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A Clareza como ato de Coragem por Henry Ayres

  • Foto do escritor: Henry Ayres
    Henry Ayres
  • 2 de mai.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de mai.

Henry Ayres


Existe uma frase de Peggy Noonan que me persegue há anos, do jeito bom, sabe? Aquele tipo de ideia que você carrega na cabeça sem perceber, e que aparece toda vez que você está prestes a complicar o que poderia ser simples. Ela diz:


"As pessoas lembram da clareza, não da inteligência."

Na primeira vez que li, achei quase injusto. Tantos anos estudando, acumulando referências, construindo argumentos com camadas, e o que fica? O que é fácil de entender. Parecia uma derrota disfarçada de conselho.


Mas Noonan não estava sugerindo que a inteligência não importa. Ela estava dizendo algo mais sofisticado: que a inteligência sem clareza é um monólogo.


É brilhante, talvez. Impressionante, talvez. Mas não conecta. E comunicação que não conecta é apenas ruído bem articulado.

Clareza não é simplificação. Não é escrever para quem não sabe. É escrever para quem sabe e mesmo assim fazer o esforço de ser entendido sem que o outro precise se esforçar de volta.


Isso exige algo que a inteligência pura raramente exige: generosidade. A disposição de abrir mão do jargão que impressiona, da frase longa que demonstra domínio, do parágrafo que prova que você leu muito, em troca de uma ideia que chegue limpa, direta e que seja levada por todos quando forem.


É, na verdade, um ato de coragem. Porque ser claro é ser exposto. Não há onde se esconder numa frase simples.


O que fica? Pense nas comunicações que mudaram sua forma de ver o mundo. As falas que você ainda cita. Os textos que você volta a ler. Raramente são os mais elaborados. São os que chegaram sem pedir licença e ficaram.


A inteligência abre portas, mas a clareza é o que faz as pessoas entrarem e lembrarem que estiveram lá.



Artigo: A Clareza como ato de Coragem por Henry Ayres


Henry Ayres é Head de Marca, Conteúdo e Digital na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.

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