiciona no mundo. Por isso, talvez a pergunta mais honesta não seja "por que aquilo me incomodou?" — mas sim: "o que em mim ainda precisa ser fortalecido para que eu consiga reconhecer o valor do outro sem me desconectar de mim?" Essa reflexão não termina aqui. Ela começa. https://www.instagram.com/centroterapeuticoliviabacelar/ Lívia Bacelar, especialista em comportamento emocional feminino, CEO do Centro Terapêutico Lívia Bacelar e fundadora do Projeto Pérolas e Conselheiras.
- Capa | Celeste Leite dos Santos: Promotora, Doutora e Protetora.
Versão em Português Há um tipo raro de vocação que não se satisfaz com a competência técnica. Que vai além do cumprimento do dever, além do título, além do reconhecimento. É aquela que nasce com uma pergunta incômoda, difícil de silenciar: o sistema está servindo a quem? Celeste Leite dos Santos carrega essa pergunta desde o início da carreira, e passou mais de dezenove anos convertendo o desconforto em ação, a indignação em legislação e o silêncio das vítimas em política pública. Promotora de Justiça em Último Grau do Colégio Recursal do Ministério Público de São Paulo, doutora em Direito Civil pela USP, mestre em Direito Penal pela PUC-SP, com especialização em Direito Penal Econômico pela Universidade de Coimbra, e presidente do Instituto Brasileiro de Atenção Integral à Vítima, o Pró-Vítima, ela é, antes de qualquer título, a mulher que lembrou ao sistema que a Justiça precisa, também, encarar os olhos de quem sofreu. Ela cresceu ouvindo o som das ideias em movimento. Sua mãe, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, professora universitária, sempre esteve à frente do seu tempo, com inteligência, pioneirismo acadêmico e uma sabedoria admirável para lidar com os problemas da vida. Seu pai, o médico psiquiatra forense José Américo dos Santos, foi uma referência constante pela forma sempre precisa de analisar as situações. Irmãos, amigos próximos, pessoas que ficaram nos momentos difíceis e não apenas nas vitórias: essa é a teia de afeto e intelectualidade que moldou a mulher que Celeste se tornaria. "Sou filha de professora universitária e foi pelo exemplo que recebi desde cedo que aprendi a valorizar o conhecimento", ela conta, com a naturalidade de quem não separa a formação humana da formação profissional. Essa naturalidade, porém, foi testada muito cedo. Com apenas dois meses de carreira, Celeste assumiu a Promotoria Regional do Meio Ambiente em uma cidade do interior e se viu diante de um caso de proporções internacionais: uma mineradora que poluía rios com reflexos graves sobre a saúde da população. A resistência foi enorme. O custo pessoal, alto. Mas foi exatamente naquele momento, diante da pressão e da complexidade do caso, que algo se confirmou dentro dela. "A sensação de dever cumprido confirmou, para mim, que eu estava no caminho certo", diz. Não havia romantismo nessa certeza. Havia clareza, aquela que só aparece quando uma pessoa encontra, cedo, a dimensão do que é capaz de enfrentar. O que moveu Celeste desde então não foi a ambição por posições ou reconhecimentos, mas uma insatisfação produtiva com o que via. Por anos, o sistema de justiça criminal brasileiro operou com uma lógica que hoje ela descreve com precisão: limitava-se à resposta penal, processava o réu, aplicava a pena e, no fim, a vítima seguia à margem, sem voz, sem acolhimento, sem perspectiva concreta de reconstrução. Não por descaso individual de ninguém, mas por uma lacuna estrutural que todos enxergavam e poucos se dispunham a preencher. "Eu estava insatisfeita com um sistema que muitas vezes se limita à resposta penal, sem produzir transformações sociais significativas, especialmente para a vítima", ela explica. Foi dessa insatisfação que nasceu o Projeto AVARC — Acolhimento de Vítimas, Análise e Resolução de Conflitos, desenvolvido no âmbito do Ministério Público de São Paulo. O AVARC não surgiu como uma proposta teórica de gabinete. Surgiu da união entre teoria e prática, entre o que Celeste estudava na academia e o que ela enxergava todos os dias no trabalho como promotora. O projeto foi reconhecido pelo Conselho Nacional do Ministério Público como uma das iniciativas mais relevantes da área, tornou-se lei no Distrito Federal e inspirou diretamente a proposta do Estatuto da Vítima, o Projeto de Lei nº 3.890/2020. Além disso, a proposta que Celeste apresentou ao então Conselheiro Marcelo Weitzel foi acolhida praticamente na íntegra, resultando em uma política nacional de proteção, apoio e desvitimização no âmbito do Ministério Público brasileiro. Cada um desses passos representa não apenas uma conquista técnica, mas uma transformação concreta na vida de pessoas que chegavam ao sistema com a dor ainda aberta e precisavam encontrar, nele, mais do que um processo. "A partir da união entre teoria e prática, conseguimos recolocar a vítima no centro do sistema de justiça", ela resume, com a precisão de quem sabe exatamente o que construiu. É uma frase curta para uma conquista de décadas. Mas nenhuma trajetória de transformação real ocorre sem resistência. Quando Celeste assumiu a Diretoria da Mulher na Associação Paulista do Ministério Público, ao lado de colegas tão firmes e comprometidas quanto ela, passaram a lutar ativamente pela igualdade de direitos das mulheres dentro e fora da instituição. A reação não foi passiva. Houve tentativas de desqualificação da sua trajetória, um padrão que ela nomeia sem eufemismo e sem amargura: assédio moral organizacional. "Aprendi, nesse processo, que o assédio moral organizacional existe, é real e ainda silencia muitas mulheres", diz. Também aprendeu que perseverar é essencial, e que mudar essa realidade exige coragem, estratégia e ferramentas concretas. Não basta a indignação; é preciso saber transformá-la em argumento, em projeto, em lei. O que impressiona em Celeste não é apenas o que ela construiu, mas a forma como atravessou os processos de construção. Sem perder a essência. "O sucesso não me afastou da realidade nem do meu senso de responsabilidade", ela diz, com convicção. "Ele apenas reforçou a certeza de que ainda há muito trabalho pela frente e de que as conquistas só fazem sentido quando estão conectadas a um propósito coletivo." Há nessa frase uma filosofia inteira de carreira, e, mais do que isso, uma visão de mundo que recusa a individualização do sucesso. Para ela, uma vitória que não seja compartilhada, que não esteja ancorada em algo maior do que o ego, não tem peso real. Essa postura se revela também no modo como ela cuida de si. Por trás de uma agenda que inclui o Ministério Público, o Pró-Vítima, a academia e as câmaras legislativas, existe uma mulher que aprendeu, ao longo dos anos, a respeitar seus próprios limites. "Houve fases em que me dediquei quase integralmente ao trabalho, em detrimento do lazer e até da saúde física", ela admite. "Hoje, com mais maturidade, entendo que há tempo para tudo." Musculação, pilates, leituras prazerosas e viagens fazem parte de uma rotina que ela cultiva com disciplina, não por estética, mas por sustentabilidade. É a mesma lógica que aplica ao trabalho: sem equilíbrio, a caminhada não se sustenta com plenitude. Ela celebra as conquistas com gratidão e com as pessoas certas. Muitas vezes ao lado do seu marido, Pedro Eduardo, com uma boa taça de vinho. Sempre compartilhando a vitória com quem caminhou junto. Tem um carinho especial por todos do Pró-Vítima: "somos mais do que um grupo, somos uma família", ela diz. "As vitórias ganham ainda mais sentido quando são divididas com quem esteve junto nos momentos mais difíceis." Há algo muito revelador nessa escolha de quem celebrar ao lado. Alguém que valoriza as pessoas que ficam nas horas difíceis, e não apenas nas cerimônias de reconhecimento, está fazendo uma afirmação silenciosa sobre o que, de fato, importa. Quando perguntada sobre o que a mantém em movimento, depois de tudo o que já construiu, a resposta não vem de uma lista de metas. Vem de uma imagem concreta. "É a sensação de dever cumprido quando alguém sai de um atendimento verdadeiramente acolhedor com sua dor reconhecida, sua dignidade respeitada e uma perspectiva concreta de reconstrução", diz Celeste. "É isso que dá sentido ao meu trabalho." Não é uma resposta abstrata sobre impacto ou legado. É a imagem de uma pessoa específica, saindo de um atendimento com algo que não entrou tendo: esperança com contornos reais. Para quem está no início da jornada e busca propósito, ela tem um conselho que soa simples, mas exige coragem para ser aplicado: "Faça o que te realiza. Se não estiver satisfeito, seja instrumento da mudança que deseja ver. Não se preocupe excessivamente com o julgamento alheio: muitas vezes, o incômodo que você provoca é sinal de que está tocando em algo importante." E acrescenta algo que diz muito sobre o tipo de carreira que ela própria construiu: "nunca subestime o valor de estar cercado por pessoas que permanecem nos momentos difíceis, e não apenas nas vitórias." Se pudesse voltar ao início, ela diz que se diria para se preocupar menos, confiar mais no processo e expressar gratidão com mais frequência. Daria também um lembrete gentil: cada desafio superado, cada pessoa que esteve ao lado, ajudou a construir a trajetória que trouxe até aqui. Não há nada a lamentar no caminho, apenas a reconhecer. Promotora. Doutora. Protetora. Mas, acima de tudo, a mulher que fez uma pergunta simples e se recusou a parar até encontrar a resposta certa: onde está, nesse sistema, o lugar da vítima? A resposta que ela construiu não está apenas nos livros ou nas leis. Está em cada atendimento que termina com uma pessoa se sentindo, finalmente, vista. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Capa | Celeste Leite dos Santos: Promotora, Doutora e Protetora. English version Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Prosecutor, Doctor of Law, and Protector. There is a rare kind of calling that refuses to be satisfied with technical competence alone. One that goes beyond fulfilling duties, beyond credentials, beyond recognition. It begins with an uncomfortable question, one that is hard to silence: Who is this system actually serving? Celeste Leite dos Santos has carried that question since the very beginning of her career, and she has spent more than nineteen years turning discomfort into action, outrage into legislation, and the silence of victims into public policy. A senior prosecutor with the São Paulo State Attorney's Office, a doctor of Civil Law from USP, a master's in Criminal Law from PUC-SP, with a specialization in Economic Criminal Law from the University of Coimbra, and president of the Brazilian Institute for Integral Victim Care, known as Pró-Vítima, she is, before any title, the woman who reminded the system that justice must also look the victim in the eye. She grew up surrounded by the sound of ideas in motion. Her mother, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, was a university professor who was always ahead of her time, combining academic pioneering with a rare wisdom for navigating life's hardest problems. Her father, forensic psychiatrist José Américo dos Santos, was a constant model of analytical precision. Brothers, close friends, people who stayed through the difficult chapters and not only the victories: these are the threads of intellect and affection that shaped the woman Celeste would become. "I am the daughter of a university professor," she says, "and it was through the example I received early on that I learned to value knowledge." She says it the way people do when they have never separated who they are from how they were formed. That formation was tested almost immediately. Two months into her career, Celeste was assigned to the Regional Environmental Prosecutor's Office in a small city in the interior of São Paulo state, where she found herself facing a case of international proportions: a mining company polluting rivers that crossed national borders, with serious consequences for public health. The resistance she encountered was fierce. The personal cost was real. But something crystallized in that moment that no law school curriculum could have produced. "The feeling of duty fulfilled confirmed, for me, that I was on the right path," she recalls. There was no sentimentality in that conviction. There was clarity, the kind that only comes when a person confronts, early, the full measure of what she is capable of facing. What has driven Celeste since that early confrontation has never been ambition for titles or position. It has been a productive dissatisfaction with what she observed. For years, Brazil's criminal justice system operated according to a logic she now describes with unsettling precision: it prosecuted the defendant, handed down the sentence, and closed the case, while the victim remained on the margins, without a voice, without support, without any concrete path toward rebuilding a life. Not because of individual negligence, but because of a structural gap that everyone could see and few were willing to address. "I was unsatisfied with a system that often limits itself to criminal punishment without producing meaningful social transformation, especially for the victim," she explains. From that dissatisfaction came AVARC, the Victim Support, Conflict Analysis and Resolution Project, developed within the São Paulo State Attorney's Office. AVARC was never a theoretical proposal drafted in an air-conditioned office. It was built from the space between what Celeste was studying in academia and what she was witnessing every day as a prosecutor. The project was recognized by Brazil's National Council of the Attorney General's Office as one of the most significant initiatives in the field, became law in the Federal District, and directly inspired the Victim Statute proposal, Federal Bill No. 3,890/2020. The framework she presented to then-Councilman Marcelo Weitzel was adopted virtually in its entirety, producing a national policy of protection, support and victim recovery within the Brazilian Attorney's Office. Every one of those steps represents not just a technical achievement but a concrete change in the lives of people who walked into the system still carrying open wounds and needed it to offer more than a court date. "By bringing theory and practice together," she says, "we managed to put the victim back at the center of the justice system." It is a compact sentence for a decades-long accomplishment. But no real transformation happens without pushback. When Celeste took on the leadership of the Women's Division within the São Paulo State Attorney's Association, alongside colleagues as resolute and committed as she was, they began an active fight for gender equality both inside and outside the institution. The reaction was not polite disagreement. There were deliberate attempts to undermine her credibility, a pattern she identifies without euphemism and without bitterness as organizational workplace harassment. "I learned, through that process, that institutional workplace harassment exists, it is real, and it still silences many women," she says. She also learned that persistence is not enough on its own. Changing entrenched realities requires courage, yes, but also strategy and specific tools. Outrage, she understood, must be translated into argument, into project, into law. What sets Celeste apart is not only what she has built, but how she has moved through the process of building it, without losing the core of who she is. "Success didn't distance me from reality or from my sense of responsibility," she says. "It only reinforced the certainty that there is still a lot of work ahead and that achievements only make sense when they are connected to a collective purpose." There is an entire career philosophy embedded in that sentence, and more than that, a worldview that refuses to privatize success. For Celeste, a victory that isn't shared, that isn't anchored in something larger than the self, doesn't carry real weight. That philosophy shows up in the way she takes care of herself, too. Behind a schedule that includes the Attorney's Office, Pró-Vítima, academia and the legislative chambers, there is a woman who learned, over time, to respect her own limits. "There were phases when I dedicated myself almost entirely to work, at the expense of leisure and even physical health," she acknowledges. "Today, with more maturity, I understand that there is time for everything." Strength training, Pilates, good books and travel are part of a routine she maintains with discipline, not for appearances, but for sustainability. The same logic she applies at work: without balance, the journey cannot be sustained with any real fullness. She marks her victories with gratitude and with the right people. Often alongside her husband, Pedro Eduardo, over a good glass of wine. Always sharing the moment with those who walked alongside her. She has a particular tenderness for everyone at Pró-Vítima. "We are more than a group," she says. "We are a family. Victories mean even more when they are shared with those who were there in the hardest moments." There is something deeply revealing in the way she chooses who to celebrate with. Someone who values the people who stay through the hard times, and not only for the ceremonies, is making a quiet statement about what actually matters. When asked what keeps her going, after everything she has already built, her answer does not come as a list of goals or milestones. It comes as a specific image. "It is the feeling of duty fulfilled when someone leaves a genuinely supportive session with their pain acknowledged, their dignity respected and a concrete perspective on rebuilding," she says. "That is what gives meaning to my work." It is not an abstract statement about impact or legacy. It is the image of one specific person walking out of one specific room with something they did not walk in with: hope that has a shape. For those at the beginning of their careers, searching for purpose, her advice is the kind that sounds simple but demands real courage to follow: "Do what fulfills you. If you are not satisfied, be the instrument of the change you want to see. Do not worry excessively about what others think: often, the discomfort you provoke is a sign that you are touching something important." And she adds something that says everything about the kind of career she herself has built: "Never underestimate the value of being surrounded by people who stay in the difficult moments, not only in the victories." If she could go back to the beginning, she says she would tell herself to worry less, trust the process more, and express gratitude more often. She would also leave one gentle reminder: every challenge overcome, every person who stood alongside her, helped construct the path that brought her to where she is now. There is nothing in the journey to regret, only to recognize. Prosecutor. Scholar. Protector. But above all, the woman who asked a simple question and refused to stop until she found the right answer: where, inside this system, is the victim's place? The answer she built does not live only in books or legislation. It lives in every session that ends with a person finally feeling seen. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Prosecutor, Doctor of Law, and Protector. Versión en Español Portada | Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Fiscal. Doctora. Protectora. Hay una vocación infrecuente que no se conforma con la competencia técnica. Que va más allá del cumplimiento del deber, más allá del título, más allá del reconocimiento. Es aquella que nace con una pregunta incómoda, difícil de acallar: ¿a quién sirve realmente este sistema? Celeste Leite dos Santos lleva esa pregunta consigo desde el inicio de su carrera, y ha pasado más de diecinueve años convirtiendo la incomodidad en acción, la indignación en legislación y el silencio de las víctimas en política pública. Fiscal superior del Colegio Recursal de la Fiscalía del Estado de São Paulo, doctora en Derecho Civil por la USP, máster en Derecho Penal por la PUC-SP, con especialización en Derecho Penal Económico por la Universidad de Coimbra, y presidenta del Instituto Brasileño de Atención Integral a la Víctima, el Pró-Vítima, es, antes que cualquier título, la mujer que le recordó al sistema que la Justicia también debe mirar a los ojos a quien ha sufrido. Creció escuchando el rumor de las ideas en movimiento. Su madre, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, profesora universitaria, estuvo siempre por delante de su tiempo, con una inteligencia pionera y una sabiduría admirable para afrontar los problemas de la vida. Su padre, el médico psiquiatra forense José Américo dos Santos, fue una referencia constante por la precisión con que analizaba cada situación. Hermanos, amigos cercanos, personas que permanecieron en los momentos difíciles y no solo en las victorias: esa es la red de afecto e intelectualidad que forjó a la mujer en que Celeste se convertiría. "Soy hija de una profesora universitaria y fue a través del ejemplo que recibí desde pequeña que aprendí a valorar el conocimiento", cuenta, con la naturalidad de quien nunca ha separado la formación humana de la formación profesional. Esa naturalidad, sin embargo, fue puesta a prueba muy pronto. Con apenas dos meses de carrera, Celeste asumió la Fiscalía Regional de Medio Ambiente en una pequeña ciudad del interior del estado y se encontró ante un caso de proporciones internacionales: una empresa minera que contaminaba ríos con graves consecuencias para la salud de la población. La resistencia fue enorme. El coste personal, elevado. Pero fue precisamente en aquel momento, frente a la presión y la complejidad del caso, cuando algo se confirmó dentro de ella. "La sensación de deber cumplido me confirmó que estaba en el camino correcto", recuerda. No había romanticismo en esa certeza. Había claridad, esa que solo aparece cuando una persona descubre, temprano, la verdadera dimensión de lo que es capaz de enfrentar. Lo que ha movido a Celeste desde entonces no ha sido la ambición por cargos ni por reconocimientos, sino una insatisfacción productiva con lo que observaba. Durante años, el sistema de justicia penal brasileño funcionó con una lógica que ella describe hoy con una precisión perturbadora: se limitaba a la respuesta penal, procesaba al acusado, aplicaba la pena y, al final, la víctima permanecía en los márgenes, sin voz, sin acompañamiento, sin una perspectiva concreta de reconstrucción vital. No por negligencia individual, sino por una brecha estructural que todos veían y pocos estaban dispuestos a colmar. "Estaba insatisfecha con un sistema que muchas veces se limita a la respuesta penal sin producir transformaciones sociales significativas, especialmente para la víctima", explica. De esa insatisfacción nació el Proyecto AVARC, Acogida de Víctimas, Análisis y Resolución de Conflictos, desarrollado en el seno de la Fiscalía del Estado de São Paulo. El AVARC no surgió como una propuesta teórica elaborada en un despacho. Surgió de la conjunción entre la teoría y la práctica, entre lo que Celeste estudiaba en la academia y lo que presenciaba cada día como fiscal. El proyecto fue reconocido por el Consejo Nacional de la Fiscalía General como una de las iniciativas más relevantes del ámbito, se convirtió en ley en el Distrito Federal e inspiró directamente la propuesta del Estatuto de la Víctima, el Proyecto de Ley nº 3.890/2020. Además, la propuesta que Celeste presentó al entonces Consejero Marcelo Weitzel fue acogida prácticamente en su integridad, dando lugar a una política nacional de protección, apoyo y desvictimización en el ámbito de la Fiscalía brasileña. Cada uno de esos pasos representa no solo un logro técnico, sino una transformación concreta en la vida de personas que llegaron al sistema con la herida todavía abierta y necesitaron encontrar en él algo más que un expediente. "Uniendo teoría y práctica, conseguimos devolver a la víctima al centro del sistema de justicia", resume, con la precisión de quien sabe exactamente lo que ha construido. Es una frase breve para un logro que costó décadas. Ninguna trayectoria de transformación real ocurre, sin embargo, sin resistencia. Cuando Celeste asumió la Dirección de la Mujer en la Asociación Paulista de la Fiscalía, junto a compañeras tan firmes y comprometidas como ella, emprendieron una lucha activa por la igualdad de derechos de las mujeres dentro y fuera de la institución. La reacción no fue pasiva. Hubo intentos deliberados de descreditar su trayectoria, un patrón que ella nombra sin eufemismos y sin amargura: acoso institucional. "Aprendí, en ese proceso, que el acoso moral organizacional existe, es real y todavía silencia a muchas mujeres", afirma. También aprendió que perseverar no basta por sí solo: cambiar realidades arraigadas exige valentía, pero también estrategia y herramientas concretas. La indignación, comprendió, debe traducirse en argumento, en proyecto, en ley. Lo que distingue a Celeste no es únicamente lo que ha construido, sino la manera en que ha atravesado ese proceso de construcción sin perder su esencia. "El éxito no me alejó de la realidad ni de mi sentido de responsabilidad", dice con convicción. "Solo reforzó la certeza de que aún queda mucho trabajo por delante y de que los logros solo tienen sentido cuando están ligados a un propósito colectivo." Hay en esa frase una filosofía entera de carrera y, más allá de eso, una visión del mundo que rechaza la privatización del éxito. Para ella, una victoria que no se comparte, que no está anclada en algo mayor que el propio ego, carece de peso real. Esa misma postura se revela en la forma en que cuida de sí misma. Detrás de una agenda que incluye la Fiscalía, el Pró-Vítima, la academia y las cámaras legislativas, hay una mujer que ha aprendido con los años a respetar sus propios límites. "Hubo etapas en que me dediqué casi íntegramente al trabajo, en detrimento del ocio e incluso de la salud física", admite. "Hoy, con más madurez, entiendo que hay tiempo para todo." El entrenamiento de fuerza, el pilates, las lecturas placenteras y los viajes forman parte de una rutina que cultiva con disciplina, no por cuestión estética, sino por sostenibilidad. La misma lógica que aplica al trabajo: sin equilibrio, el camino no puede recorrerse con plenitud. Celebra sus logros con gratitud y en la compañía adecuada. A menudo junto a su marido, Pedro Eduardo, con una buena copa de vino. Siempre compartiendo el momento con quienes caminaron a su lado. Siente un cariño especial por todos en el Pró-Vítima. "Somos más que un grupo", dice. "Somos una familia. Las victorias cobran aún más sentido cuando se comparten con quienes estuvieron presentes en los momentos más difíciles." Hay algo muy revelador en esa forma de elegir con quién celebrar. Quien valora a las personas que permanecen en los momentos duros, y no solo en las ceremonias de reconocimiento, está haciendo una afirmación silenciosa sobre lo que verdaderamente importa. Cuando se le pregunta qué la mantiene en movimiento, después de todo lo que ha construido, su respuesta no llega en forma de lista de objetivos. Llega como una imagen concreta. "Es la sensación de deber cumplido cuando alguien sale de una atención verdaderamente acogedora con su dolor reconocido, su dignidad respetada y una perspectiva real de reconstrucción", dice Celeste. "Eso es lo que da sentido a mi trabajo." No es una declaración abstracta sobre impacto o legado. Es la imagen de una persona específica, saliendo de una sala con algo que no tenía al entrar: esperanza con contornos reales. Para quienes están al inicio de su camino y buscan propósito, su consejo suena sencillo, pero exige verdadera valentía para aplicarse: "Haz lo que te realiza. Si no estás satisfecho, sé el instrumento del cambio que deseas ver. No te preocupes en exceso por el juicio ajeno: muchas veces, la incomodidad que provocas es señal de que estás tocando algo importante." Y añade algo que dice mucho sobre el tipo de carrera que ella misma ha construido: "Nunca subestimes el valor de estar rodeado de personas que permanecen en los momentos difíciles, y no solo en las victorias." Si pudiera volver al principio, dice que se diría a sí misma que se preocupara menos, que confiara más en el proceso y que expresara gratitud con mayor frecuencia. También se dejaría un recordatorio amable: cada obstáculo superado, cada persona que estuvo a su lado, ayudó a construir la trayectoria que la trajo hasta aquí. No hay nada en el camino que lamentar, solo que reconocer. Fiscal. Doctora. Protectora. Pero, por encima de cualquier título, la mujer que hizo una pregunta sencilla y se negó a detenerse hasta encontrar la respuesta correcta: ¿dónde está, en este sistema, el lugar de la víctima? La respuesta que ella construyó no vive únicamente en los libros ni en las leyes. Vive en cada atención que termina con una persona sintiéndose, por fin, vista. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Portada | Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Fiscal. Doctora. Protectora.
- Dispersão te enfraquece por Henry Ayres
Existe uma frase que, quando você ouve pela primeira vez, parece simples demais. Quase óbvia. Mas que, quando você para de verdade para olhar para a sua agenda, para a sua lista de tarefas, para os seus "projetos importantes", ela cai como um balde de água fria: "Se você tem mais de três prioridades, você não tem nenhuma." Jim Collins disse isso. E ele estava certo de um jeito que dói. Vivemos numa cultura que glorifica o excesso de compromissos. Quanto mais ocupado você parece, mais importante você parece. A agenda cheia virou troféu. A reunião às 7h da manhã virou símbolo de dedicação. E no meio de tudo isso, a gente vai empilhando prioridades como se a palavra ainda tivesse algum significado, quando, na prática, ela perdeu completamente o seu peso. O Paradoxo da Lista Infinita Prioridade, por definição, é singular. Vem do latim prior, o que vem antes. Uma coisa. A que está na frente. Quando você tem dez prioridades, nenhuma delas está na frente. Todas estão no mesmo plano, brigando pela sua atenção, consumindo a sua energia em doses iguais e insuficientes. O resultado não é produtividade. É dispersão com aparência de movimento. Eu já fui esse profissional. Cheio de iniciativas, projetos paralelos, metas ambiciosas em múltiplas frentes ao mesmo tempo. A sensação era de que eu estava construindo muito. Mas olhando para trás, percebi que estava construindo pouco em muitos lugares e terminando quase nada de verdade. A Coragem de Escolher Menos O que Collins nos provoca a fazer não é simples. É, talvez, o exercício mais difícil de liderança e autogestão que existe: escolher. E escolher de verdade significa abrir mão. Significa dizer não para coisas boas para poder dizer sim para as coisas certas. Isso exige maturidade. Exige que você conheça o suficiente sobre você mesmo e sobre o seu negócio para saber o que realmente move o ponteiro. Três prioridades não é pouco. Três prioridades, executadas com profundidade, consistência e energia real, têm o poder de transformar uma carreira, uma empresa, uma vida. O problema é que a maioria das pessoas nunca vai descobrir isso porque nunca teve a coragem de chegar a três. O que Fica Quando Você Corta o Ruído Quando você decide o que importa de verdade, algo muda no seu dia. A clareza que surge não é só organizacional, ela é emocional. Você acorda sabendo para onde vai. As suas decisões ficam mais rápidas porque o critério está claro. O seu time entende melhor onde colocar energia. E você, ao final do dia, sente aquela rara sensação de ter avançado de verdade, e não apenas sobrevivido à agenda. Foco não é limitação. Foco é poder. É a diferença entre a luz espalhada de uma lâmpada e a luz concentrada de um laser. O mesmo recurso, resultados completamente diferentes. A Pergunta que Muda Tudo Se você fizer uma pausa agora e listar suas prioridades para esta semana, quantas seriam? Dez? Quinze? E se fosse necessário reduzir essa lista para apenas três, quais permaneceriam? Essa questão, por mais desconfortável que seja, é exatamente o ponto de partida para a transformação. Maturidade profissional não é acumular responsabilidades. É saber, com cada vez mais precisão, o que não merece o seu melhor. É ter a disciplina de proteger o que importa do barulho do que é apenas urgente. Jim Collins não estava pregando minimalismo por minimalismo. Ele estava defendendo intenção. A escolha consciente de onde você planta a sua energia. Porque no fim, o que você faz com foco cresce. O que você divide demais, enfraquece. Artigo: Dispersão te enfraquece por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca e Conteúdo na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal por Dr. Aonio Genicolo Vieira
Imagine encontrar jovens de 20 a 30 anos com uma boca que parece ter mais de 60. Essa é, em essência, a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB): uma condição em que as estruturas bucais apresentam um desgaste clínico completamente incompatível com a idade real do paciente. A síndrome é modulada pelo estilo de vida e por hábitos específicos, e se manifesta por meio de uma série de alterações que vão muito além da estética. Entre os sinais mais comuns estão a desmineralização do esmalte dentário, a xerostomia (boca seca), fraturas e trincas no esmalte, hipersensibilidade dentinária, recessões gengivais por reabsorção óssea e danos pulpares reversíveis e irreversíveis, todos sem qualquer relação com cárie dental. O problema não para nos dentes. O desgaste excessivo nas faces mastigatória e de corte provoca perda da dimensão vertical da face, sobrecarregando as articulações temporomandibulares (ATMs) e os músculos mastigatórios, o que gera dor, desconforto e comprometimento funcional progressivo. O que causa a SEPB? As origens da síndrome estão diretamente ligadas ao estilo de vida da geração atual. Entre os principais fatores causais estão: A prática intensa de CrossFit, que impõe sobrecarga nos músculos mastigatórios durante os treinos, comprometendo diretamente os dentes O uso de ansiolíticos, antidepressivos e medicamentos para dormir, cujos efeitos colaterais incluem bruxismo noturno e xerostomia A redução da saliva, que priva a boca de sua lubrificação natural e favorece o desgaste acelerado dos dentes Diagnóstico e tratamento Identificar a SEPB exige conhecimento clínico apurado do cirurgião-dentista, já que suas características podem ser sutis nos estágios iniciais. O tratamento, por sua vez, precisa ser multiprofissional: a etiologia da síndrome vai além do campo odontológico, e ignorar esse contexto compromete os resultados. A primeira etapa consiste em estabilizar o processo com placas oclusais lisas para proteger os dentes e restabelecer a dimensão vertical da face, associadas à aplicação de toxina botulínica funcional nos músculos mastigatórios. O aconselhamento para mudança de hábitos nocivos também é fundamental, com indicação de técnicas de relaxamento e acompanhamento terapêutico. Após a estabilização, parte-se para a reabilitação oral com lentes de contato dental ou coroas totais. Dr. Aonio Genicolo Vieira https://www.instagram.com/dr.aoniovieira/












