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Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal por Dr. Aonio Genicolo Vieira

  • Foto do escritor: Profº Drº Aonio Genicolo Vieira
    Profº Drº Aonio Genicolo Vieira
  • 25 de abr.
  • 2 min de leitura


Dr. Aonio Genicolo Vieira

Imagine encontrar jovens de 20 a 30 anos com uma boca que parece ter mais de 60. Essa é, em essência, a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB): uma condição em que as estruturas bucais apresentam um desgaste clínico completamente incompatível com a idade real do paciente.


A síndrome é modulada pelo estilo de vida e por hábitos específicos, e se manifesta por meio de uma série de alterações que vão muito além da estética. Entre os sinais mais comuns estão a desmineralização do esmalte dentário, a xerostomia (boca seca), fraturas e trincas no esmalte, hipersensibilidade dentinária, recessões gengivais por reabsorção óssea e danos pulpares reversíveis e irreversíveis, todos sem qualquer relação com cárie dental.


O problema não para nos dentes. O desgaste excessivo nas faces mastigatória e de corte provoca perda da dimensão vertical da face, sobrecarregando as articulações temporomandibulares (ATMs) e os músculos mastigatórios, o que gera dor, desconforto e comprometimento funcional progressivo.


O que causa a SEPB?


As origens da síndrome estão diretamente ligadas ao estilo de vida da geração atual.


Entre os principais fatores causais estão:


  • A prática intensa de CrossFit, que impõe sobrecarga nos músculos mastigatórios durante os treinos, comprometendo diretamente os dentes

  • O uso de ansiolíticos, antidepressivos e medicamentos para dormir, cujos efeitos colaterais incluem bruxismo noturno e xerostomia


  • A redução da saliva, que priva a boca de sua lubrificação natural e favorece o desgaste acelerado dos dentes


Diagnóstico e tratamento


Identificar a SEPB exige conhecimento clínico apurado do cirurgião-dentista, já que suas características podem ser sutis nos estágios iniciais. O tratamento, por sua vez, precisa ser multiprofissional: a etiologia da síndrome vai além do campo odontológico, e ignorar esse contexto compromete os resultados.


A primeira etapa consiste em estabilizar o processo com placas oclusais lisas para proteger os dentes e restabelecer a dimensão vertical da face, associadas à aplicação de toxina botulínica funcional nos músculos mastigatórios. O aconselhamento para mudança de hábitos nocivos também é fundamental, com indicação de técnicas de relaxamento e acompanhamento terapêutico. Após a estabilização, parte-se para a reabilitação oral com lentes de contato dental ou coroas totais.


Dr. Aonio Genicolo Vieira

 
 
 

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