Bifosfonados e seus riscos para a saúde oral
- Profº Drº Aonio Genicolo Vieira

- 7 de mar.
- 3 min de leitura

A saúde óssea é fundamental para a qualidade de vida, principalmente após os 50 anos. Duas condições bastante comuns nessa fase são a osteopenia e a osteoporose, doenças que reduzem a densidade óssea e aumentam o risco de fraturas.Entre os tratamentos mais utilizados estão os medicamentos chamados bifosfonados, como o Alendronato. Mas será que eles são sempre a melhor opção? E quais são os riscos envolvidos? Vamos entender.
O que são bifosfonados?
Os bifosfonados são medicamentos que diminuem a reabsorção óssea, ajudando a manter a densidade dos ossos e reduzindo o risco de fraturas, especialmente de quadril e coluna.Eles são amplamente prescritos para pacientes com osteoporose diagnosticada e risco elevado de fraturas.
Entre os mais conhecidos estão:Alendronato (Alendil, Bonalen, Minusorb, Osteofar, Terost, Boneprev e Arendal)Risedronato (Actonel, D’Orto, Fixenato, Indosso, Osteoblock, Risedronel, Risedross e Risonato)Ibandronato (Bonviva, Osteoan, Iban e Osteotec)Ácido zoledrônico (Aclasta, Zometa, Densis, Azentex, Blaztere e Zoledra)
Embora sejam eficazes na prevenção de fraturas, os bifosfonados podem causar um efeito colateral chamado osteonecrose dos maxilares.Essa condição ocorre quando o osso da mandíbula ou da maxila perde sua vitalidade (morre) devido à diminuição da renovação óssea e da circulação sanguínea local.
Ela pode surgir principalmente após:
Extrações dentárias
Implantes
Cirurgias orais
Infecções dentárias
Os sintomas podem incluir:
Dor persistente
Exposição óssea na boca
Infecção local
Dificuldade de cicatrização
O risco é maior em pacientes que usam bifosfonados intravenosos (comuns em tratamentos oncológicos), mas também pode ocorrer, embora com menor frequência, em pacientes que utilizam a medicação por via oral por longos períodos.
Vale a pena usar bifosfonados?
A resposta depende do caso.Para pacientes com osteoporose estabelecida e alto risco de fratura, os benefícios geralmente superam os riscos. As fraturas de fêmur e coluna podem trazer consequências graves, inclusive risco aumentado de mortalidade.
Já em casos de osteopenia leve, é importante avaliar individualmente:
Idade
Histórico de fraturas
Histórico familiar
Níveis hormonais
Níveis de vitamina D
Estilo de vida
Nem todo paciente com osteopenia necessita imediatamente de medicação.
Alternativa natural ou complementar
Alguns nutrientes são fundamentais para a saúde óssea e podem ser utilizados como suporte ou, em determinados casos, como estratégia inicial:
Vitamina D3: essencial para a absorção de cálcio. Baixos níveis estão associados à perda óssea.
Cálcio: componente estrutural dos ossos. Pode ser obtido na alimentação ou suplementação quando necessário.
Magnésio: participa da formação da matriz óssea e auxilia na ativação da vitamina D.
Vitamina K2 (MK-7): ajuda a direcionar o cálcio para os ossos e evita sua deposição inadequada nas artérias.
Esses nutrientes não substituem automaticamente os bifosfonados em casos graves, mas podem:
Prevenir a progressão da osteopenia
Melhorar a qualidade óssea
Reduzir o risco cardiovascular associado ao excesso de cálcio isolado
A decisão deve ser sempre individualizada e acompanhada por um médico.
A importância da avaliação odontológica
Antes de iniciar o uso de bifosfonados, é altamente recomendável realizar uma avaliação odontológica completa.Tratamentos invasivos devem ser feitos antes do início da medicação sempre que possível.Pacientes que já utilizam o medicamento devem informar seu dentista antes de qualquer procedimento cirúrgico.A prevenção é a melhor estratégia.
Conclusão
Os bifosfonados são medicamentos eficazes e importantes no tratamento da osteoporose, mas não são isentos de riscos.A osteonecrose dos maxilares é uma complicação rara, porém séria, que exige atenção e acompanhamento odontológico.
Em muitos casos, especialmente na osteopenia, pode-se considerar inicialmente uma abordagem com:
Ajuste alimentar
Exercícios com carga
Exposição solar adequada
Suplementação orientada de vitamina D3, magnésio, cálcio e vitamina K2 (MK-7)
A melhor conduta é sempre individualizada, equilibrando riscos e benefícios.
Aonio Genicolo Vieira




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