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- Autoestima feminina: o reencontro da mulher com o próprio valor por Aline Luchi
Durante muito tempo, a autoestima feminina foi confundida com aparência, aprovação e performance. A mulher aprendeu que precisava estar bonita, ser agradável, dar conta de tudo, não incomodar, não fracassar e, ainda assim, sorrir. Mas autoestima verdadeira não nasce do espelho. Ela nasce da consciência. Autoestima é a forma como uma mulher se enxerga quando ninguém está elogiando. É a maneira como ela se trata quando erra. É o limite que ela coloca quando percebe que está se diminuindo para caber no afeto de alguém. É a coragem de parar de negociar o próprio valor para ser escolhida. Muitas mulheres não sofrem por falta de beleza, inteligência ou capacidade. Sofrem porque foram ensinadas a duvidar de si. Cresceram tentando merecer amor, tentando provar que eram boas o suficiente, tentando corresponder às expectativas da família, do parceiro, da sociedade e até de uma versão idealizada de si mesmas. A baixa autoestima nem sempre aparece como insegurança visível. Às vezes, ela se esconde na necessidade de agradar, no medo de dizer “não”, na dependência emocional, na comparação constante, na dificuldade de receber elogios, na escolha repetida por relações que machucam e na sensação de nunca estar pronta. Por isso, fortalecer a autoestima feminina é um processo de reconstrução interna. Não é apenas mudar o cabelo, o corpo ou a roupa. É mudar a forma como a mulher conversa consigo. É reconhecer sua história sem se aprisionar nela. É olhar para as feridas emocionais sem permitir que elas continuem definindo suas escolhas. Uma mulher com autoestima fortalecida não se torna fria, arrogante ou inacessível. Ela se torna inteira. Aprende que amor não exige abandono de si. Aprende que ser sensível não significa ser fraca. Aprende que se posicionar não é perder a feminilidade, mas honrar a própria existência. Autoestima também é responsabilidade emocional. É compreender que ninguém tem a obrigação de curar nossas feridas, preencher nossos vazios ou validar diariamente quem somos. O outro pode somar, mas não pode ser a fonte principal do nosso valor. Quando uma mulher começa a se reconhecer, algo muda em sua presença. Ela deixa de implorar atenção, deixa de aceitar migalhas, deixa de confundir intensidade com amor e começa a escolher com mais consciência. Seu olhar muda. Sua postura muda. Suas relações mudam. A verdadeira autoestima feminina não grita. Ela sustenta. Ela aparece no silêncio de quem não precisa mais provar nada, porque aprendeu a habitar a própria alma com dignidade. Ser uma mulher livre é exatamente isso: desenvolver consciência, autonomia e responsabilidade emocional para não viver refém da aprovação, do medo ou da carência. É entender que o amor-próprio não é um discurso bonito, mas uma prática diária. Porque quando uma mulher reconhece o próprio valor, ela não apenas se transforma. Ela transforma a forma como ama, escolhe, trabalha, lidera e vive. Autoestima não é sobre se achar melhor que alguém. É sobre nunca mais se tratar como se fosse menos. E talvez o maior desafio da autoestima feminina seja justamente esse: aprender a permanecer fiel a si mesma, mesmo quando o mundo tenta convencê-la a se abandonar. Toda mulher carrega marcas. Algumas vieram da infância, outras de relações onde precisou silenciar sentimentos para não perder afeto. Existem feridas que fazem a mulher aceitar pouco, pedir desculpas por existir, duvidar da própria intuição e se adaptar demais a lugares onde sua alma já não respira. Mas chega um momento em que ela entende: não é preciso endurecer para se proteger. É preciso amadurecer. A cura da autoestima não está em criar uma armadura, mas em desenvolver presença interna. É saber olhar para si com verdade, acolher a própria história e, ainda assim, escolher um novo caminho. Autoestima é quando a mulher para de se perguntar “será que sou suficiente? ” e começa a se perguntar: “isso que eu aceito está à altura da mulher que estou me tornando?” Essa pergunta muda tudo. Porque uma mulher que se reconhece não vive mais tentando provar valor. Ela passa a construir vida. Ela investe em si, cuida da própria mente, respeita seu corpo, preserva sua energia e aprende a escolher pessoas, ambientes e oportunidades que não diminuem sua essência. A autoestima feminina floresce quando a mulher compreende que sua existência não precisa ser validada por olhares externos. Ela pode ser delicada e firme. Sensível e forte. Amorosa e seletiva. Feminina e livre. E quando essa consciência desperta, nasce uma nova mulher: não perfeita, mas presente. Não invulnerável, mas inteira. Não dependente de aprovação, mas comprometida com a própria verdade. Essa é a força silenciosa da autoestima: devolver à mulher o lugar mais importante da sua própria vida. Aline Luchi - Psicóloga Instagram: https://www.instagram.com/alyneluchi/
- Quando Histórias Viram Força: o manifesto feminino que chegou ao coração do poder por Marta Lívia Suplicy
No último dia 30 de abril, o Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, foi tomado por algo que vai muito além de palavras impressas em papel. O lançamento da 2ª edição do livro "Virando Páginas" transformou um dos espaços mais simbólicos da democracia brasileira em palco de afeto, coragem e representatividade — e não foi por acaso. Há algo de deliberadamente poético nisso. Levar uma obra construída sobre histórias de mulheres que recusaram o silêncio justamente para o lugar onde as leis do país são escritas. Uma mensagem cifrada para quem souber ler: elas estão aqui. Elas chegaram. E vieram para ficar. Uma obra coletiva, um gesto político A 2ª edição do "Virando Páginas" mantém a espinha dorsal que deu sentido à primeira: relatos reais de mulheres que transformaram dor em força, desafios em projetos, histórias de vida em inspiração coletiva. Mas traz um diferencial que diz muito sobre a maturidade do projeto: o conceito colaborativo. Cada escritora convidou outra mulher para participar da obra, ampliando o alcance das narrativas e fortalecendo uma rede de apoio que nasce no texto e transborda para a vida. Não é só literatura. É arquitetura social. A iniciativa é capitaneada pela presidente nacional Marta Lívia Suplicy, idealizadora do movimento Virada Feminina — que reúne hoje mais de 11 mil mulheres em todo o Brasil sob o lema que dispensa floreios: "Saindo da Discussão e Partindo para a Ação". Uma frase que, por si só, já vale um capítulo. 34 vozes, um Brasil inteiro A obra reúne 195 páginas com histórias de 34 mulheres de todas as regiões do Brasil, atuando nas mais diversas áreas — política, educação, saúde, cultura, empreendedorismo, enfrentamento à violência de gênero. A pluralidade não é mero recurso editorial. É o argumento central do livro: o empoderamento feminino não tem forma única, não tem endereço fixo, não tem um único sotaque. Ele se constrói diariamente, em cada desafio enfrentado e, mais importante, superado. Durante a cerimônia, exemplares foram entregues simbolicamente à ministra da Mulher, Márcia Lopes — um gesto que não passou despercebido pelos presentes. Quando uma obra sobre protagonismo feminino chega às mãos de quem define políticas públicas para mulheres, a ficção e a realidade se tocam da melhor forma possível. O que significa "virar páginas" em 2026 O título carrega uma ambiguidade generosa. Virar páginas é o ato mais simples da leitura e também uma das metáforas mais densas da vida. Significa deixar para trás o que não serve mais. Significa ter coragem de começar de novo. Significa, sobretudo, que há um próximo capítulo esperando. Para essas mulheres, a escrita foi o instrumento. Mas o que elas constroem com ela é muito maior do que qualquer livro. É visibilidade para quem esteve invisível. É pertencimento para quem foi sistematicamente excluída dos espaços de poder. É a prova de que a narrativa feminina brasileira é rica, diversa e insubstituível. O lançamento na Câmara dos Deputados não foi apenas um evento literário. Foi um ato de presença. E, às vezes, presença é o gesto mais revolucionário de todos. Artigo: Quando Histórias Viram Força: o manifesto feminino que chegou ao coração do poder por Marta Lívia Suplicy Fonte base: reportagem original publicada pela Folha do Estado de Goiás, em 30 de abril de 2026.
- Capa | Celeste Leite dos Santos: Promotora, Doutora e Protetora.
Versão em Português Há um tipo raro de vocação que não se satisfaz com a competência técnica. Que vai além do cumprimento do dever, além do título, além do reconhecimento. É aquela que nasce com uma pergunta incômoda, difícil de silenciar: o sistema está servindo a quem? Celeste Leite dos Santos carrega essa pergunta desde o início da carreira, e passou mais de dezenove anos convertendo o desconforto em ação, a indignação em legislação e o silêncio das vítimas em política pública. Promotora de Justiça em Último Grau do Colégio Recursal do Ministério Público de São Paulo, doutora em Direito Civil pela USP, mestre em Direito Penal pela PUC-SP, com especialização em Direito Penal Econômico pela Universidade de Coimbra, e presidente do Instituto Brasileiro de Atenção Integral à Vítima, o Pró-Vítima, ela é, antes de qualquer título, a mulher que lembrou ao sistema que a Justiça precisa, também, encarar os olhos de quem sofreu. Ela cresceu ouvindo o som das ideias em movimento. Sua mãe, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, professora universitária, sempre esteve à frente do seu tempo, com inteligência, pioneirismo acadêmico e uma sabedoria admirável para lidar com os problemas da vida. Seu pai, o médico psiquiatra forense José Américo dos Santos, foi uma referência constante pela forma sempre precisa de analisar as situações. Irmãos, amigos próximos, pessoas que ficaram nos momentos difíceis e não apenas nas vitórias: essa é a teia de afeto e intelectualidade que moldou a mulher que Celeste se tornaria. "Sou filha de professora universitária e foi pelo exemplo que recebi desde cedo que aprendi a valorizar o conhecimento", ela conta, com a naturalidade de quem não separa a formação humana da formação profissional. Essa naturalidade, porém, foi testada muito cedo. Com apenas dois meses de carreira, Celeste assumiu a Promotoria Regional do Meio Ambiente em uma cidade do interior e se viu diante de um caso de proporções internacionais: uma mineradora que poluía rios com reflexos graves sobre a saúde da população. A resistência foi enorme. O custo pessoal, alto. Mas foi exatamente naquele momento, diante da pressão e da complexidade do caso, que algo se confirmou dentro dela. "A sensação de dever cumprido confirmou, para mim, que eu estava no caminho certo", diz. Não havia romantismo nessa certeza. Havia clareza, aquela que só aparece quando uma pessoa encontra, cedo, a dimensão do que é capaz de enfrentar. O que moveu Celeste desde então não foi a ambição por posições ou reconhecimentos, mas uma insatisfação produtiva com o que via. Por anos, o sistema de justiça criminal brasileiro operou com uma lógica que hoje ela descreve com precisão: limitava-se à resposta penal, processava o réu, aplicava a pena e, no fim, a vítima seguia à margem, sem voz, sem acolhimento, sem perspectiva concreta de reconstrução. Não por descaso individual de ninguém, mas por uma lacuna estrutural que todos enxergavam e poucos se dispunham a preencher. "Eu estava insatisfeita com um sistema que muitas vezes se limita à resposta penal, sem produzir transformações sociais significativas, especialmente para a vítima", ela explica. Foi dessa insatisfação que nasceu o Projeto AVARC — Acolhimento de Vítimas, Análise e Resolução de Conflitos, desenvolvido no âmbito do Ministério Público de São Paulo. O AVARC não surgiu como uma proposta teórica de gabinete. Surgiu da união entre teoria e prática, entre o que Celeste estudava na academia e o que ela enxergava todos os dias no trabalho como promotora. O projeto foi reconhecido pelo Conselho Nacional do Ministério Público como uma das iniciativas mais relevantes da área, tornou-se lei no Distrito Federal e inspirou diretamente a proposta do Estatuto da Vítima, o Projeto de Lei nº 3.890/2020. Além disso, a proposta que Celeste apresentou ao então Conselheiro Marcelo Weitzel foi acolhida praticamente na íntegra, resultando em uma política nacional de proteção, apoio e desvitimização no âmbito do Ministério Público brasileiro. Cada um desses passos representa não apenas uma conquista técnica, mas uma transformação concreta na vida de pessoas que chegavam ao sistema com a dor ainda aberta e precisavam encontrar, nele, mais do que um processo. "A partir da união entre teoria e prática, conseguimos recolocar a vítima no centro do sistema de justiça", ela resume, com a precisão de quem sabe exatamente o que construiu. É uma frase curta para uma conquista de décadas. Mas nenhuma trajetória de transformação real ocorre sem resistência. Quando Celeste assumiu a Diretoria da Mulher na Associação Paulista do Ministério Público, ao lado de colegas tão firmes e comprometidas quanto ela, passaram a lutar ativamente pela igualdade de direitos das mulheres dentro e fora da instituição. A reação não foi passiva. Houve tentativas de desqualificação da sua trajetória, um padrão que ela nomeia sem eufemismo e sem amargura: assédio moral organizacional. "Aprendi, nesse processo, que o assédio moral organizacional existe, é real e ainda silencia muitas mulheres", diz. Também aprendeu que perseverar é essencial, e que mudar essa realidade exige coragem, estratégia e ferramentas concretas. Não basta a indignação; é preciso saber transformá-la em argumento, em projeto, em lei. O que impressiona em Celeste não é apenas o que ela construiu, mas a forma como atravessou os processos de construção. Sem perder a essência. "O sucesso não me afastou da realidade nem do meu senso de responsabilidade", ela diz, com convicção. "Ele apenas reforçou a certeza de que ainda há muito trabalho pela frente e de que as conquistas só fazem sentido quando estão conectadas a um propósito coletivo." Há nessa frase uma filosofia inteira de carreira, e, mais do que isso, uma visão de mundo que recusa a individualização do sucesso. Para ela, uma vitória que não seja compartilhada, que não esteja ancorada em algo maior do que o ego, não tem peso real. Essa postura se revela também no modo como ela cuida de si. Por trás de uma agenda que inclui o Ministério Público, o Pró-Vítima, a academia e as câmaras legislativas, existe uma mulher que aprendeu, ao longo dos anos, a respeitar seus próprios limites. "Houve fases em que me dediquei quase integralmente ao trabalho, em detrimento do lazer e até da saúde física", ela admite. "Hoje, com mais maturidade, entendo que há tempo para tudo." Musculação, pilates, leituras prazerosas e viagens fazem parte de uma rotina que ela cultiva com disciplina, não por estética, mas por sustentabilidade. É a mesma lógica que aplica ao trabalho: sem equilíbrio, a caminhada não se sustenta com plenitude. Ela celebra as conquistas com gratidão e com as pessoas certas. Muitas vezes ao lado do seu marido, Pedro Eduardo, com uma boa taça de vinho. Sempre compartilhando a vitória com quem caminhou junto. Tem um carinho especial por todos do Pró-Vítima: "somos mais do que um grupo, somos uma família", ela diz. "As vitórias ganham ainda mais sentido quando são divididas com quem esteve junto nos momentos mais difíceis." Há algo muito revelador nessa escolha de quem celebrar ao lado. Alguém que valoriza as pessoas que ficam nas horas difíceis, e não apenas nas cerimônias de reconhecimento, está fazendo uma afirmação silenciosa sobre o que, de fato, importa. Quando perguntada sobre o que a mantém em movimento, depois de tudo o que já construiu, a resposta não vem de uma lista de metas. Vem de uma imagem concreta. "É a sensação de dever cumprido quando alguém sai de um atendimento verdadeiramente acolhedor com sua dor reconhecida, sua dignidade respeitada e uma perspectiva concreta de reconstrução", diz Celeste. "É isso que dá sentido ao meu trabalho." Não é uma resposta abstrata sobre impacto ou legado. É a imagem de uma pessoa específica, saindo de um atendimento com algo que não entrou tendo: esperança com contornos reais. Para quem está no início da jornada e busca propósito, ela tem um conselho que soa simples, mas exige coragem para ser aplicado: "Faça o que te realiza. Se não estiver satisfeito, seja instrumento da mudança que deseja ver. Não se preocupe excessivamente com o julgamento alheio: muitas vezes, o incômodo que você provoca é sinal de que está tocando em algo importante." E acrescenta algo que diz muito sobre o tipo de carreira que ela própria construiu: "nunca subestime o valor de estar cercado por pessoas que permanecem nos momentos difíceis, e não apenas nas vitórias." Se pudesse voltar ao início, ela diz que se diria para se preocupar menos, confiar mais no processo e expressar gratidão com mais frequência. Daria também um lembrete gentil: cada desafio superado, cada pessoa que esteve ao lado, ajudou a construir a trajetória que trouxe até aqui. Não há nada a lamentar no caminho, apenas a reconhecer. Promotora. Doutora. Protetora. Mas, acima de tudo, a mulher que fez uma pergunta simples e se recusou a parar até encontrar a resposta certa: onde está, nesse sistema, o lugar da vítima? A resposta que ela construiu não está apenas nos livros ou nas leis. Está em cada atendimento que termina com uma pessoa se sentindo, finalmente, vista. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Capa | Celeste Leite dos Santos: Promotora, Doutora e Protetora. English version Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Prosecutor, Doctor of Law, and Protector. There is a rare kind of calling that refuses to be satisfied with technical competence alone. One that goes beyond fulfilling duties, beyond credentials, beyond recognition. It begins with an uncomfortable question, one that is hard to silence: Who is this system actually serving? Celeste Leite dos Santos has carried that question since the very beginning of her career, and she has spent more than nineteen years turning discomfort into action, outrage into legislation, and the silence of victims into public policy. A senior prosecutor with the São Paulo State Attorney's Office, a doctor of Civil Law from USP, a master's in Criminal Law from PUC-SP, with a specialization in Economic Criminal Law from the University of Coimbra, and president of the Brazilian Institute for Integral Victim Care, known as Pró-Vítima, she is, before any title, the woman who reminded the system that justice must also look the victim in the eye. She grew up surrounded by the sound of ideas in motion. Her mother, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, was a university professor who was always ahead of her time, combining academic pioneering with a rare wisdom for navigating life's hardest problems. Her father, forensic psychiatrist José Américo dos Santos, was a constant model of analytical precision. Brothers, close friends, people who stayed through the difficult chapters and not only the victories: these are the threads of intellect and affection that shaped the woman Celeste would become. "I am the daughter of a university professor," she says, "and it was through the example I received early on that I learned to value knowledge." She says it the way people do when they have never separated who they are from how they were formed. That formation was tested almost immediately. Two months into her career, Celeste was assigned to the Regional Environmental Prosecutor's Office in a small city in the interior of São Paulo state, where she found herself facing a case of international proportions: a mining company polluting rivers that crossed national borders, with serious consequences for public health. The resistance she encountered was fierce. The personal cost was real. But something crystallized in that moment that no law school curriculum could have produced. "The feeling of duty fulfilled confirmed, for me, that I was on the right path," she recalls. There was no sentimentality in that conviction. There was clarity, the kind that only comes when a person confronts, early, the full measure of what she is capable of facing. What has driven Celeste since that early confrontation has never been ambition for titles or position. It has been a productive dissatisfaction with what she observed. For years, Brazil's criminal justice system operated according to a logic she now describes with unsettling precision: it prosecuted the defendant, handed down the sentence, and closed the case, while the victim remained on the margins, without a voice, without support, without any concrete path toward rebuilding a life. Not because of individual negligence, but because of a structural gap that everyone could see and few were willing to address. "I was unsatisfied with a system that often limits itself to criminal punishment without producing meaningful social transformation, especially for the victim," she explains. From that dissatisfaction came AVARC, the Victim Support, Conflict Analysis and Resolution Project, developed within the São Paulo State Attorney's Office. AVARC was never a theoretical proposal drafted in an air-conditioned office. It was built from the space between what Celeste was studying in academia and what she was witnessing every day as a prosecutor. The project was recognized by Brazil's National Council of the Attorney General's Office as one of the most significant initiatives in the field, became law in the Federal District, and directly inspired the Victim Statute proposal, Federal Bill No. 3,890/2020. The framework she presented to then-Councilman Marcelo Weitzel was adopted virtually in its entirety, producing a national policy of protection, support and victim recovery within the Brazilian Attorney's Office. Every one of those steps represents not just a technical achievement but a concrete change in the lives of people who walked into the system still carrying open wounds and needed it to offer more than a court date. "By bringing theory and practice together," she says, "we managed to put the victim back at the center of the justice system." It is a compact sentence for a decades-long accomplishment. But no real transformation happens without pushback. When Celeste took on the leadership of the Women's Division within the São Paulo State Attorney's Association, alongside colleagues as resolute and committed as she was, they began an active fight for gender equality both inside and outside the institution. The reaction was not polite disagreement. There were deliberate attempts to undermine her credibility, a pattern she identifies without euphemism and without bitterness as organizational workplace harassment. "I learned, through that process, that institutional workplace harassment exists, it is real, and it still silences many women," she says. She also learned that persistence is not enough on its own. Changing entrenched realities requires courage, yes, but also strategy and specific tools. Outrage, she understood, must be translated into argument, into project, into law. What sets Celeste apart is not only what she has built, but how she has moved through the process of building it, without losing the core of who she is. "Success didn't distance me from reality or from my sense of responsibility," she says. "It only reinforced the certainty that there is still a lot of work ahead and that achievements only make sense when they are connected to a collective purpose." There is an entire career philosophy embedded in that sentence, and more than that, a worldview that refuses to privatize success. For Celeste, a victory that isn't shared, that isn't anchored in something larger than the self, doesn't carry real weight. That philosophy shows up in the way she takes care of herself, too. Behind a schedule that includes the Attorney's Office, Pró-Vítima, academia and the legislative chambers, there is a woman who learned, over time, to respect her own limits. "There were phases when I dedicated myself almost entirely to work, at the expense of leisure and even physical health," she acknowledges. "Today, with more maturity, I understand that there is time for everything." Strength training, Pilates, good books and travel are part of a routine she maintains with discipline, not for appearances, but for sustainability. The same logic she applies at work: without balance, the journey cannot be sustained with any real fullness. She marks her victories with gratitude and with the right people. Often alongside her husband, Pedro Eduardo, over a good glass of wine. Always sharing the moment with those who walked alongside her. She has a particular tenderness for everyone at Pró-Vítima. "We are more than a group," she says. "We are a family. Victories mean even more when they are shared with those who were there in the hardest moments." There is something deeply revealing in the way she chooses who to celebrate with. Someone who values the people who stay through the hard times, and not only for the ceremonies, is making a quiet statement about what actually matters. When asked what keeps her going, after everything she has already built, her answer does not come as a list of goals or milestones. It comes as a specific image. "It is the feeling of duty fulfilled when someone leaves a genuinely supportive session with their pain acknowledged, their dignity respected and a concrete perspective on rebuilding," she says. "That is what gives meaning to my work." It is not an abstract statement about impact or legacy. It is the image of one specific person walking out of one specific room with something they did not walk in with: hope that has a shape. For those at the beginning of their careers, searching for purpose, her advice is the kind that sounds simple but demands real courage to follow: "Do what fulfills you. If you are not satisfied, be the instrument of the change you want to see. Do not worry excessively about what others think: often, the discomfort you provoke is a sign that you are touching something important." And she adds something that says everything about the kind of career she herself has built: "Never underestimate the value of being surrounded by people who stay in the difficult moments, not only in the victories." If she could go back to the beginning, she says she would tell herself to worry less, trust the process more, and express gratitude more often. She would also leave one gentle reminder: every challenge overcome, every person who stood alongside her, helped construct the path that brought her to where she is now. There is nothing in the journey to regret, only to recognize. Prosecutor. Scholar. Protector. But above all, the woman who asked a simple question and refused to stop until she found the right answer: where, inside this system, is the victim's place? The answer she built does not live only in books or legislation. It lives in every session that ends with a person finally feeling seen. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Prosecutor, Doctor of Law, and Protector. Versión en Español Portada | Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Fiscal. Doctora. Protectora. Hay una vocación infrecuente que no se conforma con la competencia técnica. Que va más allá del cumplimiento del deber, más allá del título, más allá del reconocimiento. Es aquella que nace con una pregunta incómoda, difícil de acallar: ¿a quién sirve realmente este sistema? Celeste Leite dos Santos lleva esa pregunta consigo desde el inicio de su carrera, y ha pasado más de diecinueve años convirtiendo la incomodidad en acción, la indignación en legislación y el silencio de las víctimas en política pública. Fiscal superior del Colegio Recursal de la Fiscalía del Estado de São Paulo, doctora en Derecho Civil por la USP, máster en Derecho Penal por la PUC-SP, con especialización en Derecho Penal Económico por la Universidad de Coimbra, y presidenta del Instituto Brasileño de Atención Integral a la Víctima, el Pró-Vítima, es, antes que cualquier título, la mujer que le recordó al sistema que la Justicia también debe mirar a los ojos a quien ha sufrido. Creció escuchando el rumor de las ideas en movimiento. Su madre, Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos, profesora universitaria, estuvo siempre por delante de su tiempo, con una inteligencia pionera y una sabiduría admirable para afrontar los problemas de la vida. Su padre, el médico psiquiatra forense José Américo dos Santos, fue una referencia constante por la precisión con que analizaba cada situación. Hermanos, amigos cercanos, personas que permanecieron en los momentos difíciles y no solo en las victorias: esa es la red de afecto e intelectualidad que forjó a la mujer en que Celeste se convertiría. "Soy hija de una profesora universitaria y fue a través del ejemplo que recibí desde pequeña que aprendí a valorar el conocimiento", cuenta, con la naturalidad de quien nunca ha separado la formación humana de la formación profesional. Esa naturalidad, sin embargo, fue puesta a prueba muy pronto. Con apenas dos meses de carrera, Celeste asumió la Fiscalía Regional de Medio Ambiente en una pequeña ciudad del interior del estado y se encontró ante un caso de proporciones internacionales: una empresa minera que contaminaba ríos con graves consecuencias para la salud de la población. La resistencia fue enorme. El coste personal, elevado. Pero fue precisamente en aquel momento, frente a la presión y la complejidad del caso, cuando algo se confirmó dentro de ella. "La sensación de deber cumplido me confirmó que estaba en el camino correcto", recuerda. No había romanticismo en esa certeza. Había claridad, esa que solo aparece cuando una persona descubre, temprano, la verdadera dimensión de lo que es capaz de enfrentar. Lo que ha movido a Celeste desde entonces no ha sido la ambición por cargos ni por reconocimientos, sino una insatisfacción productiva con lo que observaba. Durante años, el sistema de justicia penal brasileño funcionó con una lógica que ella describe hoy con una precisión perturbadora: se limitaba a la respuesta penal, procesaba al acusado, aplicaba la pena y, al final, la víctima permanecía en los márgenes, sin voz, sin acompañamiento, sin una perspectiva concreta de reconstrucción vital. No por negligencia individual, sino por una brecha estructural que todos veían y pocos estaban dispuestos a colmar. "Estaba insatisfecha con un sistema que muchas veces se limita a la respuesta penal sin producir transformaciones sociales significativas, especialmente para la víctima", explica. De esa insatisfacción nació el Proyecto AVARC, Acogida de Víctimas, Análisis y Resolución de Conflictos, desarrollado en el seno de la Fiscalía del Estado de São Paulo. El AVARC no surgió como una propuesta teórica elaborada en un despacho. Surgió de la conjunción entre la teoría y la práctica, entre lo que Celeste estudiaba en la academia y lo que presenciaba cada día como fiscal. El proyecto fue reconocido por el Consejo Nacional de la Fiscalía General como una de las iniciativas más relevantes del ámbito, se convirtió en ley en el Distrito Federal e inspiró directamente la propuesta del Estatuto de la Víctima, el Proyecto de Ley nº 3.890/2020. Además, la propuesta que Celeste presentó al entonces Consejero Marcelo Weitzel fue acogida prácticamente en su integridad, dando lugar a una política nacional de protección, apoyo y desvictimización en el ámbito de la Fiscalía brasileña. Cada uno de esos pasos representa no solo un logro técnico, sino una transformación concreta en la vida de personas que llegaron al sistema con la herida todavía abierta y necesitaron encontrar en él algo más que un expediente. "Uniendo teoría y práctica, conseguimos devolver a la víctima al centro del sistema de justicia", resume, con la precisión de quien sabe exactamente lo que ha construido. Es una frase breve para un logro que costó décadas. Ninguna trayectoria de transformación real ocurre, sin embargo, sin resistencia. Cuando Celeste asumió la Dirección de la Mujer en la Asociación Paulista de la Fiscalía, junto a compañeras tan firmes y comprometidas como ella, emprendieron una lucha activa por la igualdad de derechos de las mujeres dentro y fuera de la institución. La reacción no fue pasiva. Hubo intentos deliberados de descreditar su trayectoria, un patrón que ella nombra sin eufemismos y sin amargura: acoso institucional. "Aprendí, en ese proceso, que el acoso moral organizacional existe, es real y todavía silencia a muchas mujeres", afirma. También aprendió que perseverar no basta por sí solo: cambiar realidades arraigadas exige valentía, pero también estrategia y herramientas concretas. La indignación, comprendió, debe traducirse en argumento, en proyecto, en ley. Lo que distingue a Celeste no es únicamente lo que ha construido, sino la manera en que ha atravesado ese proceso de construcción sin perder su esencia. "El éxito no me alejó de la realidad ni de mi sentido de responsabilidad", dice con convicción. "Solo reforzó la certeza de que aún queda mucho trabajo por delante y de que los logros solo tienen sentido cuando están ligados a un propósito colectivo." Hay en esa frase una filosofía entera de carrera y, más allá de eso, una visión del mundo que rechaza la privatización del éxito. Para ella, una victoria que no se comparte, que no está anclada en algo mayor que el propio ego, carece de peso real. Esa misma postura se revela en la forma en que cuida de sí misma. Detrás de una agenda que incluye la Fiscalía, el Pró-Vítima, la academia y las cámaras legislativas, hay una mujer que ha aprendido con los años a respetar sus propios límites. "Hubo etapas en que me dediqué casi íntegramente al trabajo, en detrimento del ocio e incluso de la salud física", admite. "Hoy, con más madurez, entiendo que hay tiempo para todo." El entrenamiento de fuerza, el pilates, las lecturas placenteras y los viajes forman parte de una rutina que cultiva con disciplina, no por cuestión estética, sino por sostenibilidad. La misma lógica que aplica al trabajo: sin equilibrio, el camino no puede recorrerse con plenitud. Celebra sus logros con gratitud y en la compañía adecuada. A menudo junto a su marido, Pedro Eduardo, con una buena copa de vino. Siempre compartiendo el momento con quienes caminaron a su lado. Siente un cariño especial por todos en el Pró-Vítima. "Somos más que un grupo", dice. "Somos una familia. Las victorias cobran aún más sentido cuando se comparten con quienes estuvieron presentes en los momentos más difíciles." Hay algo muy revelador en esa forma de elegir con quién celebrar. Quien valora a las personas que permanecen en los momentos duros, y no solo en las ceremonias de reconocimiento, está haciendo una afirmación silenciosa sobre lo que verdaderamente importa. Cuando se le pregunta qué la mantiene en movimiento, después de todo lo que ha construido, su respuesta no llega en forma de lista de objetivos. Llega como una imagen concreta. "Es la sensación de deber cumplido cuando alguien sale de una atención verdaderamente acogedora con su dolor reconocido, su dignidad respetada y una perspectiva real de reconstrucción", dice Celeste. "Eso es lo que da sentido a mi trabajo." No es una declaración abstracta sobre impacto o legado. Es la imagen de una persona específica, saliendo de una sala con algo que no tenía al entrar: esperanza con contornos reales. Para quienes están al inicio de su camino y buscan propósito, su consejo suena sencillo, pero exige verdadera valentía para aplicarse: "Haz lo que te realiza. Si no estás satisfecho, sé el instrumento del cambio que deseas ver. No te preocupes en exceso por el juicio ajeno: muchas veces, la incomodidad que provocas es señal de que estás tocando algo importante." Y añade algo que dice mucho sobre el tipo de carrera que ella misma ha construido: "Nunca subestimes el valor de estar rodeado de personas que permanecen en los momentos difíciles, y no solo en las victorias." Si pudiera volver al principio, dice que se diría a sí misma que se preocupara menos, que confiara más en el proceso y que expresara gratitud con mayor frecuencia. También se dejaría un recordatorio amable: cada obstáculo superado, cada persona que estuvo a su lado, ayudó a construir la trayectoria que la trajo hasta aquí. No hay nada en el camino que lamentar, solo que reconocer. Fiscal. Doctora. Protectora. Pero, por encima de cualquier título, la mujer que hizo una pregunta sencilla y se negó a detenerse hasta encontrar la respuesta correcta: ¿dónde está, en este sistema, el lugar de la víctima? La respuesta que ella construyó no vive únicamente en los libros ni en las leyes. Vive en cada atención que termina con una persona sintiéndose, por fin, vista. Instagram https://www.instagram.com/celesteleitesantos/ Portada | Cover Story | Celeste Leite dos Santos: Fiscal. Doctora. Protectora.
- Dispersão te enfraquece por Henry Ayres
Existe uma frase que, quando você ouve pela primeira vez, parece simples demais. Quase óbvia. Mas que, quando você para de verdade para olhar para a sua agenda, para a sua lista de tarefas, para os seus "projetos importantes", ela cai como um balde de água fria: "Se você tem mais de três prioridades, você não tem nenhuma." Jim Collins disse isso. E ele estava certo de um jeito que dói. Vivemos numa cultura que glorifica o excesso de compromissos. Quanto mais ocupado você parece, mais importante você parece. A agenda cheia virou troféu. A reunião às 7h da manhã virou símbolo de dedicação. E no meio de tudo isso, a gente vai empilhando prioridades como se a palavra ainda tivesse algum significado, quando, na prática, ela perdeu completamente o seu peso. O Paradoxo da Lista Infinita Prioridade, por definição, é singular. Vem do latim prior, o que vem antes. Uma coisa. A que está na frente. Quando você tem dez prioridades, nenhuma delas está na frente. Todas estão no mesmo plano, brigando pela sua atenção, consumindo a sua energia em doses iguais e insuficientes. O resultado não é produtividade. É dispersão com aparência de movimento. Eu já fui esse profissional. Cheio de iniciativas, projetos paralelos, metas ambiciosas em múltiplas frentes ao mesmo tempo. A sensação era de que eu estava construindo muito. Mas olhando para trás, percebi que estava construindo pouco em muitos lugares e terminando quase nada de verdade. A Coragem de Escolher Menos O que Collins nos provoca a fazer não é simples. É, talvez, o exercício mais difícil de liderança e autogestão que existe: escolher. E escolher de verdade significa abrir mão. Significa dizer não para coisas boas para poder dizer sim para as coisas certas. Isso exige maturidade. Exige que você conheça o suficiente sobre você mesmo e sobre o seu negócio para saber o que realmente move o ponteiro. Três prioridades não é pouco. Três prioridades, executadas com profundidade, consistência e energia real, têm o poder de transformar uma carreira, uma empresa, uma vida. O problema é que a maioria das pessoas nunca vai descobrir isso porque nunca teve a coragem de chegar a três. O que Fica Quando Você Corta o Ruído Quando você decide o que importa de verdade, algo muda no seu dia. A clareza que surge não é só organizacional, ela é emocional. Você acorda sabendo para onde vai. As suas decisões ficam mais rápidas porque o critério está claro. O seu time entende melhor onde colocar energia. E você, ao final do dia, sente aquela rara sensação de ter avançado de verdade, e não apenas sobrevivido à agenda. Foco não é limitação. Foco é poder. É a diferença entre a luz espalhada de uma lâmpada e a luz concentrada de um laser. O mesmo recurso, resultados completamente diferentes. A Pergunta que Muda Tudo Se você fizer uma pausa agora e listar suas prioridades para esta semana, quantas seriam? Dez? Quinze? E se fosse necessário reduzir essa lista para apenas três, quais permaneceriam? Essa questão, por mais desconfortável que seja, é exatamente o ponto de partida para a transformação. Maturidade profissional não é acumular responsabilidades. É saber, com cada vez mais precisão, o que não merece o seu melhor. É ter a disciplina de proteger o que importa do barulho do que é apenas urgente. Jim Collins não estava pregando minimalismo por minimalismo. Ele estava defendendo intenção. A escolha consciente de onde você planta a sua energia. Porque no fim, o que você faz com foco cresce. O que você divide demais, enfraquece. Artigo: Dispersão te enfraquece por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca e Conteúdo na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal por Dr. Aonio Genicolo Vieira
Imagine encontrar jovens de 20 a 30 anos com uma boca que parece ter mais de 60. Essa é, em essência, a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB): uma condição em que as estruturas bucais apresentam um desgaste clínico completamente incompatível com a idade real do paciente. A síndrome é modulada pelo estilo de vida e por hábitos específicos, e se manifesta por meio de uma série de alterações que vão muito além da estética. Entre os sinais mais comuns estão a desmineralização do esmalte dentário, a xerostomia (boca seca), fraturas e trincas no esmalte, hipersensibilidade dentinária, recessões gengivais por reabsorção óssea e danos pulpares reversíveis e irreversíveis, todos sem qualquer relação com cárie dental. O problema não para nos dentes. O desgaste excessivo nas faces mastigatória e de corte provoca perda da dimensão vertical da face, sobrecarregando as articulações temporomandibulares (ATMs) e os músculos mastigatórios, o que gera dor, desconforto e comprometimento funcional progressivo. O que causa a SEPB? As origens da síndrome estão diretamente ligadas ao estilo de vida da geração atual. Entre os principais fatores causais estão: A prática intensa de CrossFit, que impõe sobrecarga nos músculos mastigatórios durante os treinos, comprometendo diretamente os dentes O uso de ansiolíticos, antidepressivos e medicamentos para dormir, cujos efeitos colaterais incluem bruxismo noturno e xerostomia A redução da saliva, que priva a boca de sua lubrificação natural e favorece o desgaste acelerado dos dentes Diagnóstico e tratamento Identificar a SEPB exige conhecimento clínico apurado do cirurgião-dentista, já que suas características podem ser sutis nos estágios iniciais. O tratamento, por sua vez, precisa ser multiprofissional: a etiologia da síndrome vai além do campo odontológico, e ignorar esse contexto compromete os resultados. A primeira etapa consiste em estabilizar o processo com placas oclusais lisas para proteger os dentes e restabelecer a dimensão vertical da face, associadas à aplicação de toxina botulínica funcional nos músculos mastigatórios. O aconselhamento para mudança de hábitos nocivos também é fundamental, com indicação de técnicas de relaxamento e acompanhamento terapêutico. Após a estabilização, parte-se para a reabilitação oral com lentes de contato dental ou coroas totais. Dr. Aonio Genicolo Vieira https://www.instagram.com/dr.aoniovieira/
- Normose: quando o normal adoece por Francisco Sanchez
A ideia de "normose" nos convida a olhar com mais cuidado para aquilo que consideramos "normal". Nem sempre o que é amplamente aceito ou socialmente validado é, de fato, saudável ou benéfico. Pelo contrário: muitas vezes normalizamos práticas, pensamentos e estilos de vida que nos adoecem, individual e coletivamente, simplesmente porque estão alinhados às convenções culturais, às crenças dominantes ou às exigências de produtividade e desempenho. O conceito foi desenvolvido pelo professor Pierre Weil, que descreve a normose como a "doença de ser normal". Trata-se de um estado em que comportamentos potencialmente nocivos são não apenas tolerados, mas incentivados por uma lógica social que valoriza o excesso, a competição constante, o consumo desenfreado e a desconexão emocional. Nesse contexto, o indivíduo deixa de questionar padrões e passa a reproduzi-los automaticamente, muitas vezes em detrimento da própria saúde mental e física. É possível observar a normose em diversos aspectos da vida contemporânea: na glorificação da sobrecarga de trabalho, na naturalização da ansiedade como parte inevitável do sucesso, na dificuldade de estabelecer limites ou mesmo na crença de que descansar é sinal de fraqueza. Esses padrões, embora amplamente aceitos, revelam um afastamento progressivo do que seria uma vida equilibrada e significativa. Ao dialogar com essa perspectiva, a logoterapia, abordagem desenvolvida por Viktor Frankl, que sobreviveu aos horrores do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, oferece um contraponto importante. Ao afirmar que "tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas, escolher a própria atitude diante de qualquer circunstância", Frankl propõe que a principal motivação humana é a busca de sentido. Quando o indivíduo perde essa referência, tende a se adaptar de forma acrítica às expectativas externas, preenchendo o vazio existencial com padrões impostos socialmente. Nesse sentido, a normose pode ser compreendida como um sintoma de uma existência vivida sem reflexão, em que o sujeito abre mão da própria autonomia em favor da conformidade. A superação da normose exige, portanto, um movimento de consciência. Implica questionar o que foi naturalizado, revisar crenças e reconhecer que nem tudo o que é comum é saudável. Esse processo não é simples, pois envolve romper com padrões profundamente enraizados e, muitas vezes, enfrentar o desconforto de ir contra a corrente. No entanto, é justamente nesse exercício de reflexão crítica que se abre a possibilidade de uma vida mais autêntica. Ao resgatar a capacidade de atribuir sentido às próprias escolhas, o indivíduo deixa de ser apenas um produto das convenções e passa a atuar como protagonista da própria existência. Em um mundo que frequentemente confunde normalidade com bem-estar, talvez o verdadeiro desafio seja aprender a distinguir entre aquilo que é comum e aquilo que realmente nos faz bem. Francisco Usero Sanchez Administrador, especialista em gestão de pessoas e recursos humanos Terapeuta internacional TRG @franciscosanchez379
- Capa | Dr. Wandemberg Barbosa: A trajetória de um ícone que nunca parou de evoluir
Versão em Português O Médico que Nunca Parou de Operar o Futuro Há homens que escolhem uma profissão. E há aqueles que nascem para ela. O Dr. Wandemberg Barbosa pertence, sem sombra de dúvida, à segunda categoria. Cirurgião plástico e oncologista com décadas de estrada, ele fala sobre a própria trajetória com a precisão de quem conhece cada detalhe de uma cirurgia complexa e a emoção de quem ainda se apaixona pelo que faz todos os dias. Para ele, o significado de uma carreira brilhante começa exatamente aí, no compromisso com a evolução constante. "Uma carreira brilhante é pautada em anos de experiência e estudo, com constante atualização de novos conhecimentos e novas técnicas. O objetivo sempre é melhorar, oferecer nossos conhecimentos aprimorados em benefício dos pacientes, sejam de qualquer nível." Simples assim. E profundo assim. Existe um momento na vida de todo profissional em que a dúvida bate à porta. Com o Dr. Wandemberg, esse momento simplesmente nunca aconteceu. Desde a faculdade, a certeza era inabalável. Formado, mudou-se para São Paulo e enfrentou o processo seletivo para a residência médica no renomado Hospital AC Camargo, referência nacional em oncologia. Eram quatro vagas. Ele passou em terceiro lugar. Uma vitória que confirmou o que já sentia por dentro: estava no lugar certo. De lá, veio a criação de um serviço de cirurgia oncológica no Hospital Matarazzo, a fundação de uma residência em cirurgia, trabalhos científicos apresentados na Europa. Em 1996, a jornada ganhou novo fôlego com a entrada na Escola Paulista de Medicina, onde concluiu o Mestrado em Cirurgia Plástica Reparadora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em seguida, os títulos: Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Membro Titular da mesma sociedade, Especialista em Cancerologia pela Sociedade Brasileira de Cancerologia e em Cirurgia Oncológica pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Um currículo construído não para enfeitar uma parede, mas para servir melhor ao próximo paciente que precisasse dele. Toda grande história tem seu capítulo de adversidade. O do Dr. Wandemberg chegou em 1989, quando o Hospital Matarazzo fechou suas portas e o serviço que ele havia construído com tanto empenho precisou ser reinventado do zero. O grupo migrou para o Hospital Nove de Julho, onde permaneceu até a venda da instituição em 2010. Mais um recomeço. Anos operando pacientes em caráter particular, até que, há dois anos, retornou a ter um serviço estruturado de cirurgia plástica em um hospital privado. O aprendizado que ficou desse período é o de que recomeçar não é derrota, é coragem com experiência. E é justamente dessa experiência acumulada que nasce uma das visões mais maduras que ele carrega sobre o sucesso. "Para mim, o sucesso é efêmero e passageiro. O importante é ter a consciência de que sempre está fazendo o bem para as pessoas e contribuindo para o bem-estar e o progresso da humanidade." Ele trabalha 14 horas por dia. Às vezes mais. Mas não enxerga nisso nenhum sacrifício. "O trabalho é dom de Deus. O trabalho para mim é lazer, e gosto muito do que faço." Uma filosofia que poucos alcançam, mas que, quando alcançada, transforma qualquer jornada em vocação. Se há um capítulo que o Dr. Wandemberg narra com uma luminosidade diferente, é o da vida pessoal. Ele não esconde que houve anos turbulentos, períodos em que o desequilíbrio interno pesou sobre os projetos e a energia criativa. Mas também não esconde a virada. "Graças a Deus me casei há sete anos com uma pessoa maravilhosa, a Dra. Maryelbe Gomes Queiroz. Ela transformou a minha vida e me fez voltar com tudo, iniciando novos projetos e com muita garra para lutar por eles." Saúde, bem-estar, vida saudável e uma vida pessoal plena são, hoje, os combustíveis que alimentam cada nova empreitada. Pai de filhos que trilharam caminhos independentes e bem-sucedidos, um médico, um advogado, uma nutricionista e um empresário, ele reconhece que nem sempre foi possível estar presente como gostaria. O excesso de trabalho cobrou seu preço. Mas conclui com a serenidade de quem sabe que o amor também se manifesta em legado: "No fim, deu tudo certo." Vitórias, para ele, não têm tamanho mínimo. Sejam grandes ou pequenas, todas são celebradas com gratidão genuína. Suas referências de vida são claras e afetivas: os pais, pela força de vontade e pelo caráter; a esposa Maryelbe, que chegou para ficar nos últimos sete anos; e um professor chamado Fernando Gentil, que lá atrás o aconselhou a seguir a cirurgia plástica. Nomes que moldaram não apenas o profissional, mas o homem. A chama que move o Dr. Wandemberg não dá sinais de arrefecer. "Não podemos parar. Temos que estar sempre em ebulição, à procura de novos projetos, novas técnicas, congressos, principalmente internacionais. Isso nos movimenta e nos mantém mais jovens." Cansaço, ele admite, faz parte. Falta de motivação, jamais. "Um indivíduo desmotivado está à deriva para qualquer projeto. Não pode acontecer." E para quem busca propósito na carreira, o conselho é direto e generoso: "Faça o seu melhor. Dedique-se horas a fio para atingir seu objetivo da melhor maneira possível, em uma concorrência saudável, sem querer derrubar ninguém." Longe de ser um conceito vago, a felicidade, para ele, tem função prática e mensurável. "É um estado de espírito que, quando incorporado à pessoa, facilita em tudo: na forma de encarar os desafios, melhora a performance e é um hábito extremamente saudável na tomada de decisões." Feliz não é quem tem menos problemas. É quem escolhe encarar os problemas com outro repertório. Com toda a sabedoria que uma vida intensa acumula, o Dr. Wandemberg reserva sua mensagem mais humana para quem ainda está no começo da jornada. Se pudesse falar com o jovem que um dia passou em terceiro lugar no Hospital AC Camargo, diria: escolha melhor as pessoas ao seu redor, evite os maus amigos, fique atento aos aproveitadores e tenha mais jogo de cintura na hora de decidir. Uma confissão rara e corajosa de alguém que não tem medo de ser inteiro, nem na cirurgia, nem na vida. O Dr. Wandemberg Barbosa é cirurgião plástico e oncologista, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Mestre em Cirurgia Plástica Reparadora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Instagram https://www.instagram.com/drwandembergbarbosa/ Capa | Dr. Wandemberg Barbosa: A trajetória de um ícone que nunca parou de evoluir English version Cover Story | Dr. Wandemberg Barbosa: The Journey of an Icon Who Never Stopped Evolving The Doctor Who Never Stopped Operating on the Future There are men who choose a profession. And there are those who are born for it. Dr. Wandemberg Barbosa belongs, without a doubt, to the second category. A plastic surgeon and oncologist with decades of experience, he talks about his own journey with the precision of someone who knows every detail of a complex surgery and the passion of someone who still falls in love with what he does every single day. For him, the meaning of a brilliant career starts right there, in the commitment to constant growth. "A brilliant career is built on years of experience and study, with ongoing updates in new knowledge and new techniques. The goal is always to improve, to offer our refined expertise for the benefit of patients, regardless of their background." Simple as that. And just as profound. There is a moment in every professional's life when doubt comes knocking. For Dr. Wandemberg, that moment simply never came. From the time he started medical school, his conviction was unshakable. After graduating, he moved to São Paulo and went through the competitive residency selection process at the renowned Hospital AC Camargo, a national reference in oncology. There were four spots. He placed third. A victory that confirmed what he already felt deep down: he was exactly where he was supposed to be. From there came the creation of an oncological surgery department at Hospital Matarazzo, the founding of a surgical residency program, and scientific papers presented across Europe. In 1996, his journey gained new momentum when he joined the Escola Paulista de Medicina, where he completed his Master's degree in Reconstructive Plastic Surgery at the University of São Paulo School of Medicine. Then came the credentials: Specialist and Full Member of the Brazilian Society of Plastic Surgery, Specialist in Cancerology from the Brazilian Society of Cancerology, and in Oncological Surgery from the Brazilian College of Surgeons. A résumé built not to hang on a wall, but to better serve the next patient who needed him. Every great story has its chapter of adversity. Dr. Wandemberg's arrived in 1989, when Hospital Matarazzo shut its doors and the department he had built with so much dedication had to be rebuilt from scratch. The team moved to Hospital Nove de Julho, where they remained until the institution was sold in 2010. Another fresh start. Years operating patients on a private basis, until, two years ago, he returned to running a structured plastic surgery department at a private hospital. The lesson that stayed with him from that entire period is that starting over is not defeat. It is courage backed by experience. And it is precisely from that accumulated experience that one of his most grounded perspectives on success was born. "For me, success is fleeting and temporary. What matters is having the awareness that you are always doing good for people and contributing to the well-being and progress of humanity." He works 14 hours a day. Sometimes more. But he sees no sacrifice in it. "Work is a gift from God. Work, for me, is leisure, and I truly love what I do." A philosophy that few ever reach, but that, once reached, turns any career into a calling. If there is a chapter Dr. Wandemberg tells with a different kind of light in his eyes, it is the one about his personal life. He does not hide that there were turbulent years, periods when inner imbalance weighed heavily on his projects and his creative energy. But he does not hide the turning point either. "Thank God I married, seven years ago, a wonderful person, Dr. Maryelbe Gomes Queiroz. She transformed my life and brought me back stronger than ever, launching new projects and with a whole lot of drive to fight for them." Health, well-being, and a fulfilling personal life are, today, the fuel behind every new endeavor. Father of children who carved out their own successful paths, a doctor, a lawyer, a nutritionist, and a businessman, he acknowledges that he was not always as present as he would have liked. The demands of work took their toll. But he closes that chapter with the calm of someone who understands that love also shows up as legacy: "In the end, everything worked out." Victories, for him, have no minimum size. Big or small, every single one is celebrated with genuine gratitude. His life references are clear and close to the heart: his parents, for their willpower and character; his wife Maryelbe, who came into his life seven years ago and stayed; and a professor named Fernando Gentil, who back in the day advised him to pursue plastic surgery. Names that shaped not just the professional, but the man. The fire that drives Dr. Wandemberg shows no signs of cooling down. "We cannot stop. We have to always be in motion, looking for new projects, new techniques, conferences, especially international ones. That keeps us moving and keeps us younger." Fatigue, he admits, is part of the deal. Lack of motivation, never. "A person without motivation is adrift in any project. That simply cannot happen." And for those searching for purpose in their careers, his advice is straightforward and generous: "Do your best. Put in the hours to reach your goal in the best way possible, in healthy competition, without trying to tear anyone else down." Far from being a vague concept, happiness, for him, serves a very real and measurable function. "It is a state of mind that, once a person embraces it, makes everything easier: the way you face challenges, your performance, your decision-making. It is an extremely healthy habit in everything that a thriving career involves." Happy is not the person with fewer problems. It is the person who chooses to face problems with a different set of tools. With all the wisdom that an intense life accumulates, Dr. Wandemberg saves his most human message for those who are still at the beginning of their journey. If he could speak to the young man who once placed third at Hospital AC Camargo, he would say: choose the people around you more carefully, steer clear of the wrong crowd, watch out for those who only want to take, and be more flexible when it is time to make decisions. A rare and courageous admission from someone who is not afraid to show up fully, not in the operating room, and not in life. Dr. Wandemberg Barbosa is a plastic surgeon and oncologist, Full Member of the Brazilian Society of Plastic Surgery and Master in Reconstructive Plastic Surgery from the University of São Paulo School of Medicine. Instagram https://www.instagram.com/drwandembergbarbosa/ Cover Story | Dr. Wandemberg Barbosa: The Journey of an Icon Who Never Stopped Evolving Versión en Español Portada | Dr. Wandemberg Barbosa: La trayectoria de un ícono que nunca dejó de evolucionar El Médico que Nunca Dejó de Operar el Futuro Hay hombres que eligen una profesión. Y hay quienes nacen para ella. El Dr. Wandemberg Barbosa pertenece, sin ninguna duda, a la segunda categoría. Cirujano plástico y oncólogo con décadas de trayectoria, habla de su propio recorrido con la precisión de quien conoce cada detalle de una cirugía compleja y la emoción de quien sigue enamorándose de lo que hace cada día. Para él, el significado de una carrera brillante empieza exactamente ahí, en el compromiso con la evolución constante. "Una carrera brillante se sustenta en años de experiencia y estudio, con una actualización permanente de nuevos conocimientos y nuevas técnicas. El objetivo siempre es mejorar, ofrecer nuestros conocimientos perfeccionados en beneficio de los pacientes, sea cual sea su condición." Así de sencillo. Y así de profundo. Existe un momento en la vida de todo profesional en el que la duda llama a la puerta. En el caso del Dr. Wandemberg, ese momento sencillamente nunca llegó. Desde que entró en la facultad, la certeza era inquebrantable. Una vez licenciado, se trasladó a São Paulo y se presentó al proceso de selección para la residencia médica en el prestigioso Hospital AC Camargo, referencia nacional en oncología. Había cuatro plazas. Entró en tercer lugar. Una victoria que confirmó lo que ya sentía por dentro: estaba exactamente donde debía estar. A partir de ahí llegaron la creación de un servicio de cirugía oncológica en el Hospital Matarazzo, la fundación de una residencia en cirugía y trabajos científicos presentados en Europa. En 1996, su trayectoria cobró nuevo impulso con su incorporación a la Escola Paulista de Medicina, donde completó el Máster en Cirugía Plástica Reparadora por la Facultad de Medicina de la Universidad de São Paulo. Después vinieron los títulos: Especialista y Miembro Titular de la Sociedad Brasileña de Cirugía Plástica, Especialista en Cancerología por la Sociedad Brasileña de Cancerología y en Cirugía Oncológica por el Colegio Brasileño de Cirujanos. Un currículum construido no para adornar una pared, sino para servir mejor al siguiente paciente que lo necesitara. Toda gran historia tiene su capítulo de adversidad. El del Dr. Wandemberg llegó en 1989, cuando el Hospital Matarazzo cerró sus puertas y el servicio que había levantado con tanto esfuerzo tuvo que reinventarse desde cero. El equipo se trasladó al Hospital Nove de Julho, donde permaneció hasta la venta de la institución en 2010. Un nuevo comienzo. Años operando a pacientes de forma privada, hasta que, hace dos años, volvió a tener un servicio estructurado de cirugía plástica en un hospital privado. El aprendizaje que se llevó de ese período es que volver a empezar no es una derrota. Es valentía respaldada por la experiencia. Y es precisamente de esa experiencia acumulada de donde nace una de las reflexiones más lúcidas que sostiene sobre el éxito. "Para mí, el éxito es efímero y pasajero. Lo importante es tener la conciencia de que siempre estás haciendo el bien a las personas y contribuyendo al bienestar y al progreso de la humanidad." Trabaja catorce horas al día. A veces más. Pero no ve en ello ningún sacrificio. "El trabajo es un don de Dios. El trabajo para mí es ocio, y me encanta lo que hago." Una filosofía que pocos alcanzan, pero que, una vez alcanzada, convierte cualquier trayectoria en vocación. Si hay un capítulo que el Dr. Wandemberg narra con una luz distinta en la mirada, es el de su vida personal. No oculta que hubo años turbulentos, períodos en los que el desequilibrio interno pesó sobre sus proyectos y su energía creativa. Pero tampoco oculta el punto de inflexión. "Gracias a Dios me casé hace siete años con una persona maravillosa, la Dra. Maryelbe Gomes Queiroz. Transformó mi vida y me hizo volver con todo, iniciando nuevos proyectos y con muchas ganas de luchar por ellos." La salud, el bienestar y una vida personal plena son hoy el combustible que alimenta cada nueva empresa. Padre de hijos que han trazado caminos propios y exitosos, un médico, un abogado, una nutricionista y un empresario, reconoce que no siempre pudo estar presente como habría deseado. El exceso de trabajo pasó su factura. Pero cierra ese capítulo con la serenidad de quien sabe que el amor también se expresa en legado: "Al final, todo salió bien." Las victorias, para él, no tienen un tamaño mínimo. Grandes o pequeñas, todas se celebran con gratitud genuina. Sus referentes vitales son claros y cercanos al corazón: sus padres, por su fuerza de voluntad y su carácter; su esposa Maryelbe, que llegó para quedarse hace siete años; y un profesor llamado Fernando Gentil, que en su momento le aconsejó dedicarse a la cirugía plástica. Nombres que moldearon no solo al profesional, sino al hombre. La llama que mueve al Dr. Wandemberg no da señales de apagarse. "No podemos parar. Tenemos que estar siempre en ebullición, buscando nuevos proyectos, nuevas técnicas, congresos, sobre todo internacionales. Eso nos mantiene activos y nos hace sentir más jóvenes." El cansancio, admite, forma parte del camino. La falta de motivación, jamás. "Una persona sin motivación está a la deriva en cualquier proyecto. Eso no puede ocurrir." Y para quienes buscan un propósito en su carrera, el consejo es directo y generoso: "Haz lo mejor que puedas. Dedícate durante horas a alcanzar tu objetivo de la mejor manera posible, en una competencia sana, sin intentar hundir a nadie." Lejos de ser un concepto difuso, la felicidad tiene para él una función práctica y medible. "Es un estado de ánimo que, una vez incorporado a la persona, lo facilita todo: la manera de afrontar los desafíos, el rendimiento, la toma de decisiones. Es un hábito enormemente saludable en todo lo que implica una carrera próspera." Feliz no es quien tiene menos problemas. Es quien elige enfrentarlos con otras herramientas. Con toda la sabiduría que acumula una vida intensa, el Dr. Wandemberg reserva su mensaje más humano para quienes aún están al principio del camino. Si pudiera hablar con el joven que un día entró en tercer lugar en el Hospital AC Camargo, le diría: elige mejor a las personas que te rodean, aléjate de las malas compañías, mantente alerta ante quienes solo quieren aprovecharse y ten más cintura a la hora de tomar decisiones. Una confesión poco frecuente y valiente, la de alguien que no tiene miedo de mostrarse entero, ni en el quirófano ni en la vida. El Dr. Wandemberg Barbosa es cirujano plástico y oncólogo, Miembro Titular de la Sociedad Brasileña de Cirugía Plástica y Máster en Cirugía Plástica Reparadora por la Facultad de Medicina de la Universidad de São Paulo. Instagram: @aminihaddadcampos Portada | Dr. Wandemberg Barbosa: La trayectoria de un ícono que nunca dejó de evolucionar
- Distração é confusão sobre o que importa por Henry Ayres
Há uma pergunta que Curt Steinhorst faz com uma gentileza quase desconcertante: "O que você está realmente fazendo quando se distrai?" A resposta mais honesta não é "perdendo tempo". É algo mais revelador: você está, naquele momento, priorizando algo de menor importância sobre algo de maior importância, sem perceber que está fazendo essa escolha. Steinhorst, especialista em atenção humana e comportamento no ambiente de trabalho, dedicou anos a estudar por que pessoas inteligentes, comprometidas e bem-intencionadas vivem em estado de distração crônica. A conclusão que ele oferece é ao mesmo tempo libertadora e exigente: distração não é um problema de força de vontade. É um problema de clareza. "Você não se distrai porque não tem disciplina. Você se distrai porque não decidiu, com clareza suficiente, o que proteger." - Curt Steinhorst Pense nisso por um momento. Quantas vezes você começou o dia com intenção genuína, e chegou ao final sem conseguir tocar no que realmente importava? Não por falta de tempo. Mas porque cada interrupção, cada notificação, cada tarefa urgente de outra pessoa pareceu, naquele segundo, mais real e mais imediata do que o seu próprio propósito. Esse é o paradoxo da distração moderna: ela raramente parece uma escolha ruim. Ela se disfarça de responsividade, de cuidado com o outro, de eficiência. Responder rápido parece comprometimento. Estar sempre disponível parece liderança. Mas Steinhorst nos convida a perguntar: a serviço de quê, exatamente? O custo invisível de não decidir Uma das contribuições mais valiosas do pensamento de Steinhorst é nomear algo que sentimos, mas raramente articulamos: a distração tem um custo que não aparece no relatório do dia. Ela corrói a qualidade do pensamento, a profundidade das relações e a capacidade de contribuir com o que só você pode oferecer. Cada vez que você fragmenta sua atenção, não está apenas perdendo produtividade. Está perdendo a chance de estar inteiramente presente em algo que merece sua inteireza. E com o tempo, essa fragmentação se torna identidade, a pessoa que "está sempre ocupada" e raramente disponível para o que importa de verdade. O antídoto, segundo Steinhorst, não é silenciar o mundo. É saber o que você veio fazer antes que o mundo dite a agenda por você. PARA REFLETIR Qual é a contribuição que só você pode fazer hoje, e que ainda não aconteceu? O que você está protegendo com sua atenção? É o que você diz que importa? Você está respondendo à vida, ou reagindo a ela? Clareza antes de calendário A proposta prática de Steinhorst começa antes da agenda. Antes de abrir o e-mail, antes de ver o Slack, antes de entrar na primeira reunião, ele defende que cada pessoa deve ter respondido, em silêncio e com honestidade, a uma pergunta simples: o que, hoje, não pode ficar para amanhã? Não uma lista de dez itens. Uma resposta. Talvez duas. Algo que, ao final do dia, vai fazer a diferença entre ter avançado ou apenas ter sobrevivido. Essa clareza funciona como proteção. Não contra as demandas do mundo, essas continuarão chegando. Mas contra a dissolução silenciosa de tudo o que você decidiu construir. Líderes que Steinhorst acompanha não são, em geral, os que têm mais força de vontade. São os que aprenderam a fazer essa pergunta com regularidade, e a confiar na resposta. Presença é a nova liderança Há algo profundamente humano no que Steinhorst ensina. Em um mundo que celebra a velocidade, a multitarefa e a conectividade permanente, ele defende o que parece quase subversivo: a presença total como ato de liderança . Estar com alguém sem estar dividido. Pensar em algo sem interromper o pensamento. Trabalhar em uma ideia até que ela ganhe forma, sem abandoná-la no meio, atraída pela urgência de outra coisa. Isso não é nostalgia pelo passado analógico. É uma escolha ativa, feita dia após dia, de honrar o que você disse que importa, com o recurso mais escasso que você possui: sua atenção. Inspirado no trabalho de Curt Steinhorst, autor de Can I Have Your Attention? e especialista em foco e liderança no ambiente de trabalho moderno. Matéria: Distração é confusão sobre o que importa por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca e Conteúdo na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Capa | Dra. Amini Haddad: A juíza, escritora e professora que transforma palavras em justiça
Versão em Português Amini Haddad carrega na alma o que muitos apenas proclamam nos discursos: a convicção de que o Direito existe para dignificar vidas Há pessoas que constroem carreiras. E há pessoas que constroem mundos. A Dra. Amini Haddad pertence à segunda categoria, aquela rara constelação de seres humanos cuja existência parece maior do que qualquer título, qualquer cargo, qualquer láurea. E ainda assim, ela os tem todos. Juíza há mais de 27 anos, professora universitária em quase igual período, doutora duas vezes com nota máxima, pós-doutora em Salamanca e em Brasília, membro vitalícia de Academias de Letras e de Direito no Brasil e referência em fóruns internacionais de justiça e equidade de gênero, os números impressionam, mas não explicam. Para entender Amini Haddad, é preciso ir além da impressionante lista de realizações e alcançar aquilo que as move: uma fé inabalável na capacidade do Direito de transformar vidas. O Início de Tudo Nascida em 17 de fevereiro de 1974, a caçula de Misudy e Zamil, funcionários públicos federais que souberam transmitir à filha o valor do serviço e da integridade, cresceu em Mato Grosso com um dom precoce para transformar palavras em poesia. Não seria exagero dizer que, muito antes de se tornar jurista, Amini já era poeta. E talvez seja exatamente essa sensibilidade literária que faz de suas sentenças, artigos e obras algo que vai além da técnica: toca. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso, onde recebeu a láurea universitária com a primeira média geral de toda a instituição, impressionantes 9,67, ela cedo entendeu que o conhecimento não era um fim em si mesmo, mas um instrumento. "Senti que o direito poderia ser um instrumento de transformação social", recorda, referindo-se ao momento em que ouviu a voz da professora e desembargadora Shelma Lombardi de Kato e enxergou, nítida, a sua vocação. Uma voz. Um encontro. Uma vida inteira de propósito. A Jurista, a Professora, a Construtora Com dois doutorados concluídos com distinção máxima, em Direitos Humanos pela Universidade de Santa Fé e em Processo Civil e Efetividade do Direito pela PUC-SP, dois pós-doutorados, mestrado pela PUC-Rio e MBA pela FGV, Amini Haddad construiu um currículo que desafia qualquer tentativa de resumo. Mas o que mais chama atenção não é a extensão da formação, e sim a coerência entre o que ela estuda e o que ela faz. Cada título, cada pesquisa, cada publicação tem endereço certo: as pessoas em situação de vulnerabilidade. Mulheres vítimas de violência. Adolescentes à margem. Comunidades que o Estado tarda a enxergar. Foi com esse olhar que ela idealizou e criou o Centro Humanitário de Atendimento à Mulher e à Adolescente, o CHAMA; o Centro Humanitário de Apoio, o CHA; o Observatório Pró-Equidade da Justiça Militar da União; e o Fórum Nacional das Mulheres Juristas, o FONAMJUR. Projetos que não nasceram de gabinetes climatizados, mas de uma presença real, de pés no chão e coração aberto diante da dor alheia. Participou como redatora do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ e contribuiu decisivamente para a redação da Lei Maria da Penha, ao lado da então Ministra Nilcéa Freire, primeira titular da Secretaria de Políticas para Mulheres do Brasil. Seu projeto de Política Tributária Integrada na Vara Fiscal de Cuiabá foi reconhecido como a 8ª melhor prática nacional de eficiência tributária pelo Conselho Nacional de Justiça. Não é sorte. É método. É rigor. É vocação. Condecorada com o Grau de Alta Distinção da Ordem do Mérito Judiciário Militar, pelo Superior Tribunal Militar, reconhecimento concedido por unanimidade, Amini ocupa hoje a função de Juíza Auxiliar da Ministra-Presidente Maria Elizabeth Rocha, no STM, numa parceria que ela define com afeto genuíno: "Uma grande profissional do Sistema de Justiça, amiga que tanto amo." "Uma carreira brilhante não se mede pelos títulos acumulados ou pelos cargos ocupados, mas pela capacidade de transformar conhecimento em instrumento de justiça social." A frase soa como axioma, mas em sua boca não é retórica: é autobiografia. Quando se fala em "sucesso" com ela, Amini desvia o holofote, com elegância e firmeza. Para ela, cada espaço conquistado, e foram muitos, em ambientes historicamente masculinos, representa não uma chegada, mas uma responsabilidade ampliada. "Cada oportunidade de fala pública representa uma chance de amplificar vozes historicamente silenciadas." Indicada por organizações sociais e jurídicas para uma vaga no Supremo Tribunal Federal em 2021, ela segue sendo, para muitos, o nome que deveria estar em todas as mesas onde se decide o futuro das pessoas mais vulneráveis deste país. Mas Amini Haddad não é apenas instituição. É também mulher, mãe, esposa, filha, e essa inteireza é, talvez, o traço mais bonito de sua trajetória. Mãe de Natálie, engenheira química e mestre pela Unicamp, e de Tales Mateus, estudante de Direito no IDP, ela narra os anos de magistratura itinerante, as mudanças de cidade exigidas pela carreira, os filhos pequenos, a distância do então marido, Promotor de Justiça em outra comarca, sem amargura, mas com a clareza de quem sabe o preço de cada escolha. "Não me arrependo das dificuldades que enfrentamos. Tudo me trouxe até aqui." Em 2025, uma nova estação: o casamento com Rodrigo Bittencourt de Amorim, advogado e empresário em Brasília, e a chegada calorosa dos enteados Natan, estudante de medicina na UnB, e Bruna, do ensino médio. "A família cresceu", ela diz, e o largo sorriso que acompanha a frase diz mais do que qualquer parágrafo. Há uma frase que Amini diria à versão jovem de si mesma e que ecoa muito além do conselho pessoal: "Você não está construindo apenas uma carreira, está plantando sementes para um futuro mais justo. Algumas você verá florescer, outras florescerão muito depois que você partir. Ambas são igualmente importantes." É essa consciência, serena, madura, profunda, que distingue os grandes dos brilhantes, os reconhecidos dos verdadeiramente necessários. Amini Haddad não apenas pratica o Direito. Ela o vive. E ao vivê-lo com essa intensidade de propósito, lembra a todos nós que a justiça não é apenas um conceito jurídico: é um ato cotidiano, exigente e urgente, que começa quando escolhemos, diariamente, colocar o outro no centro. Aquariana, futurista, inquieta e, acima de tudo, humana. A nossa capa deste mês não é somente uma jurista de excelência. É um exemplo vivo de que é possível ser rigorosa e sensível, poderosa e gentil, realizadora e generosa. Ao mesmo tempo. Todo o tempo. O exemplo, ela diz, é registro vivo que transborda o tempo de nossas existências. Instagram @aminihaddadcampos Capa | Dra. Amini Haddad: A juíza, escritora e professora que transforma palavras em justiça English version Cover Feature | Dr. Amini Haddad: The Judge, Writer, and Professor Who Turns Words Into Justice Amini Haddad carries within her soul what many only declare in speeches: the conviction that the law exists to dignify life. Some people build careers. Others build worlds. Dr. Amini Haddad belongs to the latter — that rare constellation of human beings whose presence transcends any title, position, or accolade. And yet, she has earned them all. A judge for over 27 years and a university professor for nearly as long, twice awarded a doctorate with highest distinction, a postdoctoral scholar in Salamanca and Brasília, and a lifelong member of Brazil’s most distinguished Academies of Law and Letters, Amini’s résumé impresses. But her essence lies beyond numbers and credentials — it resides in her unwavering belief in the law’s power to transform lives. The Beginning Born on February 17, 1974, the youngest daughter of Misudy and Zamil, both federal public servants, Amini grew up in Mato Grosso with an early gift for turning words into poetry. Long before she became a jurist, she was already a poet. Perhaps it’s that poetic sensitivity that infuses her work — every ruling, article, and lecture — with something deeply human. A law graduate from the Federal University of Mato Grosso, where she achieved the highest GPA in the institution’s history (an astonishing 9.67), Amini understood early that knowledge was never an end in itself — it was a means. “I realized that law could be an instrument of social transformation,” she recalls, referencing the moment she heard Professor and Judge Shelma Lombardi de Kato speak and recognized her own calling in that voice. One moment. One encounter. One lifetime of purpose. The Jurist, the Professor, the Builder With two doctorates — one in Human Rights from the University of Santa Fé and another in Civil Procedure and Effectiveness of Law from PUC-SP — plus two postdoctoral degrees, a master’s from PUC-Rio, and an MBA from FGV, Amini’s academic path defies summary. Yet what truly sets her apart is not the scope of her education, but its consistency with her mission. Every degree, every project, every publication is directed toward those who need justice the most: women survivors of violence, vulnerable adolescents, communities the State often overlooks. From that commitment emerged initiatives such as the Humanitarian Center for Women and Adolescents (CHAMA), the Humanitarian Support Center (CHA), the Observatory for Gender Equity in the Military Justice System, and the National Forum of Women Jurists (FONAMJUR). These weren’t conceived in air-conditioned offices but born from real encounters — feet on the ground, heart open to others’ pain. Amini was among the drafters of Brazil’s Gender Perspective Sentencing Protocol for the National Council of Justice and contributed decisively to the drafting of the landmark Maria da Penha Law, alongside Minister Nilcéa Freire. Her Integrated Tax Policy project was recognized as one of the top ten national innovations in fiscal efficiency by the same council. It’s not luck — it’s discipline, rigor, and vocation. Decorated with the Order of Military Judicial Merit, High Distinction Class by Brazil’s Superior Military Court, Amini currently serves as Auxiliary Judge to the Court’s President, Minister Maria Elizabeth Rocha — a partnership she fondly describes as "professional excellence and true friendship.” Her words embody her life’s truth: “A brilliant career isn’t measured by titles or posts, but by the ability to turn knowledge into an instrument of social justice.” When talk turns to success, Amini gracefully deflects the spotlight. Every space she’s conquered in historically male environments, she sees not as a destination but as a broader responsibility. “Every public platform is a chance to amplify voices that history has silenced.” Nominated by social and legal organizations for a seat on Brazil’s Supreme Court in 2021, Amini remains, for many, the name that should be at every table where the future of the vulnerable is discussed. The Woman Beyond the Robe Yet Amini Haddad is also a mother, wife, daughter — a whole human being. Mother to Natálie, a chemical engineer with a master’s from Unicamp, and Tales, a law student, she recalls her years of judicial travel — constant relocations, two small children, and a husband serving as a prosecutor in another city — with no hint of bitterness. “I regret nothing,” she says. “Every hardship brought me here.” In 2025, a new chapter began: her marriage to attorney and entrepreneur Rodrigo Bittencourt de Amorim, and the joyful expansion of her family with stepchildren Natan, a medical student, and Bruna, a high schooler. “Our family grew,” she smiles — a smile that says more than words ever could. If she could tell her younger self one thing, it would be this: “You’re not just building a career — you’re planting seeds for a fairer future. Some will bloom in your lifetime. Others, long after you’re gone. Both matter equally.” That quiet wisdom — reflective, assured, timeless — is what separates the great from the merely accomplished, the essential from the celebrated. Amini Haddad doesn’t just practice law. She lives it. And through her, we remember that justice is not just a legal principle but a daily choice — to put others at the center. Aquarian. Visionary. Restless. Human. Our cover this month isn’t merely a jurist of excellence, but living proof that one can be rigorous and compassionate, powerful and kind, accomplished and generous — all at once, always. As she often says, “Example is the living record that transcends the time of our existence.” Instagram: @aminihaddadcampos Cover Feature | Dr. Amini Haddad: The Judge, Writer, and Professor Who Turns Words Into Justice Versión en Español Portada | Dra. Amini Haddad: La jueza, escritora y profesora que transforma palabras en justicia Amini Haddad lleva en el alma lo que muchos solo proclaman en los discursos: la convicción de que el Derecho existe para dignificar la vida. Hay personas que construyen carreras. Y hay personas que construyen mundos. La doctora Amini Haddad pertenece a la segunda categoría: esa rara constelación de seres humanos cuya existencia trasciende cualquier título, cargo o reconocimiento. Y, aun así, los tiene todos. Jueza desde hace más de 27 años y profesora universitaria durante casi el mismo tiempo, doble doctora con la máxima calificación, posdoctora en Salamanca y en Brasilia, miembro vitalicia de academias de letras y derecho en Brasil y referente en foros internacionales de justicia y equidad de género, su currículo impresiona. Pero para comprender a Amini Haddad hay que ir más allá de los números: hay que alcanzar aquello que la mueve — una fe inquebrantable en la capacidad del Derecho para transformar vidas. El comienzo de todo Nació el 17 de febrero de 1974, la menor de Misudy y Zamil, dos funcionarios públicos que supieron inculcarle el valor del servicio y la integridad. Creció en Mato Grosso con un don precoz para convertir las palabras en poesía. Mucho antes de ser jurista, Amini ya era poeta. Y quizá sea esa sensibilidad literaria la que impregna sus sentencias, artículos y obras de una emoción que trasciende la técnica. Se licenció en Derecho por la Universidad Federal de Mato Grosso, donde recibió el máximo honor académico y la nota media más alta de toda la institución, un asombroso 9,67. Pronto comprendió que el conocimiento no era un fin en sí mismo, sino una herramienta. “Sentí que el Derecho podía ser un instrumento de transformación social”, recuerda al evocar el momento en que escuchó la voz de su profesora y magistrada Shelma Lombardi de Kato y reconoció, con nitidez, su vocación. Una voz. Un encuentro. Una vida entera con propósito. La jurista, la profesora, la constructora Con dos doctorados con distinción máxima —en Derechos Humanos por la Universidad de Santa Fé y en Proceso Civil y Efectividad del Derecho por la PUC-SP—, dos posdoctorados, un máster en la PUC-Rio y un MBA por la FGV, el recorrido académico de Amini desafía cualquier intento de síntesis. Pero lo más notable no es la extensión de su formación, sino la coherencia entre lo que estudia y lo que hace. Cada título, cada investigación, cada publicación tiene un destinatario preciso: las personas en situación de vulnerabilidad. Mujeres víctimas de violencia. Adolescentes al margen. Comunidades que el Estado tarda en mirar. Con ese enfoque fundó el Centro Humanitario de Atención a la Mujer y al Adolescente (CHAMA), el Centro Humanitario de Apoyo (CHA), el Observatorio Pro Equidad de la Justicia Militar de la Unión y el Foro Nacional de Mujeres Juristas (FONAMJUR). Proyectos que no nacieron en despachos climatizados, sino al calor de la presencia real: con los pies en la tierra y el corazón abierto ante el dolor ajeno. Participó como redactora del Protocolo para el Juicio con Perspectiva de Género del Consejo Nacional de Justicia y contribuyó decisivamente a la redacción de la Ley Maria da Penha, junto a la ministra Nilcéa Freire. Su proyecto de Política Tributaria Integrada fue reconocido como una de las diez mejores prácticas nacionales de eficiencia fiscal por el mismo consejo. No es suerte. Es método. Es rigor. Es vocación. Condecorada con el grado de Alta Distinción de la Orden del Mérito Judicial Militar por el Superior Tribunal Militar, Amini ejerce hoy como jueza auxiliar de la ministra presidenta Maria Elizabeth Rocha, en una colaboración que describe con afecto genuino: “Una gran profesional del sistema de justicia, una amiga a la que quiero profundamente.” “Una carrera brillante no se mide por los títulos acumulados o los cargos ocupados, sino por la capacidad de transformar el conocimiento en instrumento de justicia social.” En su voz no suena a retórica, sino a autobiografía. Cuando se habla de “éxito”, Amini desvía el foco con elegancia. Cada espacio conquistado —y han sido muchos— en entornos históricamente masculinos no representa para ella una meta, sino una responsabilidad ampliada. “Cada oportunidad de hablar en público es una posibilidad de amplificar voces históricamente silenciadas.” Nominada por organizaciones sociales y jurídicas para una vacante en el Tribunal Supremo Federal en 2021, sigue siendo, para muchos, el nombre que debería ocupar los espacios donde se decide el futuro de los más vulnerables del país. La mujer detrás de la toga Pero Amini Haddad no es solo institución. Es también mujer, madre, esposa e hija. Madre de Natálie, ingeniera química y máster por la Unicamp, y de Tales Mateus, estudiante de Derecho en el IDP, recuerda sus años de jueza itinerante —los traslados continuos, los hijos pequeños, un esposo fiscal en otra comarca— sin amargura: “No me arrepiento de las dificultades. Todo me trajo hasta aquí.” En 2025 comenzó una nueva etapa: su matrimonio con el abogado y empresario Rodrigo Bittencourt de Amorim, y la llegada cálida de sus hijastros Natan, estudiante de Medicina en la UnB, y Bruna, que cursa bachillerato. “La familia creció”, dice, y la sonrisa que acompaña la frase dice muchísimo más que las palabras. Hay una frase que Amini dirigiría a su yo joven, y que resuena más allá del consejo personal: “No estás construyendo solo una carrera, estás sembrando semillas para un futuro más justo. Algunas florecerán mientras vivas, otras mucho después de que te hayas ido. Ambas son igual de importantes.” Esa conciencia serena, madura y profunda distingue a los grandes de los brillantes, a los reconocidos de los verdaderamente necesarios. Amini Haddad no solo ejerce el Derecho. Lo vive. Y al vivirlo con esa intensidad de propósito, nos recuerda que la justicia no es un concepto jurídico, sino un acto cotidiano y urgente que empieza cuando decidimos poner al otro en el centro. Acuariana, futurista, inquieta y, sobre todo, humana. Nuestra portada de este mes no es solo una jurista de excelencia: es la prueba viva de que se puede ser rigurosa y sensible, poderosa y amable, eficaz y generosa. Todo al mismo tiempo. Todo el tiempo. “El ejemplo”, dice, “es el registro vivo que trasciende el tiempo de nuestras existencias.” Instagram: @aminihaddadcampos Portada | Dra. Amini Haddad: La jueza, escritora y profesora que transforma palabras en justicia
- Vulnerabilidade não é fraqueza por Henry Ayres
Durante muito tempo, venderam para nós uma versão dura da força. A ideia de que pessoas fortes não hesitam, não sentem demais, não demonstram medo e, sobretudo, não deixam ninguém perceber quando algo as atingiu. Mas a maturidade tem um jeito curioso de desmontar fantasias. Com o tempo, a vida nos ensina que a verdadeira força não está em parecer inabalável. Está em continuar inteiro, mesmo quando se escolhe sentir. Vulnerabilidade não é fraqueza. Vulnerabilidade é coragem sem fantasia. É o momento em que alguém decide parar de representar invencibilidade para viver com verdade. E isso exige muito mais fibra do que qualquer armadura emocional. Porque é fácil levantar a voz, fechar a cara, endurecer o peito e fingir controle. Difícil é dizer “isso me feriu”, “eu não sei”, “eu preciso de ajuda”, “eu também estou aprendendo”. Existe uma diferença importante entre ser frágil e ser vulnerável. A fragilidade se quebra com facilidade. A vulnerabilidade, ao contrário, se revela com consciência. Ela não nasce da incapacidade, mas da honestidade. Uma pessoa vulnerável não está desistindo da própria força. Está, na verdade, usando sua força de forma mais sofisticada. Ela já não precisa impressionar. Precisa apenas ser real. Os adultos mais fortes que conhecemos quase nunca são os mais barulhentos. São os mais centrados. São aqueles que conseguem sustentar uma conversa difícil sem recorrer ao orgulho. Que admitem um erro sem se diminuir. Que pedem perdão sem teatralidade. Que choram sem transformar a dor em espetáculo. Há uma elegância silenciosa em quem não precisa esconder a humanidade para preservar a autoridade. No mundo profissional, afetivo e familiar, ainda existe uma confusão perigosa entre firmeza e rigidez. Firmeza é saber quem se é. Rigidez é ter medo de ser visto. Firmeza constrói pontes. Rigidez levanta muros. Quando alguém fala com sinceridade sobre seus limites, inseguranças e aprendizados, não perde respeito. Ganha profundidade. Ganha confiança. Ganha presença. Porque pessoas maduras reconhecem o que muitos ainda tentam negar: não é a perfeição que conecta, é a verdade. A vulnerabilidade também tem disciplina. Ela não é despejar tudo sobre todos, a qualquer hora. Isso não é força emocional, é falta de filtro. Vulnerabilidade madura sabe o que dizer, para quem dizer e por que dizer. Ela não busca pena. Busca conexão. Não dramatiza. Nomeia. Não manipula. Esclarece. Esse tipo de transparência não enfraquece uma relação. Ela limpa o terreno para que o vínculo fique mais honesto. Talvez por isso tanta gente ainda tenha medo dela. Ser vulnerável remove os disfarces que nos ajudaram a sobreviver. E alguns disfarces parecem proteção, até começarem a virar prisão. Há quem passe anos sendo eficiente, admirado, produtivo e ainda assim profundamente solitário, porque nunca permitiu que ninguém conhecesse o seu lado mais humano. A força que não se abre pode até impressionar de longe, mas raramente acolhe de perto. Há algo muito poderoso em quem consegue dizer a verdade com serenidade. Em quem não transforma sensibilidade em desculpa, nem transforma dureza em identidade. Pessoas assim não usam a dor como palco, nem a escondem como vergonha. Elas entendem que crescer não é sentir menos. É sentir com mais consciência. É responder melhor. É abandonar a necessidade infantil de parecer sempre certo, sempre pronto, sempre acima de tudo. No fim, vulnerabilidade não diminui ninguém. Ela devolve dimensão. Faz a pessoa sair do personagem e voltar para si. E quando alguém finalmente se encontra nesse lugar, mais honesto, mais limpo, mais maduro, descobre uma verdade simples: a fraqueza não está em se mostrar. A fraqueza está em passar a vida inteira se escondendo. Ser vulnerável é um ato de presença. É dizer, com dignidade, “eu sou humano, e ainda assim continuo forte”. Talvez seja justamente aí que mora a forma mais alta de força. Não na ausência de rachaduras, mas na coragem de não ter medo da própria luz entrando por elas. Matéria: Vulnerabilidade não é fraqueza por Henry Ayres @henry.ayres Henry Ayres é Head de Marca e Conteúdo na Samsung Brasil e é um profissional de marketing com trajetória construída na interseção entre tecnologia, mídia, conteúdo e branding, com foco em gerar conexões reais entre marcas e pessoas.
- Quando o Sucesso Vai Além do Lucro por Juliana Pires
O verdadeiro empreendedor não é apenas aquele que constrói negócios lucrativos, é aquele que constrói pontes, transforma realidades e assume o papel de agente ativo na sociedade. Empreender com propósito é entender que cada decisão empresarial pode gerar impacto. É sair da lógica exclusiva do lucro e abraçar uma visão mais ampla, onde o crescimento financeiro caminha lado a lado com a responsabilidade social. O empresário que se envolve em ações sociais não está “fazendo o bem” como algo à parte, ele está integrando propósito à sua essência. Ele compreende que seu negócio é uma ferramenta poderosa de transformação, capaz de gerar oportunidades, promover inclusão e devolver dignidade a quem muitas vezes foi invisibilizado. Empresas que se posicionam dessa forma se tornam mais do que marcas: tornam-se referências. Inspiram colaboradores, fidelizam clientes e criam conexões genuínas com a comunidade. Porque hoje, mais do que nunca, as pessoas não se conectam apenas com produtos ou serviços, elas se conectam com valores. Investir em ações sociais não é caridade. É visão. É estratégia. É liderança. É a consciência de que um mercado forte só existe dentro de uma sociedade equilibrada, onde pessoas têm acesso a oportunidades e podem evoluir. O empreendedor socialmente responsável entende que o seu crescimento só faz sentido quando ele puxa outros junto. Ele não espera mudanças, ele lidera mudanças. Que surja uma nova geração de empresários: mais humanos, mais conscientes e mais comprometidos com o futuro. Que seus negócios sejam instrumentos de impacto, suas atitudes sejam exemplo e seu legado vá muito além dos números. Porque, no final, o verdadeiro sucesso é aquele que transforma vidas. Quando o Sucesso Vai Além do Lucro por Juliana Pires Juliana Pires https://www.instagram.com/julianasouzapires/
- Uma Nova Fronteira no Tratamento de Doenças por Dr. Aonio Genicolo Vieira
A medicina regenerativa tem avançado de forma impressionante nas últimas décadas, e um dos campos mais promissores é o uso de células-tronco. Entre as diversas fontes disponíveis, as células-tronco mesenquimais obtidas de dentes decíduos (dentes de leite) têm despertado grande interesse científico e clínico. O que são células-tronco mesenquimais? As células-tronco mesenquimais são células adultas com alta capacidade de autorrenovação e diferenciação, podendo originar diversos tipos celulares. Onde são adicionadas, podem se transformar nas células do local, menos em células do sangue (hematopoiéticas). Essas células desempenham papel fundamental na reparação e regeneração de tecidos. Os dentes de leite (decíduos), quando estão na fase natural de esfoliação, contêm um tecido rico chamado polpa dentária, onde estão presentes células-tronco altamente viáveis. Entre as principais vantagens dessa fonte, destacam-se: Coleta minimamente invasiva e indolor Alta capacidade proliferativa Menor risco de rejeição (quando armazenadas para uso autólogo) Alternativa ética em relação a outras fontes de células-tronco Aplicações terapêuticas promissoras O uso das células-tronco dentárias ainda está em expansão, mas já apresenta resultados promissores em diversas áreas: Doenças neurológicas: Doença de Alzheimer Doença de Parkinson Lesões medulares As células podem auxiliar na regeneração neural e na modulação inflamatória. Doenças cardiovasculares Há evidências de que podem contribuir para: Regeneração do músculo cardíaco após infarto Melhora da vascularização Regeneração óssea e odontológica Reconstrução óssea Tratamento de defeitos periodontais Implantodontia Doenças autoimunes Lúpus Artrite reumatoide Esclerose múltipla Medicina regenerativa e estética Rejuvenescimento cutâneo Tratamento de cicatrizes Engenharia tecidual Hoje já é possível realizar o armazenamento das células-tronco dos dentes de leite em bancos especializados, funcionando como um verdadeiro “seguro biológico” para o futuro. O processo envolve a coleta do dente no momento ideal, transporte em meio adequado, isolamento e criopreservação das células. Apesar do grande potencial, ainda existem desafios importantes: Necessidade de mais estudos clínicos de longo prazo Regulamentação variável entre países Nem todas as terapias já estão disponíveis na prática clínica O futuro da odontologia e da medicina A utilização de células-tronco provenientes de dentes decíduos representa uma revolução silenciosa, integrando odontologia e medicina em uma abordagem regenerativa e personalizada. Nos próximos anos, espera-se que essas terapias se tornem cada vez mais acessíveis, ampliando as possibilidades de tratamento para doenças hoje consideradas complexas ou sem cura definitiva. Os dentes de leite, antes vistos apenas como parte natural do crescimento infantil, agora ganham um novo significado: uma fonte valiosa de células capazes de transformar o futuro da saúde. Investir em conhecimento e tecnologia nessa área é abrir caminho para uma medicina mais eficaz, menos invasiva e altamente personalizada. Uma Nova Fronteira no Tratamento de Doenças por Dr. Aonio Genicolo Vieira Dr. Aonio Genicolo Vieira https://www.instagram.com/dr.aoniovieira/











