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  • A Guardiã do "Colar de Pérolas" e a Força Estratégica das Patentes

    I. INTRODUÇÃO: UMA CIENTISTA, UMA DESCOBERTA, UMA NAÇÃO Há momentos na história da ciência brasileira em que um nome se destaca não apenas pela grandeza da descoberta, mas pela resiliência com que enfrenta os desafios de um ecossistema de inovação ainda em maturação. Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, é um desses nomes. Ao desenvolver a polilaminina – a molécula que a própria pesquisadora poeticamente batizou de "colar de pérolas" por sua estrutura e função na regeneração de neurônios – Tatiana não apenas acendeu uma luz de esperança para milhões de pessoas com lesões medulares em todo o mundo. Ela recolocou o Brasil no mapa da inovação farmacêutica global e, mais importante, trouxe para o centro do debate público um instrumento jurídico frequentemente negligenciado, mas absolutamente vital: a patente. Sua trajetória, marcada por uma descoberta genial em laboratório, pela luta contra a escassez de recursos e, recentemente, por uma explosão de reconhecimento midiático (incluindo sua memorável participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 23 de fevereiro de 2026), é um estudo de caso perfeito sobre como a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/96) pode – e deve – ser um poderoso vetor de desenvolvimento econômico e social. II. A METÁFORA DO "COLAR DE PÉROLAS" E A GÊNESE DA INOVAÇÃO Durante sua entrevista ao Roda Viva, Tatiana presenteou o público com uma imagem de rara beleza e simplicidade. Ela descreveu como, ao observar a laminina (proteína natural) fracionada em laboratório, viu as pequenas estruturas se associarem como um colar. Indagou-se: será que a "pérola" sozinha tem a mesma função do "colar"? A resposta, após anos de pesquisa, mostrou-se revolucionária: não. O "colar" – a polilaminina sintetizada – era capaz de promover a regeneração neuronal de forma muito mais eficaz. Essa narrativa é a tradução mais pura do que significa inovar. Não se trata apenas de criar algo do zero, mas de observar, questionar e, sobretudo, proteger esse conhecimento. E é exatamente aí que a Lei 9.279/96 entra em cena como protagonista. A patente não é, como alguns pensam, um mero documento burocrático. Ela é a certidão de nascimento de uma invenção, o reconhecimento estatal de que uma ideia saiu do campo da especulação e se materializou como uma solução técnica aplicável, dotada de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial (art. 8º da LPI). III. A LEI 9.279/96 COMO ESCUDO E CATAPULTA ECONÔMICA A trajetória da polilaminina ilustra, com precisão cirúrgica, a dupla função do instituto da patente: proteger e incentivar. 3.1. A Função Protetiva (Escudo) Quando a UFRJ depositou o primeiro pedido de patente da polilaminina em 2007, estava, na verdade, demarcando um território. A patente assegura ao titular o direito de excluir terceiros de produzir, usar ou comercializar a invenção sem autorização (art. 42 da LPI). É uma blindagem temporária – de 20 anos – que impede o aproveitamento parasitário e garante que o esforço intelectual e financeiro investido na pesquisa seja respeitado. O caso da polilaminina ganhou contornos dramáticos quando se discutiu a "perda" da patente internacional original. Como bem esclareceu a própria pesquisadora no Roda Viva, a decisão de não prosseguir com a proteção internacional naquele momento foi uma avaliação técnica da universidade, que considerou o alto custo diante da incerteza sobre a aceitação do pedido nos Estados Unidos e na Europa. Trata-se, como bem apontaram especialistas, de um problema sistêmico de subfinanciamento da ciência, e não de uma falha isolada. Aqui reside uma lição crucial: a ausência de proteção internacional expõe a inovação ao risco de ser explorada por terceiros em outros mercados sem qualquer contrapartida ao inventor. É o retrato cruel de como a falta de recursos pode ceifar o potencial econômico de uma descoberta brasileira. 3.2. A Função de Incentivo (Catapulta) A reviravolta na história da polilaminina ocorre com a entrada em cena do Laboratório Cristália. Em 2021, a empresa firmou parceria com a UFRJ e, a partir de 2022/2023, assumiu a responsabilidade por novos pedidos de patente, desta vez focados nos processos de produção mais eficientes. Essa é a face mais nobre do sistema de patentes. A expectativa de exclusividade futura (até 2042/2043) atraiu o investimento privado. O Cristália não está fazendo filantropia; está apostando em um ativo intangível que, se validado cientificamente e protegido legalmente, poderá gerar retorno econômico para a empresa e, por tabela, para a universidade (por meio de royalties) e para o país. A Lei 9.279/96, portanto, funciona como uma ponte entre o laboratório público e o mercado privado. Ela dá segurança jurídica para que empresas invistam milhões em pesquisa aplicada, desenvolvimento de escala, testes clínicos e, finalmente, registro na Anvisa. Sem a perspectiva da patente, o risco seria alto demais e o investimento, inviável. IV. O ALERTA NECESSÁRIO: NÃO HÁ INOVAÇÃO SEM PROTEÇÃO Em sua entrevista ao Roda Viva, Tatiana Sampaio fez questão de emitir um alerta público: "Os medicamentos experimentais não podem ser cobrados. Ninguém paga pela polilaminina. Ela está sendo doada e fornecida sem custos pelo laboratório Cristália." A declaração, embora de natureza ética e científica, tem profundas implicações jurídicas. Ela resguarda a imagem da pesquisa e do laboratório parceiro, evitando a associação com golpes ou comercialização ilegal. Mas também estabelece um padrão de conduta que poderá ser invocado no futuro para coibir infrações. Enquanto os novos pedidos de patente tramitam (gerando a chamada "expectativa de direito"), o Cristália e a UFRJ já podem monitorar o mercado. Se um concorrente, aguardando a eventual expiração da proteção ou apostando na fragilidade dos novos pedidos, resolver produzir a polilaminina sem autorização, poderá ser responsabilizado. E mais: se a patente vier a ser concedida, os Tribunais brasileiros, amparados no art. 44 da LPI, poderão condenar o infrator ao pagamento de indenização retroativa, incluindo os lucros auferidos indevidamente. V. O CICLO VIRTUOSO: PATENTE, INVESTIMENTO, DESENVOLVIMENTO A história de Tatiana Sampaio e da polilaminina nos ensina que a inovação não é um ato isolado. Ela é um ecossistema que exige: Pesquisa de excelência, como a realizada na UFRJ; Proteção jurídica robusta, por meio de patentes nacionais e, sempre que possível, internacionais; Investimento privado, atraído pela segurança jurídica da exclusividade temporária; Retorno econômico. Paulo Roberto Mariano da Silva é advogado, especialista em Propriedade Intelectual e Empresarial e colunista desta revista. Este texto teve a co-autoria dos advogados Roger de Castro Kneblewski e Fábio Generoso. Todos sócios da KLMG Advogados contato@klmgadvogados.adv.br

  • Bifosfonados e seus riscos para a saúde oral

    A saúde óssea é fundamental para a qualidade de vida, principalmente após os 50 anos. Duas condições bastante comuns nessa fase são a osteopenia e a osteoporose, doenças que reduzem a densidade óssea e aumentam o risco de fraturas.Entre os tratamentos mais utilizados estão os medicamentos chamados bifosfonados, como o Alendronato. Mas será que eles são sempre a melhor opção? E quais são os riscos envolvidos? Vamos entender. O que são bifosfonados? Os bifosfonados são medicamentos que diminuem a reabsorção óssea, ajudando a manter a densidade dos ossos e reduzindo o risco de fraturas, especialmente de quadril e coluna.Eles são amplamente prescritos para pacientes com osteoporose diagnosticada e risco elevado de fraturas. Entre os mais conhecidos estão:Alendronato (Alendil, Bonalen, Minusorb, Osteofar, Terost, Boneprev e Arendal)Risedronato (Actonel, D’Orto, Fixenato, Indosso, Osteoblock, Risedronel, Risedross e Risonato)Ibandronato (Bonviva, Osteoan, Iban e Osteotec)Ácido zoledrônico (Aclasta, Zometa, Densis, Azentex, Blaztere e Zoledra) Embora sejam eficazes na prevenção de fraturas, os bifosfonados podem causar um efeito colateral chamado osteonecrose dos maxilares.Essa condição ocorre quando o osso da mandíbula ou da maxila perde sua vitalidade (morre) devido à diminuição da renovação óssea e da circulação sanguínea local. Ela pode surgir principalmente após: Extrações dentárias Implantes Cirurgias orais Infecções dentárias Os sintomas podem incluir: Dor persistente Exposição óssea na boca Infecção local Dificuldade de cicatrização O risco é maior em pacientes que usam bifosfonados intravenosos (comuns em tratamentos oncológicos), mas também pode ocorrer, embora com menor frequência, em pacientes que utilizam a medicação por via oral por longos períodos. Vale a pena usar bifosfonados? A resposta depende do caso.Para pacientes com osteoporose estabelecida e alto risco de fratura, os benefícios geralmente superam os riscos. As fraturas de fêmur e coluna podem trazer consequências graves, inclusive risco aumentado de mortalidade. Já em casos de osteopenia leve, é importante avaliar individualmente: Idade Histórico de fraturas Histórico familiar Níveis hormonais Níveis de vitamina D Estilo de vida Nem todo paciente com osteopenia necessita imediatamente de medicação. Alternativa natural ou complementar Alguns nutrientes são fundamentais para a saúde óssea e podem ser utilizados como suporte ou, em determinados casos, como estratégia inicial: Vitamina D3:  essencial para a absorção de cálcio. Baixos níveis estão associados à perda óssea. Cálcio:  componente estrutural dos ossos. Pode ser obtido na alimentação ou suplementação quando necessário. Magnésio:  participa da formação da matriz óssea e auxilia na ativação da vitamina D. Vitamina K2 (MK-7):  ajuda a direcionar o cálcio para os ossos e evita sua deposição inadequada nas artérias. Esses nutrientes não substituem automaticamente os bifosfonados em casos graves, mas podem: Prevenir a progressão da osteopenia Melhorar a qualidade óssea Reduzir o risco cardiovascular associado ao excesso de cálcio isolado A decisão deve ser sempre individualizada e acompanhada por um médico. A importância da avaliação odontológica Antes de iniciar o uso de bifosfonados, é altamente recomendável realizar uma avaliação odontológica completa.Tratamentos invasivos devem ser feitos antes do início da medicação sempre que possível.Pacientes que já utilizam o medicamento devem informar seu dentista antes de qualquer procedimento cirúrgico.A prevenção é a melhor estratégia. Conclusão Os bifosfonados são medicamentos eficazes e importantes no tratamento da osteoporose, mas não são isentos de riscos.A osteonecrose dos maxilares é uma complicação rara, porém séria, que exige atenção e acompanhamento odontológico. Em muitos casos, especialmente na osteopenia, pode-se considerar inicialmente uma abordagem com: Ajuste alimentar Exercícios com carga Exposição solar adequada Suplementação orientada de vitamina D3, magnésio, cálcio e vitamina K2 (MK-7) A melhor conduta é sempre individualizada, equilibrando riscos e benefícios. Aonio Genicolo Vieira aonio@aoniovieira.com.br

  • Internacional com alma brasileira

    Quando eu falo da minha gastronomia, eu não falo só de técnica. Eu falo de história, de memória e de palco. Minha cozinha é internacional, sim, mas com alma brasileira. Tem sofisticação, produto nobre, referência europeia… mas tem também afeto, calor e aquele tempero que abraça. Porque luxo, para mim, não é frieza. É emoção bem executada. E foi exatamente isso que entreguei em um jantar para lá de especial no Espaço Zabeu Villa . A ocasião? Um baile de máscaras em comemoração aos 50 anos de uma grande empresária brasileira. O tema: um baile francês. O ambiente? Transformei meu espaço na Paris dos anos 30 — velas, máscaras, brilho, elegância e aquele clima de mistério que só a França sabe inspirar. Mas vamos ao que realmente importa: o menu . E aqui eu ousei. Entrada Vieiras em sobreleito de mousseline de ervilhas e creme de trufas. Delicadeza e profundidade no mesmo prato. A doçura sutil da vieira encontrando a suntuosidade da trufa. Um começo que já anunciava: essa noite seria inesquecível. Primeiro prato Travesseiros grelhados de baroa com fonduta de queijos e vinho, finalizados com camarões grelhados. Textura, cremosidade e intensidade. A baroa trazendo conforto, a fonduta envolvendo o paladar, o camarão trazendo frescor e elegância. Segundo prato Robalo ao duo de champanhe e cará. Robalo grelhado no ponto exato, acompanhado de purê de cará e molho de redução de champanhe. França na técnica. Brasil na raiz. Equilíbrio absoluto. Terceiro prato Vitela recheada com pistache ao molho de bergamota e farofa de coco. Aqui está o que eu mais amo fazer: provocar. A vitela clássica, o pistache trazendo nobreza, a bergamota iluminando o prato… E a farofa de coco lembrando que eu sou brasileiro — e tenho orgulho disso. Foi uma viagem por sabores, luxo e alegria do começo ao fim. Uma experiência pensada prato a prato, emoção a emoção. Porque, para mim, gastronomia não é só servir. É criar memória. E, se você quiser, a próxima viagem gastronômica pode ser a sua. Leandro Zabeu Gallo Chefe de cozinha e Empresário @espacozabeu

  • Capa: Marta Lívia Suplicy revela o poder das mentes que brilham além do sucesso

    Versão em Português Para Marta Lívia, construir uma carreira brilhante é muito mais do que alcançar metas ou conquistar prestígio profissional. É sobre deixar um legado humano, emocional e inspirador nas pessoas e nos lugares por onde passa. “Ter uma carreira brilhante não é só bater metas, é deixar o seu melhor onde esteve e em cada pessoa com quem conviveu”, afirma com serenidade. Foi ao enxergar resultados não apenas econômicos, mas também impacto positivo na vida de outros, que Marta percebeu estar no caminho certo. Mais do que receber reconhecimento, ela se orgulha de cultivar relações, abrir espaços e carregar um profundo senso de responsabilidade com suas conquistas. “O orgulho deve vir acompanhado da consciência de que cada vitória exige manutenção, parceria e propósito.” Conciliar a vida profissional com a pessoal é, segundo ela, um dos maiores desafios — e também uma das suas maiores aprendizagens. Líder associativa, mulher ariana e apaixonada pela convivência familiar, Marta vive o equilíbrio como um exercício diário. “Gestão de vida pessoal é infinitamente mais complexa do que gerir negócios. Uma sempre impacta a outra. Mas os desafios são o combustível da minha jornada”, diz com brilho nos olhos. Para ela, o sucesso não se mede por números individuais, e sim pelo quanto ele é compartilhado e multiplicado. “Sucesso nunca pode ser de um só. Se você cresceu, é porque outras vidas foram impactadas e cresceram com você.” O segredo para manter o bem-estar está na simplicidade: fé, amor, empatia e um lembrete constante para respirar fundo diante das adversidades. “Nunca precisei abrir mão de nada pessoal, mas sim de sentimentos que nos travam — orgulho, ego, julgamentos. Sempre vale a pena abrir mão disso para crescer.” Suas vitórias são celebradas sob o mesmo olhar de humildade e gratidão com que encara sua rotina. “Cada conquista é um agradecimento a Deus e às pessoas que fizeram parte da caminhada.” E entre as inúmeras referências que moldaram sua trajetória, ela faz questão de citar mulheres que abriram caminhos e continuam inspirando diariamente: Dalva Cristofoletti Paes da Silva, Dra. Albertina Duarte, Dra. Ivone Capuano, Ministra Fátima Pelaes, Dra. Cláudia Luna e Jo, da mulher Reviva — esta última, uma heroína que acolhe 400 mulheres por mês vítimas de violência. Motivada pela fé e pela certeza de que cada dia traz uma nova chance de recomeçar, Marta revela sua maior inspiração: “A oportunidade de fazer de novo e somar na vida de alguém é o que me move.” E como mantra de vida, deixa um conselho breve, direto e poderoso: “INSISTA, INVISTA, ACREDITE E JAMAIS DESISTA.” Porque, para ela, felicidade e propósito são bússolas inseparáveis. “Nada que não me faça feliz terá espaço nas minhas decisões. A vitória só tem graça quando é compartilhada com o time.” Ao olhar para trás, Marta se fala com carinho e coragem: “Vai em frente sempre, Marta Lívia! Se algo não ficou na sua vida, é porque nunca foi seu. Lute por você e por todas as mulheres que cruzarem o seu caminho. A verdadeira vitória é coletiva.” Marta Lívia Suplicy é uma líder gaúcha, nascida em Alegrete (RS), com formação em Zootecnia, Pedagogia e Serviço Social, focada em educação comunitária e populações vulneráveis. Sua carreira é marcada por ativismo feminino, presidindo o Instituto Virada Feminina Internacional, movimento que empodera mulheres em educação, política, economia, saúde e empreendedorismo, e integrando conselhos como CNTU, Bem Querer Mulher e Instituto Justiça de Saia . Atuou em conselhos empresariais (como FIESP e CIESP), promovendo equidade de gênero e representatividade feminina, e concorreu a deputada federal em 2018 para combater sub-representação política. Referência em liderança, inspira milhares com foco em independência financeira e causas sociais. English version Marta Lívia: Building a Career That Leaves a Legacy For Marta Lívia, building a brilliant career is about far more than hitting targets or earning professional prestige. It’s about leaving a human, emotional, and inspiring legacy in the people and places she touches. “A brilliant career isn’t just about meeting goals—it’s about leaving your best self wherever you’ve been and with everyone you’ve met,” she says with quiet confidence. It was when she began to see results not only in economic terms but also in the lives she helped transform that Marta knew she was on the right path. More than recognition, what truly fulfills her is cultivating relationships, creating opportunities, and grounding every achievement in purpose. “Pride should always come with the awareness that every victory demands upkeep, partnership, and purpose,” she reflects. Balancing personal and professional life, she admits, is among her greatest challenges—and her most valuable lessons. A natural leader, an Aries by birth, and deeply devoted to family, Marta treats equilibrium as a daily practice. “Personal life management is infinitely more complex than managing a business. One always affects the other. But those challenges are the fuel of my journey,” she says, eyes gleaming. For her, success isn’t defined by individual numbers but by how it is shared and multiplied. “Success can never belong to one person alone. If you’ve grown, it’s because other lives were touched and grew alongside you.” Her recipe for well-being lies in simplicity: faith, love, empathy, and a constant reminder to breathe through adversity. “I’ve never had to give up anything personal—only emotions that hold us back: pride, ego, judgment. Letting go of those is always worth it if it means growth.” Marta celebrates her victories with humility and gratitude, the same way she faces her everyday life. “Every accomplishment is a thank-you to God and to the people who were part of the journey.” She proudly cites the women who inspired and paved the way for her—Dalva Cristofoletti Paes da Silva, Dr. Albertina Duarte, Dr. Ivone Capuano, Minister Fátima Pelaes, Dr. Cláudia Luna, and Jo from Mulher Reviva, a hero who welcomes 400 women every month who are survivors of violence. Driven by faith and the belief that every day brings a chance to begin anew, Marta shares what inspires her most: “The opportunity to start again and make a difference in someone’s life is what keeps me moving.” As her life mantra, she leaves a clear and powerful message: INSIST, INVEST, BELIEVE, AND NEVER GIVE UP. To her, happiness and purpose are inseparable compasses. “Nothing that doesn’t make me happy has space in my decisions. Victory only has meaning when it’s shared with the team.” Looking back, she speaks to herself with tenderness and courage: “Keep moving forward, Marta Lívia. If something didn’t stay in your life, it was never meant to be. Fight for yourself and for every woman who crosses your path. True victory is always collective.” Marta Lívia Suplicy is a Brazilian leader from Alegrete, Rio Grande do Sul, trained in Animal Science, Education, and Social Work, with a career focused on community education and vulnerable populations. She serves as president of Instituto Virada Feminina Internacional—a movement promoting female empowerment in education, politics, economics, health, and entrepreneurship—and sits on several councils, including CNTU, Bem Querer Mulher, and Instituto Justiça de Saia. She has also contributed to business councils such as FIESP and CIESP, advancing gender equity and female representation, and ran for federal office in 2018 to challenge women’s underrepresentation in politics. A reference in leadership, Marta continues to inspire thousands with her unwavering commitment to financial independence, equality, and social causes. Versión en Español Marta Lívia: construir una carrera con propósito y legado Para Marta Lívia, construir una carrera brillante va mucho más allá de alcanzar objetivos o acumular prestigio profesional. Se trata de dejar un legado humano, emocional e inspirador en las personas y en los lugares por donde pasa. “Tener una carrera brillante no consiste solo en cumplir metas, sino en dejar lo mejor de ti allí donde has estado y con cada persona con la que has convivido”, afirma con serenidad. Fue al observar resultados no solo económicos, sino también un impacto positivo en la vida de los demás, cuando Marta comprendió que estaba en el camino correcto. Más que recibir reconocimiento, lo que realmente la enorgullece es cultivar relaciones, abrir espacios y asumir con responsabilidad cada logro. “El orgullo debe ir acompañado de la conciencia de que cada victoria requiere mantenimiento, alianza y propósito”, reflexiona. Conciliar la vida profesional con la personal es, según ella, uno de los mayores desafíos —y al mismo tiempo una de sus más grandes lecciones—. Líder asociativa, ariana y profundamente familiar, Marta vive el equilibrio como un ejercicio diario. “Gestionar la vida personal es infinitamente más complicado que gestionar negocios. Una siempre influye en la otra. Pero los desafíos son el combustible de mi camino”, dice con los ojos brillantes. Para Marta, el éxito no se mide por cifras individuales, sino por cuánto se comparte y se multiplica. “El éxito nunca puede ser de una sola persona. Si has crecido, es porque otras vidas han sido tocadas y han crecido contigo.” Su secreto para mantener el bienestar reside en la sencillez: fe, amor, empatía y un recordatorio constante de respirar hondo ante la adversidad. “Nunca tuve que renunciar a nada personal, sino a emociones que nos bloquean —el orgullo, el ego, los juicios—. Siempre merece la pena desprenderse de ello para crecer.” Celebra sus logros con la misma humildad y gratitud con la que afronta su rutina diaria. “Cada conquista es un agradecimiento a Dios y a las personas que formaron parte del camino.” Y entre las múltiples referentes que moldearon su trayectoria, menciona con orgullo a mujeres que abrieron caminos y la inspiran a diario: Dalva Cristofoletti Paes da Silva, la doctora Albertina Duarte, la doctora Ivone Capuano, la ministra Fátima Pelaes, la doctora Cláudia Luna y Jo, del proyecto Mujer Reviva, una heroína que acoge a 400 mujeres al mes víctimas de violencia. Guiada por la fe y por la certeza de que cada día trae una nueva oportunidad de recomenzar, Marta revela su mayor fuente de inspiración: “La posibilidad de volver a empezar y de sumar en la vida de alguien es lo que me impulsa.” Como mantra vital, deja un consejo breve pero poderoso: INSISTE, INVIERTE, CREE Y JAMÁS TE RINDAS. Para ella, la felicidad y el propósito son brújulas inseparables. “Nada que no me haga feliz tiene cabida en mis decisiones. La victoria solo tiene sentido cuando se comparte con el equipo.” Al mirar atrás, Marta se habla con cariño y valentía: “Sigue siempre adelante, Marta Lívia. Si algo no permaneció en tu vida, es porque nunca fue tuyo. Lucha por ti y por todas las mujeres que se crucen en tu camino. La verdadera victoria es colectiva.” Marta Lívia Suplicy es una líder brasileña, nacida en Alegrete (Rio Grande do Sul), con formación en Zootecnia, Pedagogía y Trabajo Social, centrada en la educación comunitaria y la atención a poblaciones vulnerables. Su trayectoria está marcada por el activismo femenino: preside el Instituto Virada Feminina Internacional, un movimiento que empodera a las mujeres en educación, política, economía, salud y emprendimiento, y participa en consejos como la CNTU, Bem Querer Mulher e Instituto Justiça de Saia. También ha formado parte de consejos empresariales como FIESP y CIESP, promoviendo la equidad de género y la representación femenina, y se presentó como candidata a diputada federal en 2018 para combatir la subrepresentación política. Referente en liderazgo, inspira a miles de mujeres con su compromiso por la independencia económica y las causas sociales.

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